Com promessa de R$ 1 bilhão, prefeito Ricardo Nunes sugere levar Linha 1-Azul até Jardim Miriam
Região na Zona Sul é sua base eleitoral, mas extensão do ramal após Jabaquara não está nos planos do Metrô
Com o caixa sobrando após um acordo em que a União que liberou bilhões em troca do Aeroporto do Campo de Marte, o prefeito Ricardo Nunes (PMDB) decidiu “planejar” o Metrô de São Paulo, que é atribuição do estado. Nesta quinta-feira, 26, durante cerimônia de chegada do Tatuzão Norte da Linha 6-Laranja à estação Freguesia do Ó, Nunes sugeriu levar a Linha 1-Azul até Jardim Miriam, a partir do Jabaquara.
Para isso prometeu repassar até R$ 1 bilhão ao Metrô para a expansão das suas linhas. “A gente fez uma proposta de extensão até o Jardim Miriam, que é uma região com uma população muito grande e que a gente não tem cobertura do Metrô. Eles ficaram de estudar”, disse o prefeito
A “bondade” de Nunes teria explicação: o Jardim Miriam é uma de suas bases eleitorais, e onde obteve a maior parte dos seus votos nas eleições que participou.
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No entanto, o Metrô não tem plano de estender ainda mais a Linha 1-Azul e próprio prefeito admitiu que em conversas preliminares a companhia salientou a existência do pátio Jabaquara como um impeditivo para levar o ramal em direção ao sul.
De fato, a divisa de São Paulo com o município de Diadema não é contemplada em nenhum estudo recente do Metrô, exceto pela extensão da Linha 17-Ouro, mas que apenas margeia essa região.

Opinião: Recursos para 4 km de metrô por ano desperdiçados
Nunes, que assumiu o cargo após o falecimento do então prefeito Bruno Covas em 2021, tem tomado decisões bastante controversas a respeito da mobilidade na capital paulista. Entre elas está levar a Marginal Pinheiros da altura da Ponte Transamérica até a Ponte Vitorino Goulart, numa extensão de 8 km.
A promessa repete o mantra de reduzir o trânsito e facilitar o acesso à região, mas basta observar outros projetos semelhantes no passado para constatar que o trânsito só mudou de lugar e as dificuldades são semelhantes. Que o diga as pistas centrais da Marginal Tietê…
Em outras cidades do mundo, o movimento é o contrário: mais transporte público e espaço para ciclovias e menos para veículos automotores, em busca de mais sustentabilidade e qualidade de vida.
Outra ideia polêmica é a revisão do Plano Diretor da capital a fim de permitir mais vagas de estacionamento em edifícios próximos a eixos de transporte público – vulgo estações de trens e metrô já que corredores de ônibus têm efeito contrário no mercado imobiliário. Trata-se de um estímulo desnecessário ao transporte individual, na contramão da atual realidade urbana.
Por outro lado, Nunes mantém os pesados subsídios ao ineficiente sistema de ônibus de São Paulo, que ultrapassam os R$ 4 bilhões por ano, dinheiro que bancaria uma linha de metrô de pelo menos 16 km durante um mandato de prefeito.
Recursos municipais para a expansão de trilhos são sempre bem-vindos, mas dispensam intervenções no planejamento. A companhia do Metrô, que nasceu na prefeitura paulistana, entende melhor do que qualquer político que regiões precisam de novas linhas e estações.
