Veja como as linhas 2–Verde e 16–Violeta se conectarão na Estação Anália Franco
Projeto prevê ligação entre as duas linhas que serão vizinhas; integração deve entrar em operação por volta de 2035, caso o cronograma seja mantido
A Zona Leste de São Paulo deve ganhar, na próxima década, um novo ponto de integração no mapa metroviário. A futura Estação Anália Franco da Linha 16–Violeta será conectada à estação homônima da Linha 2–Verde, atualmente em obras. A integração foi prevista desde o início do projeto da Linha 2, com a estrutura da estação já preparada para receber a nova linha em um nível inferior.
Na prática, a Linha 2–Verde passará sobre a Linha 16–Violeta. A conexão entre ambas será feita internamente, por meio dos mezaninos e circulações verticais da estação. O passageiro poderá trocar de linha sem sair para a superfície, em um sistema semelhante ao que já ocorre nas estações Consolação–Paulista e Paraíso.
A solução foi desenhada para evitar cruzamentos de fluxos e gargalos, garantindo maior fluidez na circulação e melhor desempenho operacional nos horários de pico.
O governo divulgou informações sobre a estação no anteprojeto de arquitetura, que descreve como Anália Franco deverá ser. Confira:
A estação Anália Franco da Linha 16 será vizinha da parada da Linha 2 (SPI)
Localização e entorno
A Estação Anália Franco da Linha 16 será implantada entre as avenidas Vereador Abel Ferreira, Monte Magno e a Rua Jorge Bittar, no coração do Jardim Anália Franco — área de adensamento residencial e comercial de médio e alto padrão. O entorno reúne escolas, hospitais, edifícios residenciais e o Shopping Anália Franco, que concentra boa parte da demanda por transporte coletivo qualificado.
A região tem boa infraestrutura viária, mas sofre com saturação do trânsito, especialmente nas avenidas Abel Ferreira e Regente Feijó. Por isso, a chegada de uma segunda linha de metrô deve ter impacto direto na mobilidade local.
Totalmente subterrânea, a estação da Linha 16 será construída pelo método NATM, o mesmo utilizado em trechos das Linhas 4–Amarela e 6–Laranja. O acesso principal ficará na esquina das avenidas Abel Ferreira e Montemagno, com bilheterias e bloqueios no nível térreo.
Do hall, os passageiros descerão por dois grandes poços de 34 metros de diâmetro, que concentrarão escadas rolantes e elevadores. A descida ocorrerá em quatro níveis até o mezanino inferior, ponto central da circulação e ligação com as plataformas.
A estação Anália Franco da Linha 16 (direita) terá dois poços circulares. À esquerda, a área sob a Linha 2 (SPI)
Plataformas e edifício técnico
A estação terá duas plataformas laterais, com 6 metros de largura e 132 metros de comprimento, dimensionadas para trens de seis carros. O sistema de circulação incluirá 13 escadas rolantes, 3 elevadores e 22 escadas fixas, projetadas para atender à demanda prevista até 2040.
O projeto segue parâmetros de conforto (1,5 passageiro/m² em condições normais) e segurança (3,6 passageiros/m² em contingência), com escadas e rotas de fuga independentes em cada plataforma. Todos os níveis terão acessibilidade universal, com elevadores conectando o acesso, mezanino e plataformas.
Um edifício técnico será construído junto à estação, com entrada pela Avenida Abel Ferreira. Ali ficarão as instalações de apoio, como transformadores, grupos geradores, sistemas de ventilação e salas de controle elétrico. Esse prédio também abrigará escadas técnicas e áreas de emergência.
Extensão até Cidade Tiradentes será a Fase 2 da Linha 16-Violeta.
Ligação apenas em 2035
A Estação Anália Franco fará parte da primeira fase da Linha 16–Violeta, prevista para ligar Teodoro Sampaio (em Pinheiros) a Abel Ferreira (na zona leste), com cerca de 19 km de extensão e 16 estações.
O projeto está atualmente em consulta pública até o início de novembro, e o governo estadual, por meio da Secretaria de Parcerias em Investimentos, já realizou duas audiências públicas sobre o tema.
O plano prevê a publicação do edital no primeiro trimestre de 2026 e o leilão no segundo trimestre, quando a concessão deverá ser oferecida à iniciativa privada para construção e operação da linha. O contrato terá 31 anos de duração, sendo oito anos para obras civis e implantação.
Se o cronograma for mantido, a primeira fase da Linha 16 poderá entrar em operação por volta de 2035, tornando possível a esperada integração entre as Linhas 2 e 16 na Estação Anália Franco — um marco que, por enquanto, ainda depende do avanço efetivo do projeto e da futura concessão.
