Aeromovel de Porto Alegre será reconstruído com equipamentos elevados após enchente
Trensurb assinou primeiro contrato de R$ 9,95 milhões e agora prevê investir cerca de R$ 40 milhões para recuperar sistema parado desde maio de 2024
A reconstrução do Aeromovel do Aeroporto de Porto Alegre vai incluir uma mudança importante em relação ao projeto original. Parte dos equipamentos será instalada em uma cota mais elevada para reduzir o risco de uma nova inundação, depois que duas salas técnicas foram alagadas durante as enchentes de maio de 2024.
A medida foi confirmada pela Trensurb nesta quarta-feira (23), quando a estatal assinou a Ordem de Início dos serviços de recuperação do sistema. O Aeromovel está sem operar há mais de dois anos e liga a Estação Aeroporto ao Terminal 1 do Aeroporto Internacional Salgado Filho.
Segundo a Trensurb, a reconstrução prevê a recomposição dos equipamentos de propulsão, controle, comunicação, eletrificação e geração de energia, além da reforma das salas técnicas e da elevação de equipamentos.
A alteração reconhece uma vulnerabilidade das instalações existentes. Durante a enchente, a água chegou a 1,48 metro na sala técnica localizada no Terminal 1 e a 1,18 metro na instalação junto à Estação Aeroporto, provocando danos aos sistemas responsáveis pela operação do Aeromovel.
Primeiro contrato custará R$ 9,95 milhões
A Ordem de Início assinada nesta semana corresponde a um contrato de R$ 9,95 milhões com a Aerom Sistemas de Transporte, detentora da tecnologia empregada no Aeromovel.
A contratação foi realizada por inexigibilidade e abrange inicialmente os projetos específicos da tecnologia. Esses trabalhos servirão de base para as aquisições e contratações das demais etapas da reconstrução.
Com isso, fica mais claro o plano para recuperar o sistema. No primeiro semestre, a Trensurb trabalhava com uma estimativa de R$ 38,7 milhões e prazo entre oito e 12 meses, mas ainda não havia iniciado os serviços.
O Aeromóvel de Porto Alegre, primeiro people mover brasileiro
Agora, o investimento global é estimado em cerca de R$ 40 milhões, com recursos do Novo PAC, enquanto o prazo indicado pela estatal passou a ser de 12 meses a partir da Ordem de Início. Se cumprido, o cronograma levará os trabalhos até setembro de 2027.
Problemas começaram antes da enchente
A inundação interrompeu completamente o Aeromovel em 3 de maio de 2024, mas o sistema já enfrentava problemas de disponibilidade antes do desastre.
A linha conta com apenas dois veículos, o A100, com capacidade para 150 passageiros, e o A200, para 300. O maior deles ficou cerca de cinco anos fora de operação a partir de 2017, após apresentar problemas nas portas e no sistema de comunicação com a estação.
A recuperação também enfrentou dificuldades com a disponibilidade de componentes. Em 2020, a Trensurb informou que aguardava peças necessárias para o reparo e ainda não tinha previsão para recebê-las.
O A200 voltou a circular apenas em 2022, depois de uma intervenção de R$ 2,29 milhões realizada pela Aeromovel Brasil. Os trabalhos incluíram manutenção e substituição de componentes, além de atualizações em sistemas como suspensão, portas, freios e placas de propulsão.
Inaugurado em 2013, o Aeromovel percorre 814 metros entre a Estação Aeroporto da Trensurb e o Terminal 1. A operação comercial começou em maio de 2014.
A tecnologia utiliza veículos sem motores de tração a bordo. Ventiladores movimentam o ar dentro de um duto incorporado à via e impulsionam uma placa ligada ao veículo. Uma geração mais recente da tecnologia é utilizada no AeroGRU, sistema que iniciou a operação assistida no Aeroporto Internacional de Guarulhos em dezembro de 2025.
