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Consórcio Via Mobilidade, que inclui a CCR, vence concessão das linhas 5-Lilás e 17-Ouro do Metrô

Estação da Linha 5-Lilás: 20 anos de concessão
Estação da Linha 5-Lilás: 20 anos de concessão

Depois de vários adiamentos e muito suspense, o leilão das linhas 5-Lilás e 17-Ouro acaba de ser realizado na Bolsa de Valores de São Paulo. O consórcio Via Mobilidade, formado pelas empresas CCR e RUASinvest, foi vencedor do leilão. O grupo ofereceu um valor de outorga de R$ 553.880.400, ágio de 185%. O consórcio Metrô São Paulo Linhas 5 e 17, composto pela empresa brasileira CS Brasil (ligada ao grupo JSL), fez uma oferta de R$ 388,5 milhões, ágio de 99,9%.

Apenas dois grupos apresentaram propostas pela concessão, um número bem inferior ao que se esperava – quatro grupos chegaram a demonstrar interesse pelo negócio. Entre as operadoras internacionais, apenas o Metrô de Seul, uma empresa estatal, decidiu participar, juntamente com a empresa de logística CS Brasil, que não tem experiência com transporte ferroviário de passageiros.

A CCR e a RUASinvest são parceiras na ViaQuatro, concessionária que opera a Linha 4-Amarela desde 2010. Com isso, embora seja necessária a criação de uma nova empresa com propósito específico para operá-las, certamente haverá sinergias entre elas como em treinamento de funcionários e trocas de experiência, por exemplo. Como adiantado nesta semana pelo blog, teremos em São Paulo uma espécie de rede privada de Metrô afinal três empresas estarão representadas em quatro linhas de metrô em breve:

Linha 4-Amarela – CCR, RUASinvest e Mitsui
Linha 5-Lilás e 17-Ouro – CCR e RUASinvest
Linha 6-Laranja – Mitsui, RUASinvest e China Railway Engineering Corporation Ltd.

Batalha judicial

A realização do certame só foi confirmada às 20h desta quinta-feira (18) quando o governo do estado conseguiu suspender uma liminar impetrada pela oposição na 12ª Vara da Fazenda Pública do Tribunal de Justiça de São Paulo, onde atua o juiz Adriano Marcos Laroca, conhecido por ter tentado impedir o prefeito de São Paulo João Dória de apagar grafites no ano passado.

O sindicato e outras entidades e pessoas ligadas à partidos de esquerda utilizaram a estratégia de dar entrada em diversas várias na tentativa de conseguir algum impedimento para a realização do leilão. Possivelmente, o governo já esperava por isso e logo recorreu ao desembargador Manoel de Queiroz Pereira Calças, presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) que atendeu o pedido. “A paralisação do certame provocará o retardamento do procedimento licitatório e, por conseguinte, da entrega da operação comercial, em detrimento da expectativa de expansão do serviço público de transporte metroviário à população”, disse no seu despacho.

Com a vitória do consórcio que inclui a CCR, o Sindicato dos Metroviários certamente protestará por ter afirmado há algumas semanas que a empresa já havia sido escolhida previamente pelo governo. A diferença grande entre as duas propostas e que não permitiu que houvesse lances a viva-voz também deverá servir de munição para a oposição ao PSDB, partido de Alckmin.

Um milhão de passageiros por dia

Agora, o governo do estado analisará a documentação do vencedor além de aguardar alguns dias caso algum concorrente decida recorrer do resultado. Após confirmar que o consórcio vencedor tem condições de assumir a concessão será redigido o contrato e marcada uma data para assinatura, algo que deve ocorrer entre 60 e 90 dias, disse Clodoaldo Pelissioni, secretário de Transportes Metropolitanos. A partir daí, a nova sociedade de propósito específico (SPE) criada para operar as duas linhas treinará seus funcionários por cerca de 120  dias em que a transição com o Metrô na Linha 5 a fim de absorver as informações e processos do dia a dia do ramal.

Só então, a concessionária assumirá a operação para valer, algo que deve ocorrer, portanto, entre julho e agosto, de acordo com Pelissioni. Até lá, acredita-se que a Linha Lilás já estará funcionando em 16 das 17 estações e com o horário comercial pleno. Já a Linha 17-Ouro e suas oito estações devem ficar pronta apenas em dezembro de 2019 e nem chegarão a ser operadas pelo Metrô. A expectativa é que juntas as duas linhas movimentem cerca de 1 milhão de pessoas por dia.

