Deputado sugere levar Linha 9-Esmeralda até Santos
Emendas a projeto de lei do orçamento de 2026 buscam garantir destinação de recursos, mas extensão do ramal tem chance irrisória de ser feita
A Linha 9-Esmeralda de trens da ViaMobilidade pode no futuro chegar até a cidade de Santos, na Baixada Santista. Ao menos é a intenção do deputado estadual Enio Tatto (PT), que apresentou diversas emendas ao Projeto de Lei 1036/25, que trata do orçamento anual do Governo de São Paulo para o ano de 2026.
O parlamentar, por meio de três emendas, solicitou a quantia de R$ 6 milhões a ser dividida entre a Secretaria de Fazenda e Planejamento e a Secretaria dos Transportes Metropolitanos, incrementando este valor nas duas pastas.
O valor deverá ser usado para um estudo faseado em três etapas: de Varginha, estação que recentemente ampliou seu horário de atendimento, indo até Parelheiros no extremo sul da cidade de São Paulo. Na segunda etapa, até Embu-Guaçu, e a terceira, descendo a serra até a cidade de Santos.
As emendas serão submetidas para análise, e podem ou não ser aprovadas para inclusão no orçamento anual do Estado. O executivo, no entanto, tem poder de veto.
A expansão é possível?
A intenção de nova expansão da Linha 9-Esmeralda não é um assunto novo. Em janeiro deste ano, durante a inauguração da estação Varginha, o governador Tarcísio de Freitas afirmou que seria iniciado estudos com prazo de 12 meses sobre a extensão de 5 km de trilhos, até o presente momento sem maiores atualizações.
Já a projeção do deputado Enio Tatto, trata de um trecho de serra, com grandes desafios financeiros e de engenharia, região que inclusive já foi mencionada como possível rota do Trem Intercidades, o TIC Eixo Sul (Santos).

Outro entrave para a ideia seria o tempo de viagem, levando algumas para percorrer o trajeto com um trem que circula a até 80 km/h em trechos planos, caso do modelo atualmente em uso na Linha 9-Esmeralda, no trecho entre Varginha e Osasco.
Compartilhamento com cargas seria outro problema
A partir da região de Evangelista de Souza, a descida para o litoral compreende um trecho concedido à operadora de trem de carga, o que em uma eventual circulação de trens de passageiros, resultaria no compartilhamento da via.
Com isto, um problema parecido com o atualmente existente nas linhas 7-Rubi e 10-Turquesa apareceria, a restrição na passagem de trens de carga, intervalos maiores e entre outros desafios, como a própria eletrificação de dezenas de quilômetros de trecho.
Projeto se torna inviável
A ideia de um serviço parador em um trem regional é aventada pela Secretaria de Parcerias em Investimentos (SPI), mas no caso da Baixada Santista pesa contra o fato de não existirem localidades com demanda suficiente para justificar tal investimento.
Outro possível problema seria a concorrência com o Trem Intercidades Eixo Sul, que vai ligar a capital paulista a Santos. Ele ainda não teve o traçado definido já que vencer os cerca de 700 metros da Serra do Mar é um desafio enorme e que compromete a velocidade e o custo operacional do serviço.
Mesmo levar a Linha 9 até Parelheiros é uma ideia discutível, visto que fará o ramal levar muito tempo em cada viagem. Será necessário levantar a potencial demanda que novas estações atrairiam na região.
Além disso, o eixo do leito ferroviário que existia está bastante distante do centro de Parelheiros, o que talvez não resolvesse a questão.
