Construtora chinesa é alvo de reportagem após vencer licitação da Linha 19-Celeste
Highland Build, que é parte do grupo PowerChina e levou o Lote 1 de obras civis do ramal, virou assunto da Folha de São Paulo por registro em cima da hora
Nem bem o Metrô de São Paulo declarou a habilitação dos consórcios vencedores dos três lotes de obras civis da Linha 19-Celeste e uma nova reportagem colocando em dúvida a lisura do processo foi publicada pela Folha de São Paulo nesta sexta-feira, 14.
O jornal escolheu como alvo a empresa chinesa Highland Build, que é sócia minoritária do Consórcio Nove de Julho – Linha 19, formado ainda pela Yellow River e pela brasileira Mendes Júnior.
A Highland Build, assim como a Yellow River, são parte do grupo PowerChina, gigante da construção civil e que hoje atua em obras como a expansão da Linha 2-Verde na Zona Leste.
Segundo a Folha, a empresa chinesa só obteve licença para operar no Brasil no dia 11 de setembro, ou menos de duas semanas antes do início dos pregões eletrônicos realizados pelo Metrô – e que também apontaram os consórcios liderados pela Odebrecht (OECI) como vencedores.
Dados da Linha 19-Celeste (CMSP)
A presença da Highland Build no consórcio teria sido necessária para atender um dos requisitos principais do edital, experiência em operar os TBMs, o famoso tatuzão, que na obra da Linha 19 terá uma unidade em cada lote para acelerar a implantação.
Esse requerimento já havia sido questionado por construtoras nacionais como sendo um susposto direcionamento do edital para favorecer empresas estrangeiras, sobretudo espanholas, disseram fontes do mesmo jornal meses atrás.
A Highland Build participou do leilão sem ter uma filial no Brasil, só aberta oficialmente pouco depois do pregão do Lote 01. O próprio jornal diz que isso não é ilegal, fato reforçado por nota do governo do estado afirmando “que todas as empresas habilitadas atenderam integralmente às exigências previstas, inclusive o consórcio vencedor’.
Briga de gente grande
O surgimento de insinuações e alegações sobre as condições jurídicas e técnicas dos vencedores das três licitações não surpreende. Com valores bilionários, os contratos podem fazer a diferença no balanço de várias empresas do setor.
Odebrecht e Andrade Gutierrez disputaram obras da Linha 19 do Metrô de SP (Montagem com uso de IA)
Não é por menos que grupos organizados já haviam buscado a grande imprensa para questionar a legimitidade do processo licitatório. Agora, no entanto, é justamente a fase mais crítica, quando o Metrô abre espaço para o chamado recurso administrativo, quando os demais concorrentes podem apresentar contestações sobre o resultado.
O que espantou foi o jornal já ter antecipado essa ‘briga de gente grande’. Teria ele recebido informações de outras empresas participantes? Os detalhes da reportagem sugerem que a investigação já vem sendo feita há bastante tempo, apenas esperando a habilitação dos vencedores, ocorrida nesta quinta-feira, 12, para ser publicada.
Não será surpresa, contudo, se novos lances dessa novela surgirem nos próximos dias. Infelizmente, o processo licitatório de obras é bastante refém de argumentos jurídicos nem sempre sólidos.
Resultado final do Lote 01 da Linha 19-Celeste (CMSP)
A fase de recurso administrativo prevê a avaliação das possíveis reclamações pelo próprio Metrô, que geralmente nega irregularidades. O problema vem depois, quando concorrentes insatifeitos podem recorrer à Justiça para barrar a execução do contrato e, assim atrasar sua implantação.
As margens entre as propostas no Lote 01 foram bastante reduzidas, o que em tese coloca as empresas Agis, Odebrecht e Andrade Gutierrez como candidatas a tentar virar o jogo.
Qual será o próximo capítulo? Certamente já deve estar na mão dos “roteiristas”.
