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CPTM coloca mais dois trens novos em operação

No entanto, meta do governo está longe de ser cumprida por problemas de fabricação na CAF e na Rotem

O 124º trem novo e quarto Série 9500 a entrar em operação (CPTM)

Nesta terça-feira (26) a CPTM colocou em operação mais dois trens novos da encomenda de 65 unidades feita em 2013. Apesar da boa notícia, o ritmo de entrega das composições voltou a atrasar.

Quando entregou o primeiro trem da Série 8500 em junho do ano passado, o governador Geraldo Alckmin prometeu que a cada mês dois novos trens seriam colocados em operação a partir dali e que a encomenda seria concluída em 2017. Mas não foi o que se viu.

Além de atrasos na produção tanto da Série 8500 fabricada pela espanhola CAF quanto a Série 9500, montada pela Rotem, da Coreia do Sul, os trens tiveram uma fase de testes na CPTM cheia de percalços por problemas técnicos e de qualidade. Quando tudo parecia superado, novos problemas em unidades entregues nos últimos meses tem motivado a CPTM a não aceitar esses trens.

Com isso, até o momento apenas 20 dos 65 trens estão operando (14 na Linha 7 e 6 na Linha 11), sendo que em alguns momentos a companhia de trens retira algumas unidades dependendo de alguma pane. A situação é mais grave ainda com a Rotem, que havia entregue apenas sete composições das 30 encomendadas. Porém, três delas seguem em testes incluindo o primeiro trem produzido (D504) cujos defeitos são tão extensos que a CPTM se recusa a colocá-lo em serviço, segundo apuramos.

O caso da CAF parece mais resolvido com 16 dos 35 trens já operando (incluindo o H528, entregue no dia 26). Mas há inúmeros outros trens parados na fábrica de Hortolândia porque a CPTM não tem conseguido avançar com os testes antes de considerá-los aptos para serviço. O que se comenta é que as composições apresentam problemas variados o que impede que sejam liberados para operação e, assim, novos trens sejam entregues para iniciar os testes.

Sucata em Jundiaí

O atraso na entrega da encomenda obriga a CPTM a manter trens antigos e desconfortáveis em serviço. Apesar disso, algumas séries herdadas da CBTU já começam a sair de cena. Os 1100, um dos trens mais antigos da empresa, praticamente deixou de ser usado na Linha 7-Rubi, a que tinha a frota mais rodada. Dois deles foram “baixados” (tirados de serviço) e estacionados num pátio em Jundiaí. Inclusive, um deles começou a ter os equipamentos depenados por invasores, de acordo com relatos em redes sociais.

Restam ainda alguns trens da Série 1700, 4400 e da própria 1100 em circulação, além de 5400 usados na extensão da Linha 8. Mas a necessidade da CPTM é muito maior. A Linha 10-Turquesa, por exemplo, tem passado por problemas quase que diários por falhas nos velhos 2100, os famosos trens espanhóis. Diante disso, até mesmo a pequena frota da Série 3000 anda assumindo viagens em horário de pico – eles estavam restritos ao serviço expresso entre Tamanduateí e Santo André, até então.

Espera-se que esses percalços sejam resolvidos em breve a os 45 trens restantes entrem em operação, inclusive para cobrir a Linha 13-Jade, que será aberta no ano que vem e não poderá contar com seus próprios trens chineses, recentemente licitados.

About the author

Ricardo Meier

É um entusiasta do assunto mobilidade e sobretudo do impacto positivo que o transporte sobre trilhos pode promover nas grandes cidades brasileiras. Também escreve nos sites Airway (aviação) e AUTOO (automóveis).

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