Chuvas fortes levam operadoras a dobrar atenção com vias de trens
Casos de alagamento, queda de árvores e danos em sistemas elétricos têm afetado operação de linhas nas últimas semanas, às vésperas do período de calor
As chuvas e ventos fortes já começam a deixar marcas na malha ferroviária de São Paulo antes mesmo da chegada do período mais quente do ano. Em poucos dias, uma árvore caiu sobre a Linha 7-Rubi, um trecho da Linha 9-Esmeralda ficou alagado e uma descarga atmosférica danificou uma subestação da CPTM.
Na sexta-feira (11), fortes ventos derrubaram uma árvore de grande porte sobre a Linha 7, entre Vila Clarice e Vila Aurora. A ocorrência atingiu a infraestrutura ferroviária e exigiu trabalhos que avançaram pelo fim de semana. No domingo, a TIC Trens precisou manter os trens em via única no trecho, com intervalos maiores, para permitir a continuidade da remoção.
Já na manhã de sábado (12), foi a água que prejudicou a circulação na Linha 9. O trecho entre Santo Amaro e João Dias ficou parcialmente alagado, obrigando os trens a utilizar apenas uma das vias, com velocidade reduzida e maiores intervalos.
No mesmo dia, uma descarga atmosférica provocou um incêndio na Subestação Engenheiro São Paulo, da CPTM. O problema afetou as linhas 11-Coral e 12-Safira e o Expresso Aeroporto. Para restabelecer a operação, a companhia redistribuiu a alimentação elétrica por outras subestações e cabines de seccionamento, enquanto a instalação atingida ainda precisa passar por reparos definitivos.
Incêndio causou danos que necessitarão de reparos pesados. ((MetrôCPTM))
Limpeza para manter água fora da via
Em meio a esses episódios, a ViaMobilidade anunciou uma operação de limpeza nas linhas 8-Diamante e 9-Esmeralda voltada a reduzir problemas que podem ser provocados ou agravados pelas chuvas.
Uma das principais frentes é a limpeza de canaletas responsáveis pelo escoamento da água ao longo da ferrovia. Vegetação, galhos e resíduos acumulados nesses pontos podem obstruir a drenagem e contribuir para que a água alcance os trilhos.
As equipes também estão retirando materiais deixados na faixa ferroviária, entre eles sucatas metálicas, dormentes fora de uso e resíduos de trabalhos de manutenção. A concessionária afirma ainda acompanhar os pontos considerados mais sensíveis da via e dos sistemas de drenagem durante períodos de chuva intensa.
Funcionários da ViaMobilidade em meio a serviço de manutenção (ViaMobilidade)
O trabalho inclui a roçada e a limpeza das áreas próximas aos trilhos, com retirada da vegetação cortada para que o material não permaneça na faixa ferroviária. No último fim de semana, por exemplo, equipes que trabalhavam entre Engenheiro Cardoso e Itapevi, na Linha 8, recolheram galhos e um tronco encontrados ao longo do trecho.
A maior parte dessas intervenções é realizada em fins de semana e feriados, quando a menor circulação de trens amplia o tempo disponível para as equipes trabalharem na faixa ferroviária. A ViaMobilidade opera cerca de 80 km de vias nas linhas 8 e 9, grande parte delas em superfície e expostas diretamente às condições meteorológicas.
