Rio confirma novo operador dos trens para substituir SuperVia
Consórcio Nova Via Mobilidade assume sistema dentro de 90 dias tendo um contrato de cinco anos garantido
O governo do Rio de Janeiro formalizou a troca de operador do sistema de trens urbanos da Região Metropolitana, em meio a anos de problemas operacionais e financeiros da SuperVia. O contrato com o consórcio Nova Via Mobilidade foi assinado na quinta-feira (12) e dá início a um período de transição de até 90 dias.
Durante essa fase, a operação será feita de forma assistida, com participação conjunta da antiga concessionária e do novo operador. A mudança ocorre após a homologação judicial do leilão que definiu o consórcio como responsável pelo serviço.
O novo contrato adota o modelo de permissão, com duração inicial de cinco anos e possibilidade de renovação por igual período. A substituição da SuperVia marca uma tentativa do governo estadual de reorganizar o sistema ferroviário, que transporta cerca de 300 mil passageiros por dia e vinha acumulando falhas e redução de demanda nos últimos anos.
Uma das principais mudanças está na forma de pagamento ao operador. Em vez de ser remunerada pelo número de passageiros transportados, a empresa passará a receber com base na quilometragem percorrida pelos trens dentro da grade operacional.
Segundo o governo, o modelo reduz a necessidade de revisões contratuais em cenários de queda de demanda e tende a dar mais previsibilidade financeira ao sistema. A lógica também permite que eventuais ganhos com aumento de passageiros sejam revertidos em melhorias.
Imagem aérea da Estação Central do Brasil, no Rio de Janeiro (Divulgação SuperVia)
O contrato prevê investimentos de mais de R$ 600 milhões ao longo dos cinco anos. Entre as intervenções previstas estão a substituição de trilhos, dormentes e postes, além da modernização da rede aérea e de sistemas elétricos.
Parte dessas ações já começou antes mesmo da assinatura do contrato. De acordo com o governo estadual, cerca de R$ 160 milhões foram aplicados desde o início do processo de transição, com impacto na redução de intervalos e tempos de viagem.
A reestruturação também inclui metas de desempenho e acompanhamento por auditoria independente, além de medidas voltadas à segurança. O estado avalia ampliar o atual Grupamento Ferroviário, com possibilidade de criação de uma unidade especializada em parceria com a Polícia Militar.
A troca de operador ocorre após a deterioração do modelo anterior de concessão, que levou à necessidade de intervenção e reconfiguração do sistema. A expectativa do governo é estabilizar a operação no curto prazo antes de avançar em melhorias mais estruturais ao longo do contrato.
