É falso que Metrô tenha iniciado desapropriações da Linha 22-Marrom

Contrato assinado pela companhia dias atrás prevê apenas avaliação de potenciais áreas a serem utilizadas no ramal que ligará Cotia à capital

Linha 22-Marrom ligará São Paulo à Cotia (Jean Carlos)
Linha 22-Marrom ligará São Paulo à Cotia (Jean Carlos)

O fenômeno do “telefone sem fio” é algo comum quando uma informação é passada de ouvido a ouvido e seu conteúdo é distorcido pelo caminho. Mas quando se trata de jornalismo, ultimamente a ‘adulteração’ da realidade é muitas vezes proposital a fim de gerar cliques na internet.

É o que sugerem publicações recentes afirmando que o ‘Metrô deu início às desapropriações para a Linha 22-Marrom’. Trata-se de informação falsa.

Os próprios artigos vistos por este site mudam o discurso no texto, afirmando que o Metrô assinou contrato para estudos sobre as áreas a serem desapropriadas, algo muito diferente de afirmar que elas já começaram. Difícil crer que o engano foi desproposital já que o título hoje é crucial para atrair cliques em redes sociais ou em feeds de celulares com Android ou iOs.

Aos fatos:

O Metrô de São Paulo firmou contrato na semana passada com a empresa CTA Consultoria Técnica e Assessoria que fará estudos técnicos voltados à avaliação de áreas que deverão ser desapropriadas para a implantação da Linha 22-Marrom.

As características preliminares da Linha 22-Marrom (Reprodução)

 O serviço inclui um laudo macro de avaliação de terrenos considerados prioritários ao longo do traçado planejado da nova linha, que deverá ligar o município de Cotia à região de Sumaré, na zona oeste da capital .

O contrato contempla áreas destinadas à implantação do Pátio Boa Vista, das futuras estações Sumaré, Faria Lima, Hebraica-Rebouças, Vital Brasil, Hospital Universitário, Rio Pequeno, Reserva Raposo e Granja Viana, além de terrenos previstos para estruturas operacionais, como ventilação e saídas de emergência.

Receba notícias quentes sobre mobilidade sobre trilhos em seu WhatsApp! Clique no link e siga o Canal do MetrôCPTM.

O valor total contratado é de R$ 56 mil. Os serviços serão executados no regime de empreitada por preço unitário e resultam na entrega de relatórios técnicos que servirão de base para a definição de valores de desapropriação necessários à implantação da infraestrutura metroviária.

 O prazo de vigência do contrato é de seis meses, enquanto o prazo de execução dos serviços é de quatro meses, contados a partir da emissão da ordem de serviço, que pode ocorrer em até 30 dias após a assinatura.

Localização das estações da Linha 22-Marrom (Jean Carlos)

De acordo com o escopo, estão previstos dez relatórios técnicos, cada um correspondente a uma região do traçado, com pesquisa de valores de mercado dos terrenos localizados no entorno das futuras estruturas da linha.

Com essas informações, a equipe de projetos deve discutir alternativas de áreas enquanto prepara o início do projeto básico, previsto para ser contratado em breve.

Ou seja, ainda não é desta vez que o governo emitirá as Declarações de Utilidade Pública (DUP), que avisam sobre os imóveis a serem desapropriados.