Movimento de passageiros da Linha 6-Laranja cai pela metade no terceiro mês
Ramal transportou apenas 21,9 mil usuários em setembro, 48% menos que em julho, enquanto operação assistida segue restrita a cinco horas por dia
Uma situação inusitada tem acontecido com a Linha 6-Laranja: aberto parcialmente em julho, o ramal metroviário vê cada vez menos gente utilizado suas seis estações, ainda em finalização.
Dados obtidos pelo MetrôCPTM revelam que a demanda caiu mais uma vez no terceiro mês de operação assistida. Em setembro, as seis estações abertas receberam apenas 21.895 usuários, praticamente metade dos 42.239 registrados em julho, quando o novo ramal abriu suas portas.
A redução entre julho e setembro foi de 48,2%. A tendência já havia aparecido em agosto, quando 28.623 passageiros utilizaram a linha, queda de 32,2% sobre o primeiro mês. De agosto para setembro houve novo recuo, desta vez de 23,5%.
Como mostrou o site no mês passado, parte da forte movimentação inicial pode ter sido provocada pela curiosidade em conhecer a nova linha. Passado o período de novidade, os números começam a revelar um público mais próximo daquele que consegue utilizar o serviço nas condições bastante restritas oferecidas atualmente.
A Linha 6 continua funcionando gratuitamente apenas de segunda a sexta-feira, das 10h às 15h, fora dos principais horários de pico. Somente dois trens são utilizados, um em cada via, circulando em baixa velocidade e sem a operação convencional que será adotada quando o ramal estiver plenamente em serviço.
Linha 6-Laranja (Willian Moreira)
Há ainda outro obstáculo importante: a falta de uma integração prática com o restante da rede metroferroviária. Água Branca é a única das seis estações próxima de outra linha, mas o passageiro precisa deixar a Linha 6, caminhar pela rua e entrar separadamente na atual estação da Linha 7-Rubi.
Queda em todas as estações
Todas as seis estações em funcionamento tiveram menos passageiros em setembro do que em julho. João Paulo I apresentou a maior redução, de 66,1%, passando de 10.861 para apenas 3.678 usuários.
Santa Marina perdeu 51,4% do movimento, de 5.729 para 2.785 passageiros, enquanto Freguesia do Ó caiu 49,4%, de 6.373 para 3.226. Em Perdizes, a redução chegou a 42,7%, com o total passando de 5.161 para 2.957.
SESC-Pompeia recebeu 4.422 passageiros em setembro ante 7.398 em julho, queda de 40,2%. Água Branca foi a estação que melhor preservou seu movimento: passou de 6.717 para 4.827 usuários, recuo de 28,1%.
Com serviço ainda restrito, Linha 6 perde passageiros (Metrô CPTM)
Com isso, Água Branca tornou-se a estação mais movimentada entre as seis em setembro. A mudança em relação a julho é significativa: na estreia da linha, João Paulo I liderava com folga, enquanto Água Branca aparecia apenas na terceira posição.
Operação ainda muito distante da definitiva
Os números atuais não permitem projetar a demanda que a Linha 6 terá quando estiver plenamente aberta. O ramal foi concebido para transportar mais de 630 mil passageiros por dia com suas 15 estações em funcionamento, integrações com as linhas 1-Azul, 4-Amarela e a rede ferroviária em Água Branca, além de uma oferta de trens muito superior à existente na operação assistida.
Uma das limitações atuais deverá ser reduzida em 2027. Está em construção uma ligação provisória entre o segundo acesso da estação Água Branca da Linha 6 e a atual estação ferroviária, eliminando a caminhada pelas ruas para fazer a transferência.
Estação Brasilândia em dezembro de 2025 (Linh)
A passagem desembocará na plataforma hoje utilizada pela Linha 7 no sentido Palmeiras-Barra Funda. A previsão do governo é que a Linha 11-Coral seja estendida provisoriamente até Água Branca em 2027, oferecendo uma conexão mais útil para quem chega pela Linha 6 enquanto o ramal ainda não alcança as integrações com as linhas 4-Amarela e 1-Azul.
Duas estações ainda previstas para o final do ano
A próxima mudança na operação assistida deverá ocorrer ainda neste ano, a abertura das estações Brasilândia e Itaberaba-Hospital Vila Penteado. Brasilândia chegou a outubro com 96,34% das obras executadas, enquanto Itaberaba atingiu 87,72%.
O MetrôCPTM questionou a ARTESP e a Linha Uni sobre a queda no número de passageiros e também sobre a previsão de abertura de Brasilândia e Itaberaba.
A concessionária e a agência informaram que a demanda ter diminuído se deve a superação ao período da inauguração, mas que as estações em funcionamento estão com um público consolidado.
A empresa mencionou casos constatados pelos seus colaboradores onde pessoas inclusive aproveitam a gratuidade, para almoçar em casa, na região da Freguesia e retornar ao trabalho, utilizando a Linha 6.
Veja nota da Linha Uni
“A Operação Assistida da Linha 6-Laranja, iniciada em julho de 2026, permitiu antecipar em aproximadamente cinco meses a oferta do serviço à população. Desde então, mais de 100 mil passageiros já utilizaram gratuitamente o trecho em funcionamento.
A Operação Assistida é uma etapa técnica de implantação de sistemas, cujo objetivo não é atingir a demanda prevista para a operação plena, mas permitir a utilização gradual e segura da infraestrutura, enquanto são realizados testes em condições reais de circulação, ajustes operacionais e serviços complementares.
Reforçamos, ainda, que a antecipação do serviço representa um benefício concreto para a população, que já pode realizar deslocamentos gratuitos pelo trecho disponível, ao mesmo tempo em que a operação é acompanhada e aperfeiçoada para as próximas etapas de implantação. Seguimos comprometidos com a segurança dos passageiros, a qualidade do serviço e a entrega gradual de uma infraestrutura que contribuirá para a mobilidade urbana de São Paulo.”
