Associações e shopping na Mooca se manifestam contra o Pátio da Linha 16-Violeta

Região foi selecionada para abrigar estrutura de manutenção e estacionamento dos trens, gerando temores sobre suposto impacto negativo

Linha 16-Violeta deverá ser priorizada (Jean Carlos)
Linha 16-Violeta deverá ser priorizada (Jean Carlos)

A Linha 16-Violeta de metrô deve trazer benefícios inestimáveis por onde passará, mas o ramal também desagradou comerciantes do bairro da Mooca, na cidade de São Paulo.

Em audiência pública realizada nesta terça-feira, 7, a vereadora Edir Sales (PSD) e o advogado Ulisses Penachio, representando o Shopping Mooca, se manifestaram contra a construção do pátio de trens no bairro.

Segundo a parlamentar, várias empresas que atuam na Avenida Henry Ford podem ser desapropriadas, causando a demissão de trabalhadores e problemas no reposicionamento em outros locais. A vereadora deu a sugestão do uso de uma área na Avenida Presidente Wilson, ao lado dos trilhos da Linha 10, para este fim.

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Já Penachio afirmou que o complexo comercial tem intenções de expandir a sua estrutura e a presença do pátio a 700 metros do centro de compras, irá gerar impactos negativos, como uma suposta deterioração do entorno, afastando pessoas da região.

Outros empresários da região da Henry Ford utilizaram do seu tempo para também falar contra a construção do metrô no local pré selecionado, pontuando questões de empregos, presença de décadas no mesmo local e a falta de diálogo com eles.

O esquema de acesso ao pátio São Carlos, que ficará na superfície
O esquema de acesso ao pátio São Carlos, que ficará na superfície (GESP)

“Vimos que um pátio de manobra não vai agregar nada à nossa cidade ou ao nosso município. Ele vai ficar simplesmente uma área concretada e com um monte de aço estacionado”, disse um dos participantes que se manifestou na reunião.

Geração de empregos e requalificação da região

Augusto Almudin, diretor da CCP (Companhia Paulista de Parcerias), que representou o governo do estado e comandou a audiência pública, discordou das manifestações.

Segundo ele, o pátio terá impacto menor do que o planejado (serão cerca de 100.000 m²) e que a área atrairá ao menos 600 empregos – a gestão estima que 1.600 trabalhem em empresas afetadas pela possível desapropriação.

Projeto referencial sugere dois blocos de desapropriações ao longo da Av. Henry Ford (GESP)

Almudin foi além ao lembrar que a Linha 16, em vez de ‘degradar’ a região, a requalificará ao atrair mais empreendimentos, empregos, comércio, moradias e visitantes. Ou seja, os benefícios devem ser enormes, incluindo para o referido shopping, que é vizinho da estação Ipiranga e fica a cerca de 600 metros dos limites previstos para o pátio.

A seleção da área para o pátio dos trens apesar de não ser definitiva, é uma estrutura indispensável em todas as linhas de metrô em São Paulo.

Já a audiência pública faz parte do processo que antecede a publicação do edital para leilão da linha.

A Linha 16-Violeta na sua primeira fase contará com 16 estações e 19 km de trilhos, ligando a Teodoro Sampaio a Abel Ferreira, passando por parques conhecidos como Ibirapuera e Ipiranga, sendo apelidada de “linha dos parques”.