BNDES e Ministério das Cidades anunciam 187 projetos para mobilidade urbana até 2054
Estudo prevê R$ 430 bilhões em investimentos em transporte coletivo em 21 regiões metropolitanas brasileiras. Mais de 80% dos recursos são previstos em sistemas sobre trilhos
O BNDES e o Ministério das Cidades apresentaram, nesta quarta-feira, 29 de outubro, 187 projetos destinados à ampliação da mobilidade urbana até 2054. O anúncio integra o Estudo Nacional de Mobilidade Urbana (ENMU), que detalha propostas para 21 regiões metropolitanas do país e tem sido gestado há meses.
O estudo estima investimentos de R$ 430 bilhões em transporte coletivo, com foco em metrôs, trens, VLTs, BRTs e corredores exclusivos de ônibus. Segundo Aloizio Mercadante, presidente do BNDES, o objetivo é subsidiar políticas públicas de longo prazo para o setor, articulando esforços entre União, estados e municípios.
Entre os aportes previstos, mais da metade (R$ 230 bilhões) deverão ser destinados a linhas de metrôs. Outros tipo de trens têm reservados R$ 31 bilhões e até R$ 105 bilhões para linhas de VLTs (Veículo Leve sobre Trilhos.
Ou seja, a mobilidade sobre trilhos responde por 85% da destinação do estudo enquanto o modal rodoviário pelo restante, inclui BRTs e corredores de ônibus comuns.
A extensão e a quantidade de corredores listados, no entanto, é enorme, com suposta capacidade elevada de passageiros. Em Belo Horizonte, por exemplo, há BRT com 33 km e embarque diário de 16 mil passageiros (BRT Sul: Belvedere – Nova Lima) e outro sistema com 14 km e uma demanda de mais de 120 mil usuários/dia (BRT Confins – Vilarinho).
Estação Botafogo do Metrô do Rio (Getty Images)
Redução de 3,1 milhões de toneladas de CO2 emitidas por ano
A projeção dos técnicos indica que a implementação pode reduzir até 8 mil mortes em acidentes de trânsito ao longo das próximas três décadas. O estudo também aponta potencial para evitar a emissão de 3,1 milhões de toneladas de CO2 por ano.
O ENMU abrange regiões metropolitanas como São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Brasília, Porto Alegre, Recife, Salvador, entre outras. A abrangência cobre os principais polos urbanos do país, com impacto direto sobre a mobilidade de milhões de pessoas.
Historicamente, a mobilidade urbana enfrentou desafios relacionados à expansão desordenada das cidades e à priorização do transporte individual. Nos últimos anos, políticas de incentivo ao transporte coletivo e à integração modal ganharam espaço em agendas federais e estaduais.
A próxima etapa envolve o detalhamento dos projetos e a busca por fontes de financiamento. O estudo servirá de base para o planejamento e a execução de políticas públicas que visam transformar a infraestrutura de mobilidade no longo prazo.
VLT sobre o Viaduto do Chá (PMSP)
Abismo entre teoria e prática
O estudo, embora deva ser enaltecido, precisa ser visto com ceticismo já que há um enorme abismo entre teoria e prática em matéria de mobilidade urbana e transporte coletivo no Brasil.
A despeito da maior eficiência, o modal sobre trilhos só tem avançado com força em São Paulo, que lidera a maioria dos projetos do gênero. Há estados que têm no entanto investido significativamente nesse sentido como Bahia, Minas Gerais e Ceará.
O Rio de Janeiro, dono da segunda maior malha do país, passa por um momento complexo, com a decadência do serviço prestado pela Supervia enquanto tenta tirar do papel uma única estação do Metrô, Gávea, parada há uma década.
Pernambuco, por outro lado, tem se mobilizado para assumir as linhas de metrô da CBTU enquanto o Distrito Federal implementa a expansão da malha metroviária aos poucos.
Outros estados como o Paraná, no entanto, insistem em soluções mágicas como o “Bonde Urbano Digital”, de eficiência ainda a ser comprovada.