Com o leilão resolvido, a gestão Alckmin já terá outras metas de concessão. Também a Linha 15-Prata, monotrilho que deve operar em 10 estações na região de Sapopemba e São Mateus, será concedida em moldes semelhantes aos das linhas 5 e 17 ainda em 2018 – o edital deve ser publicado em fevereiro. Além dela, a CPTM deverá repassar para a iniciativa privada as linhas 8-Diamante e 9-Esmeralda, dois ramais herdados da Fepasa.

Governador Geraldo Alckmin durante inauguração de estações da Linha 5: suspense até o último minuto

About the author

Ricardo Meier

É um entusiasta do assunto mobilidade e sobretudo do impacto positivo que o transporte sobre trilhos pode promover nas grandes cidades brasileiras. Também escreve nos sites Airway (aviação) e AUTOO (automóveis).

6 Comentários

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  • Ricardo o valor que foi pago pela concessão, não é baixo comparado com o tempo de exploração?
    Quanto que a empresa terá que investir de melhorias nestes 20anos ?
    Porque somente estas empresas competiram? Será que não tem empresas estrangeiras que investiriam ao redor do mundo? Na moral foi dar de graça está linha, e olha que sou a favor da concessão.

    • Paulo, existem muitos números nesse assunto que acabam confundindo uma visão mais racional do negócio. O ponto é o seguinte: a previsão de receita da concessionária é de R$ 10,8 bilhões durante os 20 anos em valores atuais. O governo estima que ela vá gastar em torno de R$ 9,5 bilhões para operar, manter e também investir em algumas melhorias como a ampliação da estação Santo Amaro (cerca de R$ 3 bilhões serão investimentos). Portanto, o lucro previsto é de R$ 800 milhões a R$ 900 milhões nesse período, em torno de 9% de retorno, como dizem os economistas. É um lucro baixo mas seguro e que deve se ampliar porque o operador privado vai trabalhar para reduzir essa previsão de custo, claro. O sindicato prega essa história de que o governo investiu bilhões e agora uma empresa privada vai lucrar, mas esquece que operar via Metrô também exigirá um custo muito alto pela falta de eficiência de empresas públicas. Até para comprar papel higiênico o Metrô tem que abrir licitação, pregão eletrônico etc. A lógica do governo é a seguinte: vou gastar X para operar e vou receber Y, na visão dele, prejuízo na certa. Em vez disso passo para a iniciativa privada, recebo uma boa grana de cara (R$ 554 milhões) e deixo de ter custo. O problema é que a receita com a tarifa (hoje de R$ 4) vai ter de ser dividida com mais gente (ViaQuatro, Linha 6, agora Via Mobilidade Metrô, CPTM e outras concessões que virão), ou seja, não vai dar para pagar todos e o restante virá de todos os contribuintes, inclusive o cidadão que mora no interior e não usa trem e metrô. Realmente, não é um assunto fácil.

  • Só uma palavra para o que aconteceu na B3. Nojo! Logo teremos um monopólio em SP como já acontece no Rio de Janeiro. O mais nojento desssa licitação foi a não obrigação do concessionário em construir novas estações, vai continuar tudo tão lento como sempre. Mas os empresários estarão lucrando cada vez mais, enquanto a Companhia do Metropolitano de SP (Metrô) passará a ficar cada dia mais sucateado, colocando em risco a vida de Milhões de Passageiros.

  • Olá Ricardo.
    Como ficaria aquele possível concurso público que o Governo do Estado de São Paulo anunciou recentemente para contratação de novos funcionários para as Linhas 5 Lilás e 17 Ouro do Metrô agora que o leilão foi realizado na Bolsa de Valores e vencido pelo consórcio Via Mobilidade? Lembro que em um artigo anterior aqui no Blog você mencionou que seriam no total 214 vagas, e que 206 vagas seriam aproveitadas dos candidatos que foram aprovados em concursos anteriores, mas que aguardam na fila de espera para convocação. Seria feito um novo concurso público apenas para 08 vagas? Desculpe se eu estiver equivocado nestes dados, mas ao meu ver um novo concurso público agora seria meio que desnecessário!

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