Andrade Gutierrez acusa Odebrecht de manipular preços em licitação da Linha 19-Celeste
Ofício enviado ao Metrô de São Paulo aponta sobrepreço de até 1.000% em itens do lote 2, contestando proposta do consórcio Via Celeste 2.
A construtora Andrade Gutierrez enviou ofício ao presidente do Metrô de São Paulo, Julio Castiglioni, alegando que a Odebrecht manipulou preços na proposta para o lote 2 da Linha 19-Celeste., revelou a Folha de São Paulo.
Segundo a empresa, houve inflação de custos iniciais e subestimação de valores finais, impactando o fluxo financeiro do projeto.
O consórcio Via Celeste liderado pela OECI (sigla de Odebretch Engenharia e Construção Internacional) fez as propostas de menor valor em dois dos três lotes de obras civis do ramal de 17,6 km e 15 estações.
O documento da rival, que também aponta que o consórcio liderado pela Odebrecht teria antecipado quase R$ 500 milhões no início do contrato.
Essa movimentação, conforme a Andrade Gutierrez, pode gerar benefício econômico de pelo menos R$ 70 milhões por ano ao consórcio, considerando a remuneração pela Taxa Selic.
Dados da Linha 19-Celeste (CMSP)
A Andrade Gutierrez destaca ainda que a antecipação dos recursos ocorre em fase inicial das obras e considera a prática mais grave por envolver uma empresa em recuperação judicial. O ofício também lista 13 itens com sobrepreço de até 1.000%, totalizando R$ 467,2 milhões acima do valor considerado adequado.
Obras são esperadas para 2026
A proposta do consórcio liderado pela Odebrecht para o lote contestado é de R$ 6,7 bilhões enquanto a Andrade Gutierrez teve a segunda menor proposta, de R$ 6,75 milhões.
O Lote 2 compreende cinco estações, poços de Ventilação e Saída de Emergência (VSE) e o pátio para manutenção Vila Medeiros, na Zona Norte, próximo às rodovias Dutra e Fernão Dias.
A Odebrecht também saiu na frente no Lote 3, que inclui o trecho no centro de São Paulo. O Lote 1, dentro de Guarulhos, teve a Power China como melhor classificada.
Divisão de lotes da Linha 19-Celeste (Jean Carlos)
O custo total da obra da Linha 19-Celeste está estimado em R$ 19,5 bilhões. A licitação permanece em análise, com a próxima sessão marcada para o dia 4 – a fase de recursos administrativos ainda não foi aberta já que o Metrô não elegeu vencedores nos leilões.
Em nota ao jornal, a Odebrecht afirmou confiar plenamente na lisura do certame e na aderência de sua proposta a todos os requisitos do edital. A empresa não detalhou os pontos contestados, mas reforçou sua posição quanto à regularidade da oferta apresentada.
As duas empresas voltaram a participar de grandes licitações do Metrô em São Paulo após anos afastadas em virtude da Operação Lava Jato. No passado, elas foram acusadas de formarem cartéis para vencerem leilões e também conseguirem aditivos nos contratos.
