Acciona posiciona pátio da Linha 16-Violeta ao lado da Linha 6-Laranja

Projeto referencial feito a pedido do governo do estado também sugere partida de dois tatuzões da mesma região

Linha 16-Violeta
Linha 16-Violeta

O governo do estado de São Paulo realiza nesta semana as audiências públicas que discutirão o projeto da Linha 16-Violeta de metrô. O projeto, que na sua fase inicial, terá cerca de 19 km e 16 estações, foi desenvolvido pela construtora Acciona, que recebeu pouco mais de R$ 42 milhões para aprofundar os estudos.

A escolha da empresa espanhola ocorreu por iniciativa da própria que há pouco mais de um ano abriu uma Manifestação de Interesse Privado (MIP) pelo ramal.

O interesse da Acciona não traz qualquer segredo já que a Linha 16 tem um enorme potencial de sinergia com a Linha 6-Laranja, sob responsabilidade da concessionária Linha Uni (na qual a construtora tem grande participação).

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A ideia é que as duas linhas possam de alguma forma operar de forma muito próxima, criando assim um enorme ramal metroviário, ainda que sob dois contratos diferentes.

Um sinal disso ficou claro com a publicação de documentos que serão avaliados em virtude das audiências públicas e a consulta pública, aberta nesta segunda-feira, 6. Trata-se do Complexo São Carlos, local onde a Acciona sugere implantar o pátio de manutenção, Centro de Controle Operacional e outros serviços da Linha 16.

O complexo São Carlos, da Linha 16-Violeta e a Vala Henry Ford, de onde partirão os tatuzões (GESP)

Ele fica ao lado da estação de mesmo nome e que fará conexão com a Linha 10-Turquesa e a própria Linha 6-Laranja. Como a infraestrutura das linhas 6 e 16 será muito similar, não será surpresa se o complexo acabe se tornando um ponto de conexão futura – caso, obviamente, a Acciona sagre-se vencedora da licitação.

No projeto idealizado pela empresa, o pátio será implantado a partir do Viaduto São Carlos, ocupantes galpões que ficam na Avenida Henry Ford. Suas vias serão paralelas aos trilhos da Linha 10-Turquesa, da CPTM, e dos trens de carga da MRS.

Por isso, o acesso das vias operacionais até a área de manutenção exigirá um complexo esquema de túneis singelos e uma rampa escavada em vala com 335 metros de extensão. Isso porque a Linha 16 cruzará por baixo do pátio na perpendicular.

O esquema de acesso ao pátio São Carlos, que ficará na superfície (GESP)

Os trens que vierem de Teodoro Sampaio entrarão num túnel singelo à direita e então seguirá para sudestes para então fazerem uma curva de 180º em subida, passando por cima da Linha 16. Ali ele encontrará a via de saída oriunda da região leste, passando a percorrer um túnel duplo que faz mais uma curva à esquerda para apontar para a entrada do pátio.

A Acciona também escolheu essa região para a partida das duas tuneladoras que escavarão o subsolo do ramal, uma em direção à Teodoro Sampaio e outra até pelo menos Abel Ferreira. É um esquema similar ao da Linha 6, já conhecida pela construtora. A diferença é que aqui o pátio fica ao lado do ponto de partida, o que em tese permitiria a abertura parcial da Linha 16 em menor tempo.

Vale lembrar que a Linha Uni está em negociação para levar a Linha 6-Laranja até a estação São Carlos, com mais quatro estações após São Joaquim. Com a Linha 16 ao seu lado, formaria-se então uma mega linha em formarto de “Y” e que deve usufruir do mesmo tipo de infraestrutura.

Não é por menos que a Acciona demonstra interesse no projeto. Além do mútuo benefício entre os dois ramais, a construtura possui funcionários e equipamentos mobilizados, incluindo os dois tatuzões que trabalharam na Linha 6.

Resta saber se isso será suficiente para vencer o leilão, previsto para o segundo trimestre de 2026.

Tatuzão Sul escavando a céu aberto (Redes sociais)