VLT do Rio completa 10 anos após introduzir conceito inédito de transporte urbano no país

Sistema inaugurado em 2016 transporta atualmente cerca de 95 mil passageiros por dia e soma 30 paradas na região central da capital fluminense

VLT Carioca
VLT Carioca (Alstom)

VLT Carioca completou dez anos de operação neste mês após se tornar um dos projetos de transporte urbano mais peculiares implantados no Brasil nas últimas décadas. Inaugurado em junho de 2016, o sistema surgiu dentro das intervenções realizadas na região central e portuária do Rio de Janeiro para os Jogos Olímpicos, ocupando uma área que passou por forte reurbanização após a demolição do Elevado da Perimetral.

Na época, a escolha por um Veículo Leve sobre Trilhos não era comum no país. Havia projetos semelhantes em operação ou implantação em cidades do Nordeste, mas geralmente utilizando infraestrutura ferroviária existente e características mais próximas de trens metropolitanos. O VLT carioca seguiu um conceito diferente, inspirado em sistemas modernos implantados em diversas cidades europeias.

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Uma das principais características foi a adoção da tecnologia APS (Alimentação Pelo Solo), fornecida pela Alstom. Em vez de receber energia por meio de fios suspensos, os veículos captam eletricidade através de segmentos instalados entre os trilhos. A solução permitiu preservar a paisagem urbana de áreas históricas do centro da cidade sem a instalação de redes aéreas de alimentação.

Outro aspecto incomum para padrões brasileiros foi o modelo operacional. A cobrança da tarifa ocorre dentro dos veículos e não por meio de bloqueios físicos nas estações. Além disso, os trens circulam em meio ao tráfego urbano, compartilhando espaço com automóveis, ciclistas e pedestres em boa parte do percurso.

Terminal Gentileza e trem do VLT (Divulgação VLT Carioca)

Essa convivência gerou dúvidas durante a implantação do sistema. A operação exigiu adaptações tanto dos motoristas quanto dos próprios pedestres, pouco acostumados à presença de veículos sobre trilhos circulando em vias abertas.

A primeira etapa do VLT entrou em operação em 5 de junho de 2016. Ao longo dos anos seguintes foram inauguradas as linhas 2 e 3, enquanto a expansão mais recente ocorreu em 2024 com a chegada ao Terminal Intermodal Gentileza, que motivou a criação da Linha 4.

Hoje o sistema possui quatro linhas, 30 paradas e uma frota de 32 veículos Citadis fabricados pela Alstom. Cada composição tem 44 metros de comprimento e capacidade para até 420 passageiros. Segundo a fabricante, o VLT já transportou cerca de 180 milhões de usuários desde sua inauguração e atualmente atende aproximadamente 95 mil passageiros por dia.

VLT do Rio (Fernando Frazão/Agência Brasil)

O desempenho do sistema acabou contrariando parte do ceticismo inicial sobre sua implantação. Em vez de permanecer limitado ao traçado original, o VLT foi ampliado e passou a ocupar um papel relevante nos deslocamentos pelo centro da cidade. O resultado contrasta com outros projetos de mobilidade implantados no Rio no mesmo período, como corredores de BRT que enfrentaram degradação operacional ao longo dos anos.

A experiência carioca também influenciou discussões em outras cidades. Em São Paulo, chegou a ser estudada a implantação de um VLT de características semelhantes na região central. O projeto, porém, foi posteriormente reformulado pela prefeitura, que passou a defender a utilização de um corredor de ônibus com sistemas digitais de orientação e controle operacional, batizado de VLE (Veículo Leve sobre Eixos).

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Jurandir C.
Jurandir C.
2 horas atrás

Aprende a trabalhar Ricardo Nunes! É disso que o centro de SP precisa! ônibus já tem aos montes!

Santiago
Santiago
1 minuto atrás

Parabéns ao Rio de Janeiro pelo VLT!
Em minhas viagens ao Rio já o utizei, e é nota 1000!