CPTM teve prejuízo de R$ 433 milhões em 2022
Resultado é ligeiramente melhor que o de 2021, quando companhia de trens metropolitanos havia registrado uma perda de R$ 470 milhões
A CPTM registrou um prejuízo líquido em 2022 de R$ 432,8 milhões, segundo balanço divulgado pela empresa nesta semana. Trata-se de um resultado ligeiramente melhor que o de 2021, quando houve perdas da ordem de R$ 469,4 milhões.
O balanço da companhia, que administra as linhas 7-Rubi, 10-Turquesa, 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade, aponta uma queda na receita líquida, que foi de R$ 2,77 bilhões para R$ 2,37 bilhões no ano passado. Vale observar que a CPTM deixou de operar as linhas 8-Diamante e 9-Esmeralda no final de janeiro de 2022, repassadas à ViaMobilidade, o que afetou as receitas.
Por consequência, o custo dos serviços prestados também foi reduzido, de R$ 2,49 bilhões para R$ 2,14 bilhões (-14%). Por outro lado, a despesa administrativa cresceu 8,5%, para R$ 461 milhões enquanto o item “outras receitas (despesas) líquidas reduziu significativamente as perdas, de R$ 188 milhões para apenas R$ 32 milhões.
A operação das linhas, portanto, apresentou uma perda de R$ 262 milhões (R$ 330 milhões em 2021), que somadas ao resultado finaceiro negativo de R$ 170 milhões, culminaram com o prejuízo de R$ 432 milhões.

Repassses
Como tem sido praxe na CPTM, por conta da operação deficitária, o governo do estado realizou repasses para cobrir seu rombo. Segundo a companhia, “os repasses do Governo do Estado de São Paulo foram compostos por R$ 962.142.000 (R$ 1.200.121.000 em 2021)
à título de subvenção econômica; R$ 235.558.000 (R$ 0 em 2021) à título de recomposição da receita tarifária; R$ 143.340.000 (R$ 109.532.000 em 2021) à título de ressarcimento de gratuidades legais, e; por fim, R$ 914.165.000 (R$ 686.415.000 em 2021) para investimentos“.
Além disso, a empresa observou uma arrecadação de R$ 29 milhões por conta de três leilões de materiais inservíveis.
A CPTM acrescentou ainda que está estudando a contratação de seguro para seus bens patrimoniais e também para o serviço de transporte metropolitano.

Possível fim da empresa
Os sucessivos prejuízos da CPTM devem reforçar o discurso da atual gestão estadual para que quatro das cinco linhas remanescentes sejam concedidas à iniciativa privada – a Linha 7-Rubi já tem previsão de ser leiloada junto com o TIC Eixo Norte.
O governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) já autorizou os estudos para repassar os ramais para operadores privados, mas não está claro se será possível realizar as licitações ainda durante o atual mandato, que termina em 2026.
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A CPTM teve um prejuízo menor que o Metrô, que perdeu R$ 1,2 bilhão em 2022, mas a realidade da companhia tem peculiaridades como o fato de a Secretaria dos Transportes Metropolitanos arcar com os custos de aquisição de trens e peças sobressalentes, por exemplo.
A falta de reajustes na tarifa de transporte também contribui para que a arrecadação não acompanhe o crescimento dos custos, apesar de o movimento de passageiros em 2022 ter subido 27%, considerando as cinco linhas hoje operadas por ela.
