Artesp cobra Next sobre novos atrasos na obra do BRT ABC

Agência determina reforço imediato de equipes e revisão do planejamento do corredor de ônibus que substituiu a Linha 18-Bronze e segue em suspense há sete anos

Obras do BRT ABC
Obras do BRT ABC (iTechdrones)

A Agência Reguladora de Serviços Públicos Delegados de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp) intensificou a cobrança sobre a Next Mobilidade, concessionária responsável pela implantação do corredor de ônibus BRT ABC, diante dos atrasos acumulados nas obras do sistema. Em deliberação aprovada na terça-feira (3) e publicada no Diário Oficial nesta quinta-feira (5), a agência determinou uma série de medidas para tentar recompor o ritmo de execução do projeto, que se aproxima de sete anos sem conclusão.

O BRT ABC foi proposto pela então Metra em 2019, durante o governo João Doria, como alternativa à Linha 18-Bronze de metrô, que acabou cancelada. À época, o corredor de ônibus foi apresentado como uma solução mais rápida, de menor custo e com capacidade semelhante à do monotrilho previsto para ligar o ABC Paulista à capital. Desde então, no entanto, o projeto enfrenta sucessivos atrasos e revisões de prazo.

Receba notícias quentes sobre mobilidade sobre trilhos em seu WhatsApp! Clique no link e siga o Canal do MetrôCPTM.

Na deliberação, a Artesp reforça os problemas na implantação do corredor e toma ciência da avaliação técnico-regulatória que acompanha o Plano de Ação apresentado pela concessionária como parte de um processo administrativo de pré-caducidade, aberto justamente em razão do descumprimento do cronograma original.

“Estação” ponto de ônibus do BRT ABC (GESP)

Entre as determinações, a agência exige que a Next Mobilidade retome imediatamente o número de trabalhadores previsto no Plano de Ação aprovado, ou até mesmo um quantitativo superior, como condição mínima para recuperar o ritmo das obras. A medida indica insatisfação da Artesp com a mobilização de equipes observada até o momento, apesar de a concessionária ter ampliado os trabalhos nos últimos meses.

Rescisão pode ser alternativa

A Artesp também determinou que a área técnica elabore um novo cronograma físico-financeiro do empreendimento. O documento deverá atribuir pesos proporcionais às diferentes disciplinas da obra, refletindo de forma mais fiel o avanço físico real do projeto. A agência cobra ainda a identificação clara das interferências que impactam o andamento dos trabalhos, com definição de prazos, marcos intermediários e responsabilidades para a superação desses obstáculos.

Outro ponto central da decisão é a exigência de uma projeção de conclusão baseada na evolução física efetivamente registrada até agora, tanto para o conjunto total do corredor quanto para o trecho considerado mais avançado, entre o Terminal São Bernardo do Campo e a Parada Vila Império. Esse recorte sugere que a agência busca parâmetros mais realistas para avaliar a viabilidade do prazo oficialmente divulgado pelo governo do estado, que hoje aponta outubro de 2026 como data de entrega.

 

YouTube video

 

A deliberação estabelece ainda que todas essas informações sejam consolidadas e reenviadas ao Conselho Diretor da Artesp em até dez dias. A postura da agência, que passou a fiscalizar o BRT ABC recentemente, contrasta com o período em que o projeto era supervisionado pela EMTU, extinta em 2023, quando as cobranças públicas sobre os atrasos não eram feitas.

O BRT ABC tornou-se um dos projetos mais sensíveis da política de mobilidade do estado, não apenas pelo histórico de atrasos, mas também por ter substituído um ramal de metrô já planejado e que dependia apenas do próprio governo para sair do papel – a gestão Alckmin e Doria deveriam ter realizado as desapropriações necessárias para que as obras começassem.

O fim abrupto da Linha 18-Bronze custou caro aos cofres públicos já que a VEM ABC, concessionária que deveria implantar e operar o ramal de monotrilho, obteve um ressarcimento de mais de R$ 300 milhões pela quebra de contrato por parte do governo estadual.