Barulho dentro do Aeromóvel de Guarulhos deve “sumir” a partir de maio
AeroGRU, que implantou e opera o People Mover do aeroporto, iniciou procedimentos para instalação de nova acústica em toda a frota do serviço
Após sua abertura completa ao público em março deste ano, uma parte dos passageiros do Aeromóvel que atende o Aeroporto Internacional de Guarulhos, vem relatando um ruído alto que causa certo desconforto durante a viagem.
Entretanto, a AeroGRU, empresa responsável pela construção e implantação do novo serviço, vem implantando medidas para diminuir este incômodo aos usuários, com previsão de terminar este processo na segunda quinzena de maio.
O prazo foi informado por Eduardo Chrysostomo, diretor da AeroGRU, em entrevista exclusiva ao MetrôCPTM. O executivo detalhou o “plano de ataque” para eliminar a questão do som alto dentro dos trens.
De acordo com ele, o ruído alto que se percebe durante o deslocamento de cada trem é algo variável, a depender da capacidade de passageiros no interior da composição. Como em questão de física básica, a exemplo de um cômodo de casa vazia, o eco da voz é maior, uma vez que existem “menos” obstáculos para a propagação do som, em relação a um espaço com mobiliário.
Dentro do trem é o mesmo, quanto mais passageiros, o peso aumenta sobre os trilhos e a vibração é menor.

Ainda assim, Eduardo explicou que as primeiras ações executadas resultaram na diminuição de 5 decibéis (unidade de medida da intensidade do som). Agora o próximo é que cada um dos três veículos do Aeromóvel receba uma manta acústica na parte interior ao piso, entre a estrutura do trem e o truque, para amenizar a vibração.
“Sobre o barulho, o trilho, ele tem uma coisa que a gente chama de carepa. E o nosso veículo, ele é muito leve em comparação a um trem convencional que pesa 90 toneladas, o aeromóvel pesa apenas 16 toneladas, ou seja, seis vezes menos do que um trem. Então ele tem muita dificuldade para tirar aquela carepa do boleto do trilho que faz um barulho alto.
“Estamos fazendo a medição, ela já diminuiu 5 decibeis, mas é muito pouco. Então estamos instalando manta acústica no piso do veículo, para atenuar o som interno do veículo, embora ele atenda às especificações de ruído por norma”, disse o executivo.

A expectativa da empresa é que até a segunda quinzena do mês o ruído diminua mais 10 a 12 decibéis, chegando a 70 na medição, algo menor se comparado a uma rotina ferroviária normal, uma vez que o Aeromóvel não usa motores, mas conta com uma propulsão a compressão do ar, tecnologia 100% nacional, originalmente empregada em serviço similar que conecta o Aeroporto Salgado Filho em Porto Alegre a estação de trens da Trensurb.
“Em cerca de 15 a 20 dias você vai ter um veículo com 10, 12 decibéis que é nosso expectativa de cair [o som] a um nível de 70 decibéis. O Aeromovel como ele não tem motor embarcado, ele tem que ter o som muito abaixo do trem, e não esperávamos esse nível de ruído. Por isso, estamos trabalhando para melhorar e trazer mais conforto para nossos passageiros. Em 20 dias as pessoas já devem notar a diferença”, finalizou Chrysostomo.

O Aeromóvel entrou em funcionamento parcial no final de 2025 para atender os funcionários do Aeroporto de Guarulhos (GRU Airport), passando em março deste ano a ampliar a operação das 16h até 24h, transportando todas as pessoas, inclusive quem vem da CPTM, viajante do aeroporto e entre outros.
O serviço é realizado com dois trens percorrendo em minutos a distância entre a estação Aeroporto-Guarulhos de trens e os três terminais de embarque de Cumbica, com quatro paradas no total e gratuito, ou seja, sem cobrança de tarifa.

Ou seja, a Aerom entregou um produto mal desenvolvido por falta de um campo apropriado de testes e agora corre contra o tempo para corrigir os erros previsíveis dessa decisão ruim.
Se o produto é mal desenvolvido, podemos temer o serviço de assistência técnica?
