O Metrô assinou contrato com o consórcio BYD Skyrail nesta para o fornecimento de 14 trens de monotrilho além de sistemas de sinalização, portas de plataformas, entre outros, para a Linha 17-Ouro. A formalização do negócio ocorre dias depois que a Justiça de São Paulo negou liminar ao consórcio Signalling, que havia sido desclassificado após ter feito a proposta mais barata na licitação no ano passado.

O documento, que foi disponibilizado nesta quinta-feira, tem data de assinatura registrado como o dia 27 de abril, segunda-feira, na véspera da divulgação da decisão do juiz Randolfo Ferraz de Campos, que negou a liminar ao Signalling após rebater todos os argumentos do mandado de segurança impetrado pelos três sócios há uma semana. Portanto, não se sabe se a decisão já havia sido comunicada aos envolvidos antes da publicação ou se a companhia, prevendo um desfecho favorável, seguiu com os trâmites da contratação.

A assinatura encerra um longo capítulo que levou praticamente um ano para ser concluído, desde que o Metrô decidiu romper o contrato com o consórcio Monotrilho Integração no ano passado após várias idas e vindas na Justiça. Foi quando a companhia decidiu desmembrar as responsabilidades dos sucessores do consórcio, separando uma licitação para obras civis e outra para sistemas, esta lançada oficialmente em julho de 2019.

Em setembro, o Metrô postergou a sessão pública para o mês seguinte, que de fato ocorreu no dia 7 de outubro com três consórcios apresentando propostas, dois liderados por empresas chinesas, a BYD e a Chogqing CRRC, e outro formado por duas fabricantes brasileiras, a T´Trans e a Bom Sinal, associada a uma empresa suíça, a Molinari. O grupo fez a proposta mais baixa, mas somente dias depois, com a divulgação das propostas, descobriu-se que o Signalling pretendia usar o espólio da Scomi, fabricante original do monotrilho da Linha 17, para fornecer os sistemas.

Após uma longa análise dos documentos, o Metrô divulgou os resultados em fevereiro deste ano, desclassificando o Signalling por não comprovar capacidade técnica em alguns itens do edital, e por não ter patrimônio líquido suficiente para sua proposta, que deveria ser de R$ 127 milhões, mas não passou de R$ 58 milhões, segundo o Metrô. Tanto o Signalling quanto CQCT entraram com recursos administrativos para questionar a escolha da BYD, mas a companhia rejeitou os argumentos há duas semanas.

Apenas o Signalling decidiu entrar na Justiça para travar o processo até que seus argumentos fossem analisados pela Justiça. Porém, como mostrado pelo site, nenhum deles foi aceito pelo juiz.

Obra do pátio da Linha 17: licitação travada na Justiça (CMSP)

Projeto atrasado

Agora, a BYD terá pouco mais de três anos para concluir a entrega das 14 composições de cinco vagões, além de sistemas como sinalização, captação de energia, portas de plataforma, rede de fibra ótica e equipamentos como os aparelhos de mudança de via (track-switches), veículo de manuntenção e inspeção, máquina de lavar trens e bandejamento dos cabos.

O desafio é que todo esse escopo envolve a adaptação do monotrilho SkyRail aos padrões da Scomi, que projetou as vigas-trilho, pátio e outros elementos seguindo as necessidades do seu produto. Ao contrário de trens convencionais, os monotrilhos têm diferenças maiores de fabricante para fabricante.

Segundo o cronograma de datas do contrato, o primeiro trem de monotrilho terá de ser concluído 720 dias após a assinatura da ordem de serviço. Esta por sua vez tem de ser enviada até 30 dias após a assinatura do contrato, portanto, a data-limite é 27 de maio, o que faria o prazo para conclusão desse trem “cabeça de série” para maio de 2022. Já a segunda composição deverá ser entregue nas instalações do Metrô 780 dias após a ordem de serviço, ou julho de 2022. Claro, são datas teóricas e sujeitas tanto a atrasos quanto adiantamentos.

Para a BYD também será a oportunidade de implantar um sistema mais robusto e que será capaz de transportar quase 200 mil passageiros por dia. A empresa, que é conhecida pelos automóveis e ônibus, só tem dois sistemas de monotrilho em funcionamento, um dentro da sua fábrica, e outro em um parque numa cidade próxima. Além deles, a BYD venceu a licitação para o “VLT” de Salvador, uma linha que irá ligar a capital baiana a municípios vizinhos por onde hoje circula um trem da CBTU.

A Linha 17-Ouro é hoje a mais atrasada da rede metroferroviária e acaba de completar oito anos em obras. A previsão inicial era que o trecho de quase 8 km fosse entregue antes da Copa do Mundo de 2014. Desde então, o projeto teve sua conclusão postergada várias vezes. Embora a licitação de sistemas fosse a mais crítica, ainda há pendências na Justiça com a outra licitação, de obras civis, vencida pela Constran.

Ao contrário do Signalling, a Coesa Engenharia conseguiu suspender a licitação no ano passado enquanto aguardava o julgamento em 1ª instância. No então, a decisão da juíza Alexandra Araújo foi contra os argumentos da participante derrotada. O Metrô chegou a assinar contrato com a Constran, mas a Coesa entrou com recurso na 2ª instância em fevereiro e o processo segue em análise.

 

 

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