Por que a Linha 16-Violeta passará em Ana Rosa e não em Paraíso

Mudança de local manteve a integração com as linhas 1-Azul e 2-Verde e criou oportunidades de chegar a outras regiões

Estação Ana Rosa da Linha 1-Azul (Jean Carlos)
Estação Ana Rosa da Linha 1-Azul (Jean Carlos)

Os documentos divulgados nesta semana sobre o projeto da nova Linha 16-Violeta de metrô em São Paulo revelaram detalhes importantes do ramal.

Um deles foi a troca da estação Paraíso por Ana Rosa para realizar a integração com as linhas 1-Azul e 2-Verde do Metrô.

Mas qual foi a razão da mudança? Segundo o estudo feito pela Acciona a pedido do governo, a alteração levou em conta fatores construtivos e financeiros.

O documento técnico e – também a confirmação por parte de Augusto Almudin, diretor da CCP (Companhia Paulista de Parcerias) – mostra que a execução da obra no Paraíso resultaria em impactos notáveis na mobilidade urbana, com a interdição dos dois sentidos na Avenida 23 de Maio e parte da Rua Vergueiro.

Intervenção na estação Paraíso se mostrou mais cara e complexa, com mais riscos.
Imagem mostra o ponto da 23 de Maio que seria bloqueado.

O Plano Original

A projeção inicial era a estação Paraíso abrigar a Linha 16 com o uso do espaço reservado para o cancelado “ramal Moema”. Lá ficaria a área de transferência entre os andares das linhas 1 e 2 até os níveis do novo ramal.

No entanto para realizar esse projeto, seria preciso abrir uma grande vala no espaço entre o viaduto Santa Generosa, na transposição da Avenida Bernardino de Campos,da Rua Paraíso e a Avenida 23 de Maio.

Intervenção na estação Paraíso se mostrou mais cara e complexa, com mais riscos.
Estudo destacou impactos em área de interesse religioso e avenidas 23 de Maio e Rua Vergueiro. Divulgação Governo de São Paulo.

O trânsito seria afetado seriamente, a circulação dos caminhões e insumos teria dificuldades e houve a percepção no estudo atual de riscos à Catedral Metropolitana Ortodoxa e edifícios comerciais de grande porte, em razão da passagem por área mais povoada.

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A avaliação técnica entendeu ser este um risco inaceitável no processo construtivo, além do aumento significativo de custos se comparado à alternativa 2.

“A execução das obras subterrâneas da Estação Paraíso da Linha 16, conforme originalmente proposta no local considerado, levaria a riscos geotécnicos considerados inaceitáveis frente à alta sensibilidade e relevância do entorno”, destacou o documento do estudo.

A escolha de Ana Rosa

Integrar a Linha 16 com as 1 e 2 não poderia ser descartado e então decidiu-se “puxar” o trajeto mais ao sul, selecionando a região de Ana Rosa.

O largo existente no entorno da estação possui um terminal de ônibus e superfície aberta, em área plana e afastada de edifícios maiores.

No local é possível abrir uma grande vala para a escavação e realizar intervenções nas plataformas e mezanino existente para abrir a integração. Alpem disso, as áreas de desapropriação e os desvios no tráfego de pessoas e veículos serão menores em comparação a opção Paraíso.

Crescimento de passageiros integrados

A chegada da Linha 16-Violeta vai atrair uma demanda enorme na estação Ana Rosa, com projeções de crescimento de 37% com destino a Linha 1-Azul e de 69% com destino a Linha 2-Verde.

Com isso, cinco escadas rolantes adicionais, uma para a plataforma com a Linha 1-Azul e quatro na plataforma com a Linha 2, serão implantadas, conforme estudo para maior fluidez das pessoas na integração.

Já o acesso da Rua Conselheiro Rodrigues Alves será eliminado para comportar as obras da nova linha, assim como a saída para o terminal de ônibus urbano que será redimensionada no decorrer da construção.

Estudos de fluxo das pessoas foi realizado

Simulações em computador entre Paraíso e Ana Rosa também mostraram a segunda alternativa como a melhor para o direcionamento das pessoas nas duas direções, e também em cenários para uma evacuação emergencial.

Do mezanino até as plataformas da Linha 16-Violeta serão cinco níveis até as plataformas, porém, com uma abordagem similar a existente em Santa Cruz, o cruzamento das pessoas no percurso deve ocorrer apenas no ponto onde se acessa as plataformas das linhas 1 e 2, como pode ser visto a seguir.

Estudo tecnico analisou direcionamento de fluxo no complexo de Ana Rosa.
Simulação mostra estimativa na movimentação de passageiros em Ana Rosa. Divulgação Governo de São Paulo

O levantamento realizado pela Acciona também determinou que a opção Ana Rosa será mais fácil para ser implantada, com menos desapropriações e por representar maior segurança de obra e custo inferior a Paraíso, muito pela localização.

“Dados demonstram que a decisão de alterar o ponto de integração da Linha 16-Violeta da estação Paraíso para a estação Ana Rosa é tecnicamente justificada. Promove melhor equilíbrio no carregamento das linhas e traz benefícios operacionais e econômicos, uma vez que as intervenções necessárias na estação Ana Rosa são menos complexas e onerosas do que aquelas exigidas na estação Paraíso.”

Sobre a Linha 16-Violeta

Novo mapa da Linha 16-Violeta na fase 1 inclui Teodoro Sampaio
Novo mapa da Linha 16-Violeta na fase 1 inclui Teodoro Sampaio (GESP)

A Fase I da Linha 16, o trecho prioritário contará com 19 km de túneis, um pátio de trens e 16 estações,partindo de Teodoro Sampaio até Abel Ferreira.

Tem integrações previstas no seu percurso e foi apelidada pelo governo de “linha dos parques”, por atender regiões como a Aclimação, Ipiranga e o Ibirapuera, todos eles atualmente sem a presença do metrô próximo.

A licitação para concessão à iniciativa privada está prevista para o ano que vem.