Atrasos da obra do BRT ABC geram descrença e apelo pelo Metrô em São Bernardo
Moradores questionam impacto do novo corredor de ônibus e tarifa cara, segundo reportagem
A construção do corredor de ônibus BRT ABC, no ABC Paulista, enfrenta sucessivos atrasos e é alvo de cobranças da ARTESP, a agência de transportes do estado, que assumiu a responsabilidade da fiscalização das mãos da EMTU, em extinção.
Prometido como uma solução rápida e tão capaz quanto à Linha 18-Bronze de metrô, o corredor proposto pelo governo João Doria deveria ter ficado pronto em apenas 18 meses, mas as obras se arrastam há anos enquanto a responsável pelo projeto, a Next Mobilidade (antiga Metra), promove eventos pontuais em um ponto de ônibus em São Bernardo do Campo.
Sem o monotrilho, que já poderia ter ficado pronto há algum tempo e que ofereceria integração gratuita com a malha sobre trilhos, a população da região aparenta descrença quanto ao corredor além de clamar por metrô e uma tarifa mais barata.
Canteiros do BRT-ABC (GESP)
A Agência Mural conversou com usuários do transporte público em São Bernardo e ouviu críticas entre moradores da região. A maior parte dos entrevistados duvidou dos prazos. A previsão inicial de entrega, que era julho de 2023, já foi adiada cinco vezes, com nova estimativa para outubro de 2026.
Outros apontaram o metrô como a solução definitiva e lamentaram que o município está distante dos trilhos, ao contrário de cidades vizinhas. Segundo eles, o BRT ABC não será suficiente para solucionar os problemas de mobilidade.
“Por que não colocaram um metrô? Eles querem tampar o sol com a peneira com o BRT ABC. A passagem [do Corredor ABD, da mesma Next] é um absurdo de cara e ainda temos que enfrentar lotação”, diz um passageiro.
Placa da obra do BRT-ABC (Jean Carlos)
O Corredor ABD, operado pela Next desde 1997, tem tarifa de R$ 6,05, ou 16,3% mais cara que um bilhete unitário do Metrô ou trens metropolitanos.
Moradores manifestam preocupação com a recorrente superlotação dos ônibus, com destaque para as dificuldades enfrentadas por pessoas idosas.
Transferência para o Metrô será paga ou gratuita?
O BRT ABC prevê 17,3 km de extensão e 16 ‘estações’, como são chamados os pontos de ônibus. O corredor sairá do Paço Municipal de São Bernardo do Campo, passará pela divisa com Santo Andre, parte de São Caetano do Sul e então a Zona Sul de São Paulo, com paradas nas estações Tamanduateí e Sacomã, da Linha 2-Verde.
Não se sabe até hoje como será a transferência para o metrô e CPTM, mas a situação mais provável que o passageiro tenha que arcar com um segundo bilhete já que a tarifa da Next é recolhida pela própria empresa para custear o serviço – no sistema sobre trilhos, as concessionárias recebem um valor por passageiro embarcado via governo ou então por disponibilidade do serviço.
Projeto do BRT-ABC (EMTU)
Haverá três serviços, um parador, um semi-expresso e um expresso, mas mesmo a viagem com poucas paradas levará cerca de 40 minutos contra 25 minutos previstos para a Linha 18-Bronze, mesmo considerando embarque e desembarque em 11 estações intermediárias.
A esperança dos usuários do transporte público no ABC reside na Linha 20-Rosa, que partirá de Santo André em direção a São Paulo. A passagem por São Bernanrdo, no entanto, será marginal, nos bairros de Rudge Ramos, Paulicéia e Taboão, ou seja, distante do centro da cidade e de bairros populosos.
O horizonte da Linha 20, contudo, é de inauguração em meados da próxima década.
