Estudo amplia Linha 2 do Metrô-DF para quase 80 km e 67 estações

Projeto cresceu em relação à configuração divulgada em 2025, mas GDF ainda precisa definir como financiar e contratar sua implantação

Trecho da Linha 2 na Esplanada dos Ministérios
Trecho da Linha 2 na Esplanada dos Ministérios (Metrô-DF)

O projeto da futura Linha 2 do Metrô-DF ganhou uma configuração muito maior após a conclusão dos estudos de viabilidade. A proposta agora prevê 79,8 km de extensão e 67 estações para atender regiões como Santa Maria, Gama e Recanto das Emas e estabelecer uma nova ligação com o Plano Piloto.

Os números representam uma mudança significativa em relação ao projeto conhecido até então. Quando os estudos foram iniciados, em setembro de 2025, como mostrou o MetrôCPTM, a Linha 2 era apresentada com cerca de 50 km de extensão.

Também mudou a estimativa de demanda. Em junho deste ano, o Metrô-DF trabalhava com aproximadamente 130 mil passageiros por dia e investimento entre R$ 13,4 bilhões e R$ 20,4 bilhões. O novo estudo projeta cerca de 240 mil passageiros diários e custo de R$ 20,3 bilhões.

A configuração divulgada pelo Governo do Distrito Federal prevê um eixo principal acompanhado de ramais para alcançar diferentes regiões administrativas. O projeto atenderia áreas que hoje dependem principalmente do transporte por ônibus para chegar ao Plano Piloto. O percurso é quase todo feito na superfície, em meio à largas avenidas. Um vídeo do governo mostra veículos leves sobre trilhos enquanto um trem de metrô percorre outros trechos mais centrais.

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Em maio, a governadora Celina Leão já havia afirmado que o GDF pretendia buscar financiamento internacional para construir a Linha 2. Em agosto, durante a campanha eleitoral, ela voltou a apresentar o projeto como uma das propostas para um eventual novo mandato, naquela ocasião citando investimento de aproximadamente R$ 13 bilhões.

Pacote inclui dois projetos de VLT

Alimentação por catenária deve ser usada no projeto (Metrô-DF)

A Linha 2 faz parte de um conjunto de projetos sobre trilhos que, segundo os estudos apresentados pelo governo, exigiria R$ 29,2 bilhões em investimentos.

O pacote inclui o VLT entre o Aeroporto de Brasília, a W3 e o Noroeste, agora projetado com 22,4 km e 25 paradas. A estimativa apresentada é de R$ 4,8 bilhões para sua implantação.

O projeto não é novo e já passou por diferentes estudos e configurações. A proposta atual prevê três trechos, ligando inicialmente a região da Hípica ao BSB Shopping e posteriormente avançando até o Aeroporto e o Noroeste.

Outro corredor previsto é o VLT entre Taguatinga, Ceilândia e Sol Nascente/Pôr do Sol. A configuração apresentada tem 17,5 km, 22 paradas e investimento estimado em R$ 4,1 bilhões.

O GDF já havia avançado neste ano com os estudos desse corredor. A proposta conhecida anteriormente tinha aproximadamente 15 km e utilizaria eixos como o Pistão Sul, Pistão Norte e Avenida Hélio Prates. O novo estudo amplia a extensão e detalha melhor o atendimento previsto, embora alternativas de traçado ainda estejam em avaliação.

Vídeo mostra um VLT em um trecho (Metrô-DF)

R$ 29,2 bilhões ainda precisam ser viabilizados

Apesar de o pacote ter sido apresentado como uma expansão de quase 120 km da rede sobre trilhos do Distrito Federal, os R$ 29,2 bilhões correspondem ao investimento estimado para executar os projetos e não a recursos já contratados ou integralmente assegurados.

A modelagem apresentada prevê cerca de R$ 21,6 bilhões de recursos públicos destinados principalmente às obras e aos sistemas, enquanto aproximadamente R$ 7,7 bilhões seriam aportados pela iniciativa privada para aquisição do material rodante.

No caso da Linha 2, que concentra a maior parte do investimento, o próprio governo ainda procura maneiras de financiar a implantação. Além da possibilidade de recorrer a organismos internacionais, Celina determinou estudos sobre terrenos públicos que poderiam ser utilizados para levantar recursos.

Também não há contrato para construir os quase 80 km da nova linha. A conclusão dos estudos de viabilidade representa um avanço em relação ao estágio anterior, mas o empreendimento ainda precisa passar por etapas como definição do modelo de implantação, estruturação financeira e futuras contratações.

VLT pode ser implantado entre Ceilândia e Taguatinga (Imagem gerada por IA)

Expansões menores mostram diferença de estágio

O anúncio ocorre durante a campanha eleitoral, na qual Celina Leão concorre à reeleição e já vinha apresentando a Linha 2 entre as propostas para um eventual novo mandato.

O estágio dos projetos anunciados contrasta com expansões bem menores da atual Linha 1, que já percorreram etapas necessárias para chegar às obras.

Em Samambaia, estão em andamento os trabalhos para acrescentar 3,6 km e duas estações à rede existente. Já em Ceilândia, o Metrô-DF contratou por R$ 844,49 milhões a construção de mais 2,3 km, também com duas novas estações, além de viadutos e outras estruturas.

A aquisição de 15 novos trens também se encontra em estágio mais avançado. O Metrô-DF lançou em julho a licitação para comprar 60 carros que formarão as futuras composições da Série 3000, com prazo máximo de 39 meses para fornecimento após a assinatura do contrato.

Esses projetos possuem obras, contratos ou licitações em andamento. A situação é diferente da Linha 2 e dos dois corredores de VLT incluídos no pacote de R$ 29,2 bilhões, cuja execução dependerá de recursos e contratações futuras.

O próprio cronograma apresentado pelo governo indica uma implantação mais longa do que uma conclusão integral até 2030. Para os VLTs, Celina citou horizonte de quatro a seis anos, enquanto a Linha 2 deverá ser executada por etapas, com a possibilidade de algumas estações entrarem em funcionamento antes da conclusão de todo o projeto.