O governo Doria segue em busca de recursos financeiros para reduzir a dependência do Metrô e da CPTM da receita tarifária. Nesta quinta-feira, 20, a Companhia de Trens Metropolitanos abriu consulta pública para receber sugestões e contribuições a respeito da construção de empreendimentos comerciais em áreas associadas às estações Brás e São Miguel Paulista. Os interessados em participar do processo terão 15 dias para enviar suas ideias à empresa, que então analisará essas contribuições antes de modelar as duas concessões.

A ideia de construir centros empresariais e de comércio em estações movimentadas não é nova e tem sido cogitada há vários anos. Um desses projetos envolve a estação Palmeiras-Barra Funda, uma das mais movimentadas da rede e que tem estudos para se tornar um polo multimodal.

A própria estação Brás já foi alvo de sondagens nesse sentido por conta da região onde está inserida, conhecida pelo comércio popular. A CPTM não detalha, no entanto, qual a área disponível nessa estação, que também sedia hoje uma área de manutenção e o CCO, Centro de Controle Operacional. Mas é bastante claro que o terreno em volta das plataformas contemplaria algumas intervenções comerciais. No caso da estação São Miguel Paulista, da Linha 12-Safira, uma possibilidade seria aproveitar uma área entre a atual estrutura e a estação antiga.

Vale lembrar que esse projeto em relação à Brás não guarda nenhuma relação com outra concessão recentemente contratada junto à empresa Socicam que visa explorar cerca de 1.400 m² de áreas nos mezaninos de ligação entre as plataformas da CPTM e do Metrô.

Estação Brás: empreendimentos em área de grande comércio (Google)

Receita não-tarifária modesta

A CPTM tem ampliado nos últimos anos o volume de receita não tarifária, que envolve a comercialização de espaço, publicidade e outros serviços. De um total de R$ 56,7 milhões em 2016 esse faturamento saltou para R$ 89,7 milhões no ano passado, ou alta de 58%. No entanto, trata-se de apenas de cerca de um terço da receita acessória obtida pelo Metrô em 2019, de R$ 247,1 milhões.

Assim como a CPTM, a companhia que opera as linhas 1, 2, 3 e 15 tem investido em novas estratégias de receitas não tarifárias, que hoje representam somente 12% do faturamento total. Ou seja, há muito campo para que a CPTM possa explorar nos próximos anos.

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