MetrôCPTM verifica: projeto de trem entre Santos e Cajati ‘não está chegando’ e nem será ‘trem-bala’

Artigos reciclados tentam vender ideia que estudo da CPTM é algo ‘espetacular’ e próximo de virar realidade

Trem regional de Santos a Cajati pode chegar a Curitiba
Trem regional de Santos a Cajati pode chegar a Curitiba (Arte de IA sobre imagem de divulgação)

Nos últimos dias passaram a circular na internet artigos que comentam sobre os estudos da CPTM a respeito do trem entre Santos e Cajati, baseados em dados divulgado pela companhia durante a Semana Metroferroviária organizada pela AEMEASP em setembro.

As informações, que o MetrôCPTM publicou em primeira mão, desde então tem se espalhado na rede e dando origem a conteúdo reciclado por sites caçadores de cliques.

Para tentar dar algum apelo a algo já divulgado, esses sites passaram a criar factóides sobre o assunto. O primeiro deles foi passar a impressão que o projeto é algo prestes a ficar pronto.

Outro obscuro site vende uma ideia ainda mais absurda, fazendo crer que o serviço usará ‘trens-bala’ ou Veículo Leve sobre Trilhos (?), a despeito de se tratar de um conceito de trem de média velocidade.

Estudo da CPTM está muito longe de virar realidade

A situação real do estudo da CPTM é bem menos empolgante que esses pseudo-artigos querem fazer os desavisados acreditarem. A companhia está, de fato, avaliando vários potenciais trens regionais, incluindo serviços entre Sorocaba e Campinas e Ribeirão Preto, mas são levantamentos iniciais.

O trem Santos-Cajati, por exemplo, surgiu após levantamentos aerofotográficos com a proposta de restabelecer a operação de trens de passageiros e de carga na Baixada Santista, com conexão com o Vale do Ribeira.

Ligação da Baixada Santista com Cajati (Jean Carlos)

A proposta é bastante empolgante, mas ainda prematura. A CPTM prevê dar início a um anteprojeto de engenharia em dezembro, para ter mais subsídios sobre o potencial de implantação da ferrovia, mas daí a termos um leilão e sua implantação, irá muito, muito tempo.

E o ponto mais esclarecedor: é pouco provável que a companhia de trens metropolitanos do estado seja responsável por tirar o projeto do papel. O caminho mais esperado é que ela repasse os estudos para a Secretaria de Parcerias em Investimentos (SPI), que então levaria ou não para frente o projeto.

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Numa hipótese otimista, que isso ocorra no começo do próximo mandato estadual, poderíamos ter os trens operando na segunda metade da próxima década, baseando-se em cronogramas de outros projetos similares.

Ou seja, o trem Santos-Cajati “não está chegando” e não está a ponto de “transformar a mobilidade do Estado de São Paulo”.

Características do projeto

Velocidade média de um automóvel

Outra falácia é fazer qualquer associação sobre a velocidade das composições com um ‘trem-bala’. Os trens regionais em projeto pelo governo do estado terão uma velocidade média de 140 km/h, cerca de metade de um trem de alta velocidade convencional.

Portanto, percorrer 224 km em 3 horas, como imagina a CPTM, significa uma média de 75 km/h, similar a realizar o percurso em um automóvel.

A ideia do trem regional é oferecer uma opção mais sustentável e possivelmente mais barata de viagem dentro do estado, além de criar novas possibilidades de trajeto.

No caso do trem Santos-Cajati, o serviço poderia atrair turistas e moradores que percorrem o litoral sul e também sua ligação com o Trem Intercidades Eixo Sul, que ligará Santos a capital paulista.