Ex-diretor do Metrô foi contratado pela Agis, vencedora de licitação da Linha 19-Celeste

Paulo Sérgio Amalfi Meca participou da elaboração dos editais do ramal entre São Paulo e Guarulhos. Grupo chinês que fez menor proposta foi desclassificado pelo Metrô

A Linha 19-Celeste ligará a cidade de Guarulhos a São Paulo.
Imagem gerada por IA, de trem com destino a Guarulhos.

A contratação de um ex-diretor do Metrô de São Paulo pela empresa líder do consórcio apontado como vencedor do Lote 01 das obras da Linha 19-Celeste trouxe questionamentos ao processo de contratação das obras do novo ramal metroviário. A Agis, integrante do consórcio declarado vencedor do Lote 01, admitiu ter contratado o engenheiro Paulo Sérgio Amalfi Meca meses antes do resultado da concorrência pública, revelou o portal UOL.

Meca ocupava o cargo de diretor de engenharia do Metrô e participou da elaboração do edital que definiu as regras para a contratação das obras. Ele se aposentou da estatal em dezembro de 2024 e, no mesmo mês, foi contratado pela Agis, segundo a própria empresa.

A companhia afirmou que a contratação ocorreu após o desligamento do executivo e que segue as regras previstas na Lei das Estatais. O Metrô também negou irregularidades e disse que as decisões no processo licitatório são colegiadas e baseadas na segregação de funções.

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O ex-diretor Paulo Meca (direita) ao lado do presidente do Metrô de SP (CMSP)

O Lote 01 da Linha 19-Celeste inclui a construção de cinco estações em Guarulhos, além de poços de ventilação e emergência. É o trecho de menor valor entre os três lotes que compõem as obras do novo ramal de 17,6 km e 15 estações, projetado para ligar o centro da capital paulista ao município vizinho.

O contrato prevê escavação de túneis com o uso de tuneladora, exigência que se tornou um dos pontos mais controversos da licitação. O edital exige comprovação de experiência prévia com esse tipo de equipamento em ambiente urbano.

A disputa pelo lote foi marcada por recursos e questionamentos. O Consórcio 9 de Julho, formado pela construtora Mendes Júnior e pelas empresas chinesas YellowRiver e Highland, apresentou a menor proposta, cerca de R$ 4,98 bilhões, aproximadamente R$ 50 milhões abaixo da oferta da Agis.

Apesar disso, o grupo acabou desclassificado pelo Metrô após questionamento da concorrente sobre a comprovação de experiência com tuneladoras. O consórcio havia apresentado documentação de uma obra realizada em Changdu, na China, para comprovar a execução de escavações com TBM.

Resultado final do Lote 01 da Linha 19-Celeste (CMSP)

A estatal concluiu que o trecho apresentado não comprovava de forma objetiva a realização das obras em área urbana densamente ocupada, como exigido no edital. A análise incluiu avaliação por imagens de satélite.

A decisão levou o Consórcio 9 de Julho à Justiça. Em 25 de fevereiro, a desembargadora Tania Ahualli, do Tribunal de Justiça de São Paulo, concedeu liminar determinando que o Metrô realize diligências adicionais para verificar a documentação apresentada pelo grupo.

A decisão mantém o consórcio no processo licitatório enquanto a discussão prossegue, embora a declaração de vitória do consórcio liderado pela Agis continue válida por enquanto.

Além do Lote 01, os outros dois trechos principais da Linha 19-Celeste foram vencidos por consórcios liderados pela Odebrecht. O novo ramal deverá ligar o centro de São Paulo a Guarulhos em cerca de 35 minutos e tem demanda estimada de cerca de 630 mil passageiros por dia quando estiver em operação na próxima década.

Dados da Linha 19-Celeste (CMSP)

Obra contratada

Durante a inauguração do CCOx nesta semana, o governador Tarcísio de Freitas afirmou que as obras da Linha 19-Celeste estão ‘contratadas’, mas sem detalhar o atual estágio do processo.

A Linha 19-Celeste era cogitada como uma concessão, mas Tarcísio decidiu repassar à tarefa de implantar o ramal ao Metrô enquanto a Secretaria de Parcerias em Investimentos deve assumiu outro projeto, o da Linha 20-Rosa, e leiloá-lo como uma Parceria Público-Privada (PPP).