Presidente do Metrô promete solução para portas de plataforma em 90 dias
Embora operada pela ViaMobilidade, responsabilidade pela instalação de barras de proteção na Linha 5-Lilás é da companhia do estado, que prometeu acelerar processo
A polêmica em torno da morte de um passageiro preso entre as portas de plataforma e o trem da Linha 5-Lilás na semana passada fez o presidente do Metrô prometer uma solução em tempo mais curto do que o previsto.
Segundo Júlio Castiglioni, as estações do ramal receberão barras de proteção nas fachadas de portas em 90 dias. Até então, esperava-se que isso ocorresse até fevereiro de 2026.
A declaração do presidente do Metrô foi dado ao programa Fantástico, da TV Globo, neste domingo, 11. Castiglioni também reconheceu que a empresa tem parcela de responsabilidade no acidente, a despeito de a Linha 5 ser operada pela concessionária ViaMobilidade.
O tema tornou-se munição para disputas ideológicas, mirando a operação estatal versus privada, porém, não se pode dizer que há um único culpado na situação.

O projeto das portas de plataforma foi contratado pelo Metrô ainda quando a Linha 5 era operada por ele. Faz parte do pacote do sistema CBTC, de responsabilidade da empresa Bombardier, que anos atrás foi assumida pela Alstom.
A despeito de a concessionária estar na linha de frente da operação e de ter reconhecido que havia risco no uso das portas (como revelaram documentos obtidos pela emissora), a palavra final sobre a implantação de mudanças no ramal é do Metrô, assim como na Linha 4-Amarela.

Muitas soluções diferentes
As portas de plataforma são, sem qualquer dúvida, um avanço em segurança na malha sobre trilhos. Elas evitam situações perigosas como queda de pessoas na via além organizarem embarques e desembarques e contribuem ainda para evitar atrasos.
No entanto, a adoção do equipamento tem sido um processo longo e sem padrão. Começou pela Linha 4-Amarela, que nasceu já prevendo o recurso, continuou na Linha 2-Verde em algumas estações e teve uma experiência mal sucedida na Linha 3-Vermelha, cujo consórcio só finalizou uma estação, Vila Matilde.
Vieram então os projetos para adaptar a Linha 5 às PSDs (sigla em inglês das portas), assim como o vasto contrato do Metrô com o Consórcio Kobra, para instalar 88 fachadas nas linhas 1, 2 e 3.
Outros ramais mais novos, como a Linha 15-Prata e 6-Laranja, seguiram o exemplo da Linha 4 e foram projetados com as portas.
Hoje, no entanto, os equipamentos que operam nas linhas do Metrô são de diversos fornecedores, têm funcionamento nem sempre similar e vãos com dimensões variadas, como verificou o site neste final de semana.
Há desde estações onde as duas portas (trem e plataforma) estão quase rentes a paradas onde uma pessoa pode ficar com certo conforto entre elas.
A instalação de barras de proteção também é aleatória, talvez o maior indício que o assunto nunca foi tratado com a devida atenção por seus responsáveis.
