Trem Intercidades seguirá contemplado mesmo com avanço do Ferroanel, diz ministro
George Santoro afirmou que projeto ferroviário para Campinas terá solução garantida enquanto governo federal avança com nova concessão da Malha Oeste
O ministro dos Transportes, George Santoro, afirmou que o Trem Intercidades (TIC) Eixo Norte não será prejudicado pelos planos do governo federal de retomar o projeto do Ferroanel de São Paulo. Em entrevista à Agência iNFRA, o ministro declarou nesta semana que o objetivo é encontrar uma solução que contemple simultaneamente o transporte de passageiros e a logística ferroviária de cargas no estado.
“Pelo contrário, damos solução para o TIC em todas as alternativas. O que queremos é uma solução completa”, afirmou Santoro.
A declaração ocorre em meio às discussões sobre a nova concessão da Malha Oeste, ferrovia de carga atualmente operada pela Rumo e que liga Corumbá (MS) ao interior paulista.
O tema tem impacto direto sobre projetos ferroviários em São Paulo porque parte das obras previstas para o TIC Eixo Norte depende de intervenções na infraestrutura compartilhada com a MRS entre Jundiaí e a capital. Atualmente, a concessionária de carga possui obrigações relacionadas à segregação de vias para permitir a ampliação da capacidade ferroviária e a futura circulação do trem regional até a estação Água Branca.
Segundo o ministro, porém, o avanço do Ferroanel não significaria o abandono dessas intervenções.
Layout conceitual do futuro trem empregado no TIC Campinas (Divulgação)
Nova concessão exigirá projeto do Ferroanel
O projeto aprovado pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) prevê que o futuro concessionário da Malha Oeste seja obrigado a elaborar o projeto executivo do Ferroanel em até dois anos.
A exigência valerá independentemente do trecho que for concedido. O governo pretende oferecer três alternativas ao mercado, variando entre um corredor mais extenso, de Corumbá até Mairinque, e um trecho menor, limitado a Três Lagoas (MS).
O Ferroanel é uma antiga proposta para criar um contorno ferroviário na Região Metropolitana de São Paulo, permitindo que trens de carga deixem de atravessar áreas urbanas densamente ocupadas para acessar o Porto de Santos e outros destinos.
Atualmente, grande parte desse tráfego passa por corredores compartilhados com serviços metropolitanos de passageiros.
A única possibilidade de o futuro concessionário da Malha Oeste não assumir o empreendimento seria uma eventual transferência da responsabilidade para a MRS, mediante reequilíbrio contratual.
Impacto pode ir além do TIC Campinas
A discussão sobre o Ferroanel ganhou força após Santoro indicar que o projeto oferece uma solução mais ampla para a logística ferroviária paulista do que a simples segregação de vias atualmente prevista.
Enquanto a segregação atende principalmente o TIC Eixo Norte e a operação metropolitana, o Ferroanel poderia criar um novo corredor para o transporte de cargas entre o Centro-Oeste e os portos do Sudeste, reduzindo a circulação de composições cargueiras dentro da capital.
TIC depende da segregação (Jean Carlos)
O tema também dialoga com futuros projetos ferroviários de passageiros. O governo estadual estuda a implantação do TIC Eixo Sul para a Baixada Santista e o governador Tarcísio de Freitas tem citado a reativação do sistema funicular de Paranapiacaba como a alternativa mais viável para vencer a Serra do Mar.
Embora ainda esteja em fase preliminar, o projeto reforça a importância de uma reorganização mais ampla da malha ferroviária paulista, tanto para passageiros quanto para cargas.
O próximo passo da nova concessão da Malha Oeste será a análise do projeto pelo Tribunal de Contas da União (TCU), etapa necessária antes da publicação do edital e realização do leilão.