Todo o produto inicial é mal desenvolvido, por isso que sempre existem reajustes até chegar no produto final, mas sim, concordo com você que o produto foi mal desenvolvido por falta de um campo de testes apropriado, mas para haver um campo de testes apropriado, deve se ter mercado para esse produto, e como o Aeromóvel é um transporte de média capacidade que não é adotado preferencialmente pelo poder publico (o maior mercado de consumo), para que investir nisso ? principalmente se tratando de uma empresa privada ? agora se fosse uma empresa com mercado preferencial do poder publico, alinhado a projetos de desenvolvimento nacional, juntamente com parte do Estado (digo o poder publico maior, e não governos estaduais), os campos universitários de tecnologia e o Estado oferecesse área para teste e construção, talvez assim o Aeromóvel seria melhor desenvolvido, só que empresas privadas pensam no lucro antes dos investimentos, não que seja errado, mas isso é para produção de bens, agora quando o caso é em obras publicas, a logica tem que ser inversa, inicialmente os investimentos, para depois pensar no lucro a longo prazo
Você está mesmo defendendo protecionismo e direcionamento de concorrência como ações para tornar esse produto um sucesso?
Esse produto existe desde 1989 e não vende por ser um produto ruim (até o momento), não por ser preterido por conta de políticas públicas. E a Aerom tinha um campo de testes o qual foi abandonado pela empresa por incapacidade.
Só no Brasil que empresas pensam apenas no lucro fácil sem esforço algum;
Ivo, segundo a própria Aerom, não dá para comparar o Aerómovel de Guarulhos, com o de Canoas. É um projeto totalmente repaginado. Disseram que o de Canoas ainda é analógico, enquanto o novo, seria, na comparação, digital. Infelizmente, a população que usa o Aeroporto Internacional de Guarulhos está servindo de cobaia para essa modelagem mais recente.
O “campo de testes” da Aerom era a linha do gasômetro em Porto Alegre, que era onde havia o primeiro protótipo (que na época foi inclusive fornecido pela Marcopolo, assim como os veículos de Jacarta), linha que foi construída com dinheiro do próprio Osvar Coester, que vendeu um sítio para bancar a construção. Hoje a Aerom não pode usar essa linha de testes por que os vereadores de Porto Alegre aprovaram uma lei para retirar o veículo dali porque “enfeiava” o Parque Usina do Gasômetro (inclusive com vereador querendo a demolição da via).
E apesar de que o lucro é o objetivo de qualquer empresa (e não há mal algum nisso), a Aerom é uma das poucas empresas brasileiras que não podem ser acusadas de buscar somente o lucro ou colocá-lo em primeiro lugar: Já fazem mais de 50 anos que eles lutam para desenvolver e implementar a tecnologia aeromóvel. Me diz qual empresa brasileira segue desenvolvendo um produto/tecnologia por mais de uma década sem clientes? Ainda mais em um país onde 90% das empresas fecham no primeiro ano de operação.
Mas é impressionante que quando uma empresa estrangeira faz o brasileiro de cobaia (como a BYD, que está testando pela primeira ves seus Monorails na linha 17) é parabenizada e qualquer falha tem justificativa, mas quando o mesmo ocorre com a Aerom (que tem muito menos funcionários e apoio governamental que a BYD) ela recebe ataques e acusações.
“Você está mesmo defendendo protecionismo e direcionamento de concorrência como ações para tornar esse produto um sucesso?”
Sim, porque é exatamente como funciona no resto do mundo!
“Esse produto existe desde 1989 e não vende por ser um produto ruim (até o momento), não por ser preterido por conta de políticas públicas.”
Se esse mesmo projeto fosse de fabricação de países ricos, como China ou Estados Unidos, não seriam ruins, pelo contrário, os investimentos públicos viriam para buscar melhorias até se tornar comercial e vender para o mundo, a própria CRRC da China era somente uma fabrica que copiava trens, e com o investimento publico dentro do setor, se tornou uma das gigantes do setor ferroviário
“E a Aerom tinha um campo de testes o qual foi abandonado pela empresa por incapacidade.”
