CPTM quer usar carga para viabilizar nova geração de trens regionais em São Paulo

Plano ferroviário em elaboração prevê corredores compartilhados por passageiros e mercadorias; ligação Santos-Cajati é o projeto mais adiantado, diz presidente da companhia

Trem Santos-Cajati: carga e passageiros
Trem Santos-Cajati: carga e passageiros (CPTM)

A ligação ferroviária entre Santos e Cajati é apenas uma das iniciativas analisadas dentro de um plano mais amplo que busca recuperar e ampliar o uso da malha ferroviária paulista para transporte de passageiros e carga nas próximas décadas.

Em entrevista ao MetrôCPTM, o presidente da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), Michael Cerqueira, explicou que o projeto integra o Plano Estratégico Ferroviário (PEF), um dos capítulos do Plano Logístico Integrado do Estado de São Paulo, elaborado pela Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil) com horizonte até 2050.

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Segundo Cerqueira, o trabalho pretende identificar corredores ferroviários capazes de atender simultaneamente o transporte de mercadorias e passageiros, criando condições para que novos projetos tenham sustentabilidade econômica.

O plano é uma mudança em relação a diversas propostas discutidas ao longo das últimas décadas. Em vez de desenvolver linhas exclusivamente voltadas ao transporte de passageiros ou adaptar posteriormente infraestruturas existentes, o objetivo é planejar os corredores desde o início para convivência entre os dois serviços.

Mapa mostra ferrovias de passageiros, carga e projetos da Região Metropolitana de São Paulo e adjacências (Reprodução)

O presidente da CPTM afirmou que muitos dos projetos analisados dificilmente seriam viáveis apenas com a demanda de passageiros. A inclusão do transporte de carga, especialmente de contêineres, pode criar uma fonte adicional de receita e tornar os empreendimentos mais atrativos para investidores.

Dentro desse contexto está o corredor Santos-Cajati. Segundo ele, o projeto não é novo e já foi estudado sob diferentes formatos no passado, incluindo propostas de VLT, trem metropolitano convencional e até sistemas rodoviários. A diferença agora é que a ligação passou a ser analisada considerando simultaneamente a movimentação de passageiros e de cargas.

A ideia em estudo aproveita uma ferrovia que já operou ao longo do litoral sul paulista. Além do atendimento às cidades da Baixada Santista e do Vale do Ribeira, o corredor poderia receber cargas conteinerizadas com origem ou destino no Porto de Santos, ampliando o uso da infraestrutura ferroviária na região.

Presidente da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), Michael Sotelo Cerqueira, durante atividades na sede da estatal em São Paulo ((MetrôCPTM))

Ligação com Curitiba

Cerqueira também esclareceu uma interpretação que circulou nos últimos meses sobre uma possível ligação ferroviária até Curitiba. Segundo ele, o escopo dos estudos conduzidos pela CPTM se limita ao trecho entre Santos e Cajati, dentro do território paulista.

A confusão surgiu porque a malha ferroviária existente continua em direção aos estados do Sul. Embora futuras conexões possam ser analisadas por outros governos ou instituições, o projeto atualmente estudado pela CPTM termina na divisa sul do estado.

O Plano Estratégico Ferroviário reúne diversos corredores em avaliação e ainda está em fase de anteprojeto. De acordo com Cerqueira, os estudos estão sendo desenvolvidos majoritariamente por equipes técnicas da própria CPTM e têm como objetivo formar uma carteira de projetos apta a subsidiar futuras parcerias público-privadas ou licitações de obras públicas.

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Guile
Guile
2 horas atrás

Na Europa é assim que funciona. O transporte de cargas , mais lucrativo, subsidia o transporte de passageiros, e os 2 serviços convivem na mesma ferrovia.

O correto quando o governo fez as concessões, era obrigar a concessionária a matéria.o serviço de passageiros, como ocorre com a ferrovia da Vale, ou então obrigar a dar direito de passagem. Ou então manter a infraestrutura com o estado, e deixar a exploração da carga com outras empresas mediante pagamento do direito de passagem (como ocorre por exemplo na Alemanha)

Ligeiro
Ligeiro
5 segundos atrás
Responder para  Guile

E se a gente puxar o passado brasileiro, quase toda linha de carga tinha serviço de passageiros. O problema no Brasil é a mentalidade empresarial, que não sabe (ou não quer) criar coisas para facilitar a locomoção da população.

O sucateamento da malha ferroviária entre o fim dos anos 90 e desde então mostra isso. FHC (e os maçons tucanos) pensou que privatizando ia melhorar. Só enterrou de vez os serviços. Lula ao invés de ajudar, não fez muito também (e botou os maçons do MDB para fazer merd* no transporte). Como sempre posto, a sorte é que no meio dos tucanos o Mário Covas separou a malha metropolitana de São Paulo e criou a CPTM (hoje odiada por político negativo). Não foi a melhor coisa, mas para quem conhece a história da autarquia, sabe que ela fez limonada para 10 milhões com uma gota de limão.

Santiago
Santiago
1 hora atrás

Excelente proposta!
E o melhor é que a faixa de domínio está bem preservada e plenamente disponível, comportando vias duplas, amplas estações e patios de manobra ao longo de todo o trajeto.
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