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Queda de passageira na estação Conceição teria sido evitada com as portas de plataforma

Projeto que previa equipar as linhas 1, 2 e 3 com as PSDs foi rescindido após problemas com fornecedor
Trem estacionado na plataforma: risco de contato com terceiro trilho é um dos perigos de cair na via (CMSP)
Trem estacionado na plataforma: risco de contato com terceiro trilho é um dos perigos de cair na via (CMSP)

O triste episódio com uma passageira que esperava um trem do metrô na estação Conceição, da Linha 1, e que foi jogada por outro passageiro na via pouco antes de uma composição passar nesta terça-feira (09) nos faz lembrar que esse problema poderia ter sido evitado caso as portas de plataforma, também conhecidas como PSDs ou portas segurança, estivessem instaladas no local.

Desta vez, por sorte, a usuária teve apenas ferimentos leves mas são mais comuns do que se imagina os casos de pessoas que são empurradas ou mesmo se atiram nas vias das linhas de trem e metrô de São Paulo. Obviamente, evitar esse tipo de atitude é extremamente difícil em alguns casos, mas o uso das portas de plataforma é um recurso complexo mas fundamental para reduzir essa possibilidade.

No caso específico da Linha 1-Azul, um contrato assinado em abril de 2009 previa a implantação do equipamento em 18 estações não só desta linha mas também das Linhas 2 e 3. Após vários atrasos e problemas com o consórcio Trends Poscon, responsável pelo trabalho, o Metrô decidiu suspender o contrato em 2011 com apenas uma estação concluída, Vila Matilde, da Linha Vermelha.

Os planos da empresa, no entanto, eram de implantar não só as PSDs como também o sistema de sinalização CBTC nas três linhas mais antigas, uma tecnologia que facilita o uso das portas. No fim, apenas a Linha 2 opera com ele e tem três estações equipadas com as PSDs.

Segundo o jornal O Estado de São Paulo, o Metrô revelou que está negociando com o BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento) um empréstimo para viabilizar a instalação das portas de plataforma nas linhas 1 e 3.

Segurança

Atualmente, apenas a Linha 4-Amarela, operada pela iniciativa privada, e a Linha 15-Prata, de monotrilho, possuem as portas de plataforma em todas as estações. Enquanto a Linha 2 tem apenas três estações e a Linha 3 uma, a Linha 1, onde ocorreu o acidente, não possui nenhuma em suas 23 estações.

Já a Linha 5-Lilás deverá ter o equipamento em todas as 17 estações. Porém, apenas uma, Adolfo Pinheiro, está operando com elas: a estação Brooklin está em fase final de montagem enquanto as demais estações do novo trecho ainda não receberam as peças. Numa segunda fase, as portas serão instaladas também nas seis paradas originais do ramal, inaugurado em 2002.

Além de evitar episódios como desta semana, as portas de segurança também contribuem para evitar atrasos na partida dos trens. Como fecham sincronizadas com as portas dos trens elas evitam que passageiros fiquem presos ou as segurem para permitir que outras pessoas entrem após o aviso de fechamento.

About the author

Ricardo Meier

É um entusiasta do assunto mobilidade e sobretudo do impacto positivo que o transporte sobre trilhos pode promover nas grandes cidades brasileiras. Também escreve nos sites Airway (aviação) e AUTOO (automóveis).

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