A Aerom tinha a linha experimental de 1 km, e quando era para ser expandida, foi negado a construção de uma segunda estação, ai fica difícil tentar melhorar o projeto, sem um campo de testes maior, sem investimentos públicos e sem interesses do poder publico em investir em melhorias, como os Estados Unidos e China fazem
“Só no Brasil que empresas pensam apenas no lucro fácil sem esforço algum;”
Infelizmente esse tipo de pensamento empresarial veio depois do abandono industrial, e isso foi uma clara intervenção externa que países mais ricos fizeram para acabar com a industrialização crescente no Brasil, se duvida, pesquise sobre as 10 recomendações do Fundo Monetário Internacional (FMI) no consenso de Washington e sobre os países que não seguiram essas recomendações e cresceram economicamente, vai ver que claramente a intenção desses países era de tornar o Brasil entre outros países um exportador de comodities (baixo valor agregado) enquanto vendia produtos manufaturados (alto valor agregado) para que esses países ricos ficassem cada vez mais ricos, e isso também se reflete em uma elite dominante que não quer ter seus benefícios econômicos e políticos suspensos, enquanto esses “empresários” (rentistas) ficam ricos, o povo sofre com altos impostos e produtos cada vez menos acessíveis, infelizmente é um assunto que ninguém quer dialogar, mas é necessário esse tipo dialogo, mas sem o ostracismo da polarização partidária
A CRRC repara e fabrica trens desde 1900. Quer mesmo comparar?
A Aerom abandonou a pista de testes por pura incompetência.
E protecionismo para produto ruim só existiu no Brasil e na União Soviética.
Quiseram fazer o mais barato e agora o barato está saindo caro….
Essa é a eficiencia privada………….kkkkkkkkk
Como assim não sabiam que haveria esse ruído? Que belo planejamento e desenvolvimento, hein. Um trem sem motor com ruído altíssimo, parabéns.
Como testemunha de quem já andou no aeromovel do Aeroporto Salgado Filho em Porto Alegre antes da enchente que comprometeu todo o sistema ferroviário do RS (aeromóvel e trens metropolitanos da Trensurb, trens de carga da Rumo, assim como as Maria-fumacas turisticas da serra), era perceptível o ruído “típico” de sistemas pneumáticos, mas em nenhum instante era um ruído incomodo ou que impedia a conversa dentro dos trens (inclusive, o ruído dentro do aeromovel era bem inferior aos dos trens da Série 100).
Vale lembrar que o sistema de POA é de geração anterior ao de GRU, os veículos gauchos tinham construção mais simples e o nível de automação e controle na linha paulista é muito mais avançado.
Então não, não era tão previsível esse nível de ruído em um sistema que apesar de usar a mesma tecnologia base, tem muitas tecnologias periféricas diferentes (são 13 anos de diferença entre as inauguração de POA e GRU), ainda mais quando a última experiencia não apresentava esse mesmo nível de ruído.
Bom ver que estão dando atenção às reclamações e tomando providências para reduzir o ruído dentro dos trens.
É mais um aprendizado para essas empresas que estão começando a trabalhar no setor ferroviário.
Temos de lembrar de que ainda não temos muitos aeromoveis em operação pelo país para a empresa já ter uma experiência robusta sobre o sistema e também a Marcopolo é outra novata nesse setor, nem tudo que ela sabe sobre ônibus acaba servindo para a fabricação de trens.
Por isso, eu relevo esses inconvenientes e espero que eles aprendam com os erros e melhorem seus produtos.
As pessoas se esquecem da curva de aprendizado. Precisamos de mais ou menos 10 anos para dominar a tecnologia do monotrilho, muitos erros não previstos foram sendo corrigidos ao longo do tempo e hoje, o monotrilho da Linha 15-Prata, tem o melhor índice de satisfação do usuário (quando foi feita esta pesquisa, a Linha 17-Ouro não havia sido inaugurada).
O mais importante é que a segurança e a regularidade operacional deste aeromóvel estejam ok!
Quanto ao tal ruido, não haverá de ser tão dificil amenizá-lo a níveis menos incômodos…
Se tivesse sido um (ônibus) biarticulado elétrico, em cima dessa via elevada, já tava funcionando, “sem ruído” nenhum.
