A Secretaria dos Transportes Metropolitanos confirmou nesta terça-feira, 26, a assinatura da ordem de serviço para execução do contrato de sistemas da Linha 17-Ouro, do Metrô. Trata-se de uma formalidade que dá início a contagem do prazo do contrato, ou seja, quando o cronograma previsto no edital passa a valer de fato. Há algumas semanas, a companhia havia assinado esse contrato com a BYD SkyRail, que foi apontada vencedora da licitação após longa disputa.

Com isso, já é possível estimar algumas datas-chave para o projeto, como a entrega do primeiro trem, que deve ocorrer em até 720 dias a contar de hoje – esse prazo é de 16 de maio de 2022. Isso significa que existiria tempo hábil para que a Linha 17 começasse a realizar seus testes ainda nesse mesmo ano, mas soa bastante improvável que o ramal de monotrilho começasse a funcionar meses depois disso.

“Com a assinatura desta ordem de serviço, queremos retomar o quanto antes as atividades para fabricar os trens que vão beneficiar a quase 200 mil pessoas todos os dias”, afirmou Silvani Pereira, presidente do Metrô – o contrato tem valor de R$ 989 milhões e prazo total de 38 meses.

Por sua complexidade, o projeto da linha deve exigir muitas horas de testes para verificar o funcionamento de diversos sistemas, seja a sinalização, portas de plataforma, comunicação, alimentação elétrica, os aparelhos de mudança de via e mesmo estratégias de emergência, seja para recolher composições ou mesmo evacuar passageiros, por exemplo.

Além disso, a BYD terá de fabricar versões do SkyRail seguindo especificações técnicas do monotrilho da Scomi, fabricante que deveria ter entregue os trens originalmente. Ao contrário, dessa primeira encomenda, que previa a finalização desses trens no Brasil, inicialmente em uma parceria com a MPE e mais tarde por meio de uma fábrica da própria Scomi, os novos monotrilhos deverão ser fabricados na China.

Baldy assina a ordem de serviço nesta terça-feira (STM)

“Água no chope”

Apesar da comemoração do governo Doria ao destravar um projeto que estava há bastante tempo atrasado, a assinatura da ordem de serviço não garante que a BYD terá caminho livre para trabalhar. A razão é que o consórcio Signalling, que fez a proposta mais barata, mas foi desclassifiado pelo Metrô, continua a tentar barrar o contrato na Justiça.

Como mostrou o site, o grupo formado pelas empresas brasileiras T´Trans e Bom Sinal e a suíça Molinari entrou com um agravo de instrumento na 2ª instância nesta semana e que será apreciado pela desembargadora Silvia Meirelles. Dependendo dos argumentos enviados por eles, a relatora pode suspender a execução do contrato se considerar que há algum possível prejuízo para o erário público.

No entanto, pesa contra o Signalling o fato de sua primeira ação ter sido completamente desqualificada pelo juiz Randolfo Ferraz de Campos em decisão tomada no final de abril.

Maquete do monotrilho SkyRail: 14 unidades para a Linha 17-Ouro (STM)