Tatuzão Hebe da Linha 2-Verde será ‘alimentado’ por três bases durante escavação até Guarulhos
Tuneladora deve começar a escavar na próxima semana e terá estrutura de apoio transferida de Penha para Penha de França e depois para o VSE São Pedro
A tuneladora Hebe Camargo, que abrirá os túneis da Linha 2-Verde entre Penha e Guarulhos, terá uma operação diferente daquela normalmente associada aos grandes “tatuzões”. Em vez de utilizar o mesmo poço durante toda a escavação para receber os anéis de concreto e retirar a terra escavada, a máquina terá três pontos sucessivos de apoio ao longo de seu percurso.
A informação foi revelada pela CRASA, integrante do consórcio responsável pelo trecho, ao apresentar os equipamentos instalados inicialmente na futura Estação Penha. Segundo a empresa, as estruturas de movimentação de cargas terão de atender, em sequência, Penha, Penha de França e o VSE São Pedro.
A mudança está relacionada ao próprio cronograma das obras. Penha não poderá permanecer ocupada durante toda a passagem da Hebe Camargo porque a estação precisa avançar para ser entregue em 2028. Com isso, à medida que o tatuzão se afastar, o abastecimento de aduelas e a retirada do material escavado serão transferidos para outros poços.
Segundo apuração do MetrôCPTM, a Hebe Camargo deverá iniciar a escavação na próxima semana. A máquina partirá de Penha em direção a Guarulhos, abrindo os túneis da extensão da Linha 2-Verde.
Penha vive situação peculiar neste momento porque também serve de apoio para a outra tuneladora utilizada na expansão, a Cora Coralina. Ela escava o trecho no sentido Vila Prudente e deverá concluir sua atividade ainda em 2026 ou, no máximo, no início de 2027, liberando progressivamente a área para as demais etapas da estação.
Módulos de back-up do tatuzão Hebe Camargo (Reprodução)
Pórticos acompanham mudança dos poços
A CRASA também revelou detalhes dos equipamentos que permitirão essa operação itinerante. Dois grandes pórticos foram dimensionados para trabalhar nos diferentes pontos de apoio da Hebe Camargo.
O maior tem capacidade para 60 toneladas e será usado para içar as vagonetas carregadas com o material retirado pela tuneladora. Ele possui vão de 39,94 metros, ampliado para vencer o diâmetro do poço de Penha de França, e 19 metros de altura estrutural. A altura útil de elevação chega a 57 metros, com velocidade de 25 metros por minuto.
O segundo pórtico, de 35 toneladas, faz o caminho inverso: desce para o túnel as aduelas de concreto que formam os anéis instalados atrás da tuneladora conforme ela escava. Sua capacidade de içamento foi preparada para alcançar 64 metros de profundidade, contra 40 metros previstos originalmente.
Essas dimensões foram definidas justamente pelo ponto mais exigente entre os três locais. Assim, os mesmos equipamentos poderão ser desmontados e utilizados novamente conforme a retaguarda da Hebe Camargo passar de Penha para Penha de França e, posteriormente, para o VSE São Pedro.
Hebe Camargo será responsável pelo trecho da expansão da Linha 2-Verde que seguirá de Penha em direção a Guarulhos. A estratégia permite que as obras das estações avancem atrás da tuneladora, em vez de manter Penha ocupada como centro logístico até o fim de toda a escavação.
Roda de corte da tuneladora Hebe Camargo (Primax)