Quando precisasse trocar de tecnologia por exemplo biometano, seria fácil, pega um guindaste e faz a troca. Puxadinho dando problema não calculado.
#parabens #aeromovel #gesp #aerogru #gruairport
Usei algumas vezes, a sensação é que tem algo errado com o trem. Não sei hoje, mas até a última vez que usei, não dava para conversar dentro do trem e você saía com os pés e pernas dormentes de tanta vibração. Alem disso, presenciei portas abrindo fora do alinhamento com a plataforma, pessoas ficando presas na porta pq ela fechou sem aviso. Os trens da CPTM são mais silenciosos e não vibram dessa forma. Vejo que a tecnologia 100% nacional utilizada foi um equívoco, se fosse boa não teríamos apenas o aeroporto de Salgado Filho como exemplo de implantação. Se uma tecnologia já consolidada fosse utilizada, o projeto teria sido entregue com antecedência (e não atraso) e o resultado final não seria uma surpresa, até mesmo para a empresa, ja que pelo relato do diretor, aparentemente nem eles sabiam como seria o resultado final.
Uma coisa que gostei hoje de ler aqui é o fato que há uma tentativa de fazer uma tecnologia nacional estável.
Dois problemas nisso:
– Se na primeira tentativa houve falhas sérias que comprometeram a viabilidade, o projeto em si acaba desvalorizado
– Para serviços que precisam de plena viabilidade, não adianta por um projeto que houve falhas anteriores.
Só andei uma vez nele e achei interessante (não andei mais pq peguei trauma dos seguranças do GRU Airport. Me tiraram de lá, mas achei gozado que dias depois teve a morte do Grizebach – ou seja, segurança tira pobre, mas não combate o crime organizado; fora o casal que morreu na rodovia, a greve, as brigas com os motoristas de aplicativo… que segurança é essa que abusa do pequeno poder?).
Mas o mais esquisito é que dá a sensação que poderia ser bem mais rápido. O sistema de tração à ar / vela me soa que não dá o torque suficiente para levar as pessoas. Me pergunto se as rodas também tem tração elétrica para complementar o torque, pois talvez isso também ajudaria a até amenizar o barulho e também dar maior precisão as paradas – visto que vi o relato que comprovei no dia que fui que as portas não se alinham corretamente.
Não sei a qual velocidade ele ta operando em GRU, mas como ainda está oficialmente em testes, é normal que os testes comecem em baixas velocidades e vá aumentando gradativamente. Aqui em POA foi assim também, nos primeiros meses ele andava mais devegar, (principalmente no início e fim da viagem, justamente para alinhar as portas do veículo com as da plataforma), mas na operação plena a velocidade média era a mesma dos trens convencionais.
Mas já adianto que o veículo gaucho não tinha nenhuma vibração excessiva ou ruídos elevados, muito pelo contrário, se você for ler reportagens e relatos da operação do Aeromóvel de POA, era extremamente comum a afirmação de parecer estar “flutuando” devido à ausência de ruídos e vibrações.
Eu tinha relatado a experiência nos comentários uma vez. Imagino que a velocidade no dia que estive estava em torno de 30 km/h (a sensação) na máxima.
Quando falo de torque, deixe-me explicar: acho que eu tinha falado na época também que o sistema tem um gradiente diferente para cada um dos trechos entre as quatro estações principais. A estação do Terminal 2 é a mais alta que tem, diga-se. E é possível notar esta questão do torque justamente quando a composição saí do terminal 1 para o 2 ou do 3 para o 2, pois ambos que cito são aclives. Me lembro que havia uma certa lentidão para isso até.
Não sei como era no Rio Grande do Sul, mas tipo, o que mais impliquei com o conceito do Aeromóvel é o fato de fazer meio que um “navio a vela ao contrário”, sendo que existem formas de tração como os sistemas à cabo (tal como alguns bondes americanos) que creio que daria o resultado similar, mas com algo já meio que consolidado, ou mesmo uma espécie de “expresso tiradentes / vlp” também.
Vamos ver no que vai dar, já que se houve aposta nisso.