Durante o evento de inauguração das estações Sapopemba, Fazenda da Juta e São Mateus, da Linha 15-Prata, do Metrô, o governo do estado confirmou a retomada dos planos de expansão até Cidade Tiradentes e também da estação Ipiranga, na outra ponta do ramal. Segundo Alexandre Baldy, secretário dos Transportes Metropolitanos, em relação à conexão com a Linha 10-Turquesa da CPTM, “nosso desejo é que consigamos anunciar em 2020 a implementação das obras“. Já sobre o trecho após Jardim Planalto, o secretário afirmou que “os estudos mais aprofundados, seja da etapa da licitação, seja do início de obras, com o recurso financeiro necessário, também para podermos fazer até o fim do governo (2022) para haja a continuidade até a Cidade Tiradentes“.

Após ser novamente questionado sobre a extensão, Baldy foi mais claro: “é a determinação que nós tenhamos, com planejamento, com responsabilidade, para que possamos iniciar as obras, seguindo em direção até a Cidade Tiradentes até 2022“. No entanto, logo após essa declaração, o governador João Doria disse que “a orientação é para que as obras possam estar concluídas até dezembro de 2022 se não tivermos nenhuma situação de percalço ou tempo ou de engenharia ou de ordem judicial“. Evidentemente, trata-se de uma informação equivocada já que não há tempo hábil para concluir o trecho entre Jardim Colonial e Hospital Cidade Tiradentes, com suas seis estações previstas nesse curto período de tempo.

Uma informação importante acabou passando quase despercebida nesta segunda-feira, a afirmação de que a estação Jardim Colonial, 11ª da linha, será aberta no primeiro semestre de 2021. Até então, o governo apenas citava o ano de 2021 como data de conclusão sem especificar um período mais preciso. Contratada em maio, a obra tem prazo de 28 meses de entrega, ou seja, todos os serviços precisarão estar concluídos até setembro daquele ano. Como o ritmo das obras é bom, parece plausível esperar pela extensão dentro de pouco mais de um ano.

Retomada

A revelação de que a gestão Doria pretende retomar os planos de expansão da Linha 15-Prata surgem em um momento em que indícios dessa intenção já começavam a se tornar mais claros. Em setembro, o Metrô reativou um contrato de 2016 para execução do projeto básico da estação Ipiranga e confirmou ao site a intenção de levar o ramal até lá.

Mas foi em novembro que o governo deixou claro que a Linha 15 avançaria além das onze estações atuais. Um aditivo do contrato com o Consórcio Expresso Monotrilho Leste (CEML) da ordem de R$ 66 milhões foi assinado com importantes mudanças no projeto que incluem a extensão das vias após Vila Prudente e Jardim Colonial assim como um desmembramento das fases de forma a permitir que seja possível lançar licitações de estações em pequenos grupos até chegar à Hospital Cidade Tiradentes.

Em outras palavras, o que o secretário Baldy parece ter deixado entendido é que, desde que haja recursos para tanto, será possível licitar a estação Ipiranga no ano que vem desde que o projeto básico esteja pronto. E também que será possível seguir adiante após Jardim Colonial, talvez licitando as estações restantes em um bloco ou dividindo esse trecho em mais fases a ponto de até 2022 as obras estejam encaminhadas nas etapas faltantes.

Fato é que, além de Jardim Colonial, nenhuma outra estação tem grandes chances de ser entregue nesta administração afinal são várias etapas burocráticas até que o primeiro canteiro de obras seja de fato instalado. Mas será um grande avanço se Doria conseguir viabilizar o restante do ramal de monotrilho, cujo projeto foi lançado há exata uma década.

Quando chegar no seu formato definitivo, a Linha 15-Prata poderá transportar mais de 600 mil passageiros por dia, afirmou o governo. É a quantidade de pessoas que hoje circula na Linha 5-Lilás, um metrô pesado, para se ver como as pregações sobre a incapacidade do monotrilho como transporte de massa não passavam de um blefe de quem apoia outros modais.

Em tempo: outra afirmação repetida à exaustão nos últimos anos, a de que o custo do monotrilho é muito alto, também perde sentido quando se chega a valor gasto por quilômetro da Linha 15, de cerca de R$ 346 milhões contra mais de R$ 800 milhões de um metrô subterrâneo – em uma estimativa otimista.

Com suas 18 estações, Linha 15-Prata deve transportar mais de 600 mil pessoas por dia