Consórcio CEML vai compensar falhas com investimento de R$ 41,2 milhões em melhorias na Linha 15-Prata

Termo de Ajustamento de Conduta foi assinado pela Promotoria de Justiça do Patrimônio Público e Social para encerrar investigação sobre falhas no monotrilho

Trem da Linha 15-Prata (Jean Carlos)
Trem da Linha 15-Prata (Jean Carlos)

A Promotoria de Justiça do Patrimônio Público e Social, da capital paulista, e o Metrô de São Paulo assinaram no fim de setembro um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com o Consórcio Expresso Monotrilho Leste (CEML), responsável pela Linha 15-Prata.

O acordo prevê a destinação de R$ 41,2 milhões para melhorias no ramal de monotrilho que conecta a zona leste da capital como compensação por falhas graves atribuídas ao consórcio.

O TAC encerra uma investigação sobre supostas irregularidades cometidas pelo consórcio formado por Alstom e Álya Construtora (originalmente OAS, Queiroz Galvão e Bombardier), durante a implantação da linha. O montante foi negociado como indenização por danos materiais e morais coletivos decorrentes de falhas operacionais e acidentes registrados nos últimos anos.

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Além do TAC, o Metrô e o CEML também firmaram outro acordo no valor de pouco mais de R$ 27,3 milhões para encerrar processos administrativos e judiciais relacionados a prejuízos e à aplicação de multas.

Superfície das vigas-guia sofreram desgastes prematuros

Os recursos serão aplicados em serviços de manutenção da linha e modernização dos trens, incluindo melhorias em assentos, câmeras de monitoramento e filtros de ar. O objetivo é aprimorar a segurança e o conforto dos usuários, além de reduzir riscos operacionais.

Run-flat danificou pneu

A Linha 15-Prata iniciou serviço comercial limitado em 2014, apenas entre as estações Vila Prudente e Oratório. A partir de 2018, o ramal foi estendido até chegar a São Mateus e, posteriormente, Jardim Colonial e hoje conta com 11 estações e outras três em construção.

Nesse período, no entanto, o monotrilho passou por incidentes graves, sobretudo o estouro de um pneu em fevereiro de 2020 paralisou toda a linha por cerca de cem dias, levando à abertura de inquérito civil pelo Ministério Público.

Posteriormente, outros episódios menores também foram atribuídos à implantação falha do projeto, como no desgaste prematuro das vigas-guia, que deveriam durar 100 anos.

O conjunto de pneu e roda do monotrilho e o run-flat (Reprodução)

Na época, o Metrô chegou a acionar o Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) para produzir um laudo sobre os motivos do incidente. O documento nunca foi tornado público.

Informações de respostas do consórcio, entretanto, apontaram que havia irregularidades na superfície das vigas-guia, que acabaram fazendo com que o disco metálico do run-flat, um item existente para segurança, encostasse na parede interna do pneu e danificasse.

A Michelin, que produz os pneus, passou a solicitar ao Metrô verificações constantes nas condições de cada item enquanto o consórcio promoveu correções nas vigas e a Alstom modificou especificações operacionais do trem.