Tarcísio volta a afirmar que trem para Santos usará funicular de Paranapiacaba

Trem Intercidades para a Baixada Santista pode reativar sistema que foi fechado nos anos 70

Estruturas do funicular tornaram-se um museu
Estruturas do funicular tornaram-se um museu (Lima Marcos Antonio)

Durante a entrevista coletiva concedida na quarta-feira, 8, em meio à visita às obras do Trem Intercidades entre São Paulo e Campinas, o governador Tarcísio de Freitas voltou a afirmar que o serviço de média velocidade entre a capital e Santos poderá usar o Funicular, um sistema de contrapesos que foi usado até os anos 70 para levar composições entre o Planalto a Baixada Santista.

Se for confirmada, a opção fará o TIC Eixo Sul utilizar as vias por onde passa hoje a Linha 10-Turquesa até Rio Grande da Serra. De lá, o trem regional seguiria até Paranapiacaba, onde desceria a serra com uso do funicular.

“Talvez o caminho mais viável seja a reativação do funicular, algo que ficou abandonado lá atrás”, afirmou o governador que, segundo ele, esses aspectos serão resolvidos no ano que vem – Tarcísio é candidato à reeleição.

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Apesar disso, a Secretaria de Parcerias em Investimentos avalia também outras alternativas como uma descida paralela à Rodovia dos Imigrantes ou usar o caminho de Parelheiros até Itanhaém e de lá seguir pelo caminho da antiga ferrovia Santos-Cajati, mas o governador já sinalizou essas opções são complexas e caras.

O Funicular foi inaugurado em 1867 (Guilherme Gaensly)

Sistema implantado no século XIX

O funicular de Paranapiacaba foi construído no século XIX justamente para resolver esse mesmo problema logístico. Implantado pela São Paulo Railway e inaugurado em 1867, o sistema permitia que trens vencessem a Serra do Mar por meio de planos inclinados, utilizando cabos de aço e máquinas fixas.

Na prática, o funcionamento era semelhante ao de um elevador. Enquanto uma composição subia a serra, outra descia em sentido oposto, atuando como contrapeso. As duas eram conectadas por cabos, movimentados por máquinas instaladas em pontos intermediários chamados de patamares. Esse arranjo reduzia a necessidade de tração própria das locomotivas e permitia transportar cargas pesadas em um terreno de inclinação acentuada.

O primeiro sistema, conhecido como “Serra Velha”, tinha cerca de 8 km divididos em quatro planos inclinados. Já no fim do século XIX, com o aumento da demanda, foi construída uma segunda linha paralela, a “Serra Nova”, inaugurada em 1900, com 10,5 km de extensão e melhorias tecnológicas que ampliaram a capacidade de carga.

Funicular de Paranapiacaba (Paulo Carmona)

Esse segundo sistema introduziu um cabo contínuo e locomotivas especiais, chamadas de “locobreques”, que podiam se acoplar ao cabo durante a subida. A solução aumentou a eficiência operacional em relação ao modelo anterior.

O funicular foi desativado gradualmente a partir da década de 1970, quando entrou em operação o atual sistema de cremalheira-aderência construída num trajeto paralelo e que hoje é utilizado pela concessionária de carga MRS. Desde então, a antiga estrutura ficou abandonada, com parte do traçado tomada pela vegetação e deteriorada pelo tempo.

No cronograma da Secretaria de Parcerias em Investimentos, o TIC Eixo Sul tem audiência pública prevista para o primeiro semestre de 2027 com edital e leilão na segunda parte do ano que vem. O contrato pode ser assinado em 2028.