Governo Lula quer que MRS implante o Ferroanel no lugar da segregação de trilhos em SP
Ministro dos Transportes sugere que custo extra de R$ 3 bilhões resolveria gargalo logístico e liberaria vias dentro da capital para trens de passageiros
Projeto esquecido no passado, o Ferroanel pode voltar a ser considerado, ao menos de acordo com planos do governo federal. O Ministro dos Transportes, George Santoro, do governo Lula, revelou à Revista Exame, que a ideia será proposta à MRS, concessionária de carga que hoje é responsável pela faixa de domínio que corta a cidade de São Paulo e região metropolitana.
Santoro afirmou que o acordo assinado entre o governo anterior e a MRS para realizar a segregação parcial dos trilhos e assim permitir a expansão do serviço de passageiros pode ser revisto com a inclusão do Ferroanel como uma nova meta.
“Estamos tratando com a MRS a troca de uma obrigação de fazer a segregação da malha para o TIC (Eixo Norte) pelo Ferroanel”, disse o Ministro.
Segundo ele, o custo do Ferroanel deve ficar entre R$ 6 bilhões e R$ 6,5 bilhões enquanto a segregação é estimada em R$ 3 bilhões. Apesar disso, a vantagem seria retirar todo o tráfego de passagem de trens de carga dentro de São Paulo e com isso permitir um uso mais extensivo de serviços de passageiros.
Projeto do Ferroanel foi proposto anos atrás (Governo federal)
Santoro apontou ainda que o Rodoanel Norte, que está em implantação, teve o projeto previsto para acomodar o Ferroanel em paralelo, o que reduziria a necessidade de investimentos.
“Eu tiro completamente a carga [trens de carga] de dentro de São Paulo, libero o estado para melhorar e desenvolver os trens de passageiros, dou a possibilidade de conexão da Malha Oeste com a Malha Paulista, com a Malha da MRS e também com o projeto que estamos licitando, que é o Arco Ferroviário do Sudeste”, completou.
Implicações para o TIC até Campinas
A proposta do governo Lula afetaria o trecho final do Trem Intercidades Eixo Norte (São Paulo-Campinas) já que o Ferroanel em seu formato original previa uma ligação na região de Perus, na zona norte da capital.
Ou seja, seria preciso que a segregação da MRS ainda ocorresse até a futura estação Água Branca a fim de não prejudicar o cronograma estabelecido entre o governo do estado, a TIC Trens e a própria concessionária de carga.
O site enviou questionamento para a Secretaria de Parcerias em Investimentos, do governo Tarcísio de Freitas, e atualizará o artigo com uma eventual resposta.
As estações Água Branca da Linha 7 e Linha 6 (direita). No alto à esquerda, terreno do governo federal (Reprodução/TV Globo)

Agora que o ministro resolveu trabalhar faltando 5 meses para acabar o mandato.
O governo Lula só chegou uns 15 anos atrasado com essa proposta.
O Rodoanel Norte não prevê mais espaço para o Ferroanel desde 2016.
Uma alternativa seria Ferroanel Norte seguir paralelo a Rodovia Dom Pedro I (Campinas – Jacareí) e parte do antigo ramal Bragantina (Várzea Paulista – Piracaia) que foi erradicada nos anos 60, pois por ser mais ao norte evitaria passar pela Serra da Cantareira e minimizaria os impactos ambientais além de atender logisticamente a região de Atibaia que possui muitos CDs (Centros de Distribuição) além de ser ligado a rodovia Fernão Dias permitindo a integração multimodal de cargas e ao chegar em Jacareí se ligaria a variante do Parateí evitando passar pelo centro de São Paulo evitando os trens metropolitanos e liberando mais vias para o TIC Campinas.
Acho uma boa sugestão.
Se não me engano, foi o Doria e o Tarcísio, então Ministro dos Transportes, que enterraram o Ferroanel
Acho difícil o Tarcísio de Freitas, então Ministro da Infraestrutura, defensor do transporte ferroviário, enterrar um projeto desse.
Pesquisando, encontrei esse trecho no Wikipedia: “Em julho de 2018, o presidente Michel Temer anunciou a vinculação da construção do trecho do Ferroanel Norte a concessionária MRS Logística, como contrapartida ao pagamento do Valor de Outorga pela prorrogação antecipada do contrato de concessão da sua malha, por mais 30 anos, baseado nos termos da Lei 13.448 de 2017. A MRS terá o prazo de até cinco anos para concluir a ferrovia.”
Segundo essa informação, a MRS deveria ter inaugurado o Ferroanel Norte em 2023, já que teve sua concessão prolongada por mais 30 anos.
Fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki/Contorno_Ferrovi%C3%A1rio_da_Regi%C3%A3o_Metropolitana_de_S%C3%A3o_Paulo
https://diariodotransporte.com.br/2022/08/05/ferroanel-e-trocado-por-trem-intercidades-apesar-de-promessas-de-doria-e-tarcisio/
Como isso ainda está no campo das ideias, sugiro que também sejam incluidos projetos de pátios intermodais de cargas nos locais em que a ferrovia cruza com as princioais rodovias de de acesso à São Paulo.
Seriam portos-secos para conteineres, peças, insumos e produtos acabados, visando um futuro em que as nossas ferrovias de carga transportem bem mais coisas do que apenas matérias-primas de exportação.
Vamos lembrar que houve um acordo entre governo estadual e união a respeito do ferroanel. Quem desfez esse acordo foi justamente Tarcísio de Freitas, então ministro da infraestrutura do governo Bolsonaro, na renovação da concessão da MRS.
Inclusive vários acordos de renovação de concessão foram revistos pelo TCU por estarem abaixo do valor esperado. E há quem diga que Tarcísio é o cara que entrega alguma coisa….
https://diariodotransporte.com.br/2022/08/05/ferroanel-e-trocado-por-trem-intercidades-apesar-de-promessas-de-doria-e-tarcisio/
Agosto de 2022, o Tarcísio já tinha saído do ministério de infraestrutura. Certamente foi o Rodrigo Garcia que inventou essa história, achando que iria ganhar a eleição.
Que se mude o projeto enquanto há tempo.
Uma alternativa para a construção do Ferroanel Norte seria ela seguir paralelo a Rodovia Dom Pedro I (Campinas – Jacareí) e parte do antigo ramal Bragantina (Várzea Paulista – Piracaia) que foi erradicada nos anos 60, pois por ser mais ao norte evitaria passar pela Serra da Cantareira e minimizaria os impactos ambientais além de atender logisticamente a região de Atibaia que possui muitos CDs (Centros de Distribuição) além de ser ligado a rodovia Fernão Dias permitindo a integração multimodal de cargas e ao chegar em Jacareí se ligaria a variante do Parateí evitando passar pelo centro de São Paulo evitando os trens metropolitanos e liberando mais vias para o TIC Campinas.
Pena que não pensaram nisto antes.
Finalmente alguém trouxe esse projeto de volta, querem tanto meter trem no leito já existente mas n querem tirar os trens de carga q são o maior motivo pela falta de melhora
Gozado que não seria um “ferroanel” porque não circundaria a Grande São Paulo (apesar da ligação na baixada, ela não funciona como fechamento de circulo. Seria um “arco ferroviário” na verdade.
E ótimos comentários da turma aí. Toda vez que puseram a ideia de anexar o ferroanel com o rodoanel, a turma do Estado (incluso Alckmin/Serra, pq boa parte veio da época deles) acabava relevando e não cobrando a instalação. O que provavelmente seria mais custoso até no caso era as pontes que atravessariam o sistema de represas (Billings / Guarapiranga).
O Rodoanel Norte literalmente corta boa parte da Serra, então qualquer implementação extra como uma ferrovia anexa seria bem problemática para colocar agora já que as obras (aparentemente) estão em conclusão depois de duas décadas.
A segregação ferroviária em São Paulo nem tem mais como devido a densidade de ocupação da cidade.
Achar uma solução prática deveria ser uma obrigação para ser posta nos futuros planos de governo de quem for concorrer a governador, diga-se.
Na verdade, pegando-se aquilo que já existe, faltam somente os arcos Norte e Sul do que seria o Ferroanel da Grande São Paulo.
Pelo oeste da Grande SP já temos o trecho Mairinque-Evangelista de Souza, e pelo Leste a ligação Rio Grande da Serra-Suzano. Sendo que de Suzano até Manoel Feio a via de carga já está segregadas.
Pelo sul não seria tão complexo de se fazer uma ligação entre Evangelista de Souza e Rio Grande da Serra. O traçado passaria ao sul da represa Guarapiranga, aproveitaria o traçado da ligação Anchieta-Imigrantes, e prosseguiria pelo sul da represa Billings até Rio Grande da Serra.
Restaria então o maior desafio de engenharia, que é fechar o “circulo” pelo norte.
agora o governo federal quer da ideia no final do mandato após quase 20 anos no poder só para os eleitores
O Tarcísio mencionou explicitamente nos debates a construção do “Ferroanel entre Perus e Manoel Feio”, podem procurar nos arquivos da época. Tanto que o contrato foi assinado pelo ministro provisório de infraestrutura.
A segregação da MRS é inviável, exigiria dar bulldoze em todas as estações do trecho e ainda deixaria de fora o coração que é o Lapa – Brás. Seja lá como as partes vão dividir os custos, mas que venha o Ferroanel.