Tatuzão Cora Coralina chega ao VSE Júlio Colaço a caminho da estação Guilherme Giorgi

Tuneladora da Linha 2-Verde percorreu 1,1 km desde a Penha e ainda tem pela frente mais duas estações

Tuneladora Cora Coralina no VSE Julio Colaço
Tuneladora Cora Coralina no VSE Julio Colaço (Metrô de São Paulo)

A tuneladora Cora Coralina chegou na quarta-feira (30) ao VSE Júlio Colaço, estrutura localizada entre as futuras estações Aricanduva e Guilherme Giorgi da expansão da Linha 2-Verde do Metrô.

Imagens divulgadas pelo Metrô de São Paulo mostram a roda de corte rompendo a parede do poço no dia 30 de setembro. Nesta quinta-feira (1º), a máquina já havia avançado para dentro da estrutura, que está semipreenchida com um material necessário para estabilizar o local.

O VSE Júlio Colaço é a primeira estrutura alcançada pela tuneladora depois de Aricanduva. A próxima será a futura Estação Guilherme Giorgi, antes de Cora seguir para Santa Isabel e, posteriormente, para o Complexo Rapadura, onde terminará sua atual jornada.

Sete imóveis terão moradores retirados temporariamente

A passagem da tuneladora pelo próximo trecho também exigirá a retirada temporária dos moradores de sete imóveis próximos ao trajeto, segundo o Metrô.

A companhia afirma que a medida é preventiva e foi definida a partir de critérios técnicos de segurança. Os moradores serão hospedados temporariamente com os custos pagos pelas obras e poderão retornar aos imóveis após a passagem da máquina.

Poço estava parcialmente coberto com uma massa de estabilização (Metrô de São Paulo)

O Metrô não informou por quanto tempo será necessário manter as residências desocupadas, afirmando apenas que a medida terá curta duração. Durante a operação, haverá atendimento 24 horas aos moradores por telefone, WhatsApp e e-mail.

A condição delicada sugere que o solo na região não é estável suficiente para garantir a passagem da tuneladora sem algum tipo de impacto na superfície, por isso, a medida é necessária – em outras escavações de tatuzões sempre ocorreram algum tipo de deslocamento de terra.

Cora percorreu 1,1 km desde Penha

Segundo o Metrô, a Cora Coralina percorreu 1.105 metros desde que deixou a Estação Penha, no final de dezembro de 2025. Parte dessa distância, porém, não corresponde a túnel escavado.

Após chegar à Estação Aricanduva em 13 de abril, o tatuzão precisou atravessar cerca de 170 metros da estrutura já aberta. Nesse trecho, a máquina foi arrastada até a outra extremidade da estação antes de voltar a escavar em direção a Guilherme Giorgi.

A retomada da escavação ocorreu em julho. Antes de seguir viagem, foi necessário preparar a passagem sob o Córrego Aricanduva, onde existem dois coletores de esgoto da Sabesp e outras interferências no subsolo.

A travessia exigiu medidas adicionais de proteção e monitoramento do terreno, do canal, dos coletores e de um gasoduto da Comgás.

Cerca de 620 anéis instalados

O Metrô informou também que 1.115 anéis de concreto teriam sido instalados desde a Penha, mas o número parece estar incorreto.

Cada anel montado pela tuneladora corresponde a aproximadamente 1,5 metro de túnel revestido. Descontados dos 1.105 metros percorridos os cerca de 170 metros atravessados dentro da Estação Aricanduva, a Cora teria escavado aproximadamente 935 metros.

Tatuzão Cora Coralina quando ainda deixava Aricanduva (iTechdrones)

Essa distância corresponde a cerca de 623 anéis, valor compatível com as informações anteriores divulgadas pelo próprio Metrô. Poucos dias antes da chegada ao VSE Júlio Colaço, a companhia havia informado que 598 anéis tinham sido instalados.

A diferença seria, portanto, de aproximadamente 25 anéis, ou 38 metros de escavação, até a chegada ao poço. O MetrôCPTM estima, assim, que a Cora Coralina tenha instalado pouco mais de 620 anéis desde sua partida da Penha.