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Governo do estado quer iniciar obras da estação Ipiranga em 2020 e viabilizar a extensão para Cidade Tiradentes até 2022

Enquanto o secretário Alexandre Baldy condicionou avanço da Linha 15-Prata às condições futuras, governador João Doria deu declaração dúbia em que prometeu conclusão dentro de três anos
Estação São Mateus: depois de várias promessas, inauguração enfim (GESP)

Durante o evento de inauguração das estações Sapopemba, Fazenda da Juta e São Mateus, da Linha 15-Prata, do Metrô, o governo do estado confirmou a retomada dos planos de expansão até Cidade Tiradentes e também da estação Ipiranga, na outra ponta do ramal. Segundo Alexandre Baldy, secretário dos Transportes Metropolitanos, em relação à conexão com a Linha 10-Turquesa da CPTM, “nosso desejo é que consigamos anunciar em 2020 a implementação das obras“. Já sobre o trecho após Jardim Planalto, o secretário afirmou que “os estudos mais aprofundados, seja da etapa da licitação, seja do início de obras, com o recurso financeiro necessário, também para podermos fazer até o fim do governo (2022) para haja a continuidade até a Cidade Tiradentes“.

Após ser novamente questionado sobre a extensão, Baldy foi mais claro: “é a determinação que nós tenhamos, com planejamento, com responsabilidade, para que possamos iniciar as obras, seguindo em direção até a Cidade Tiradentes até 2022“. No entanto, logo após essa declaração, o governador João Doria disse que “a orientação é para que as obras possam estar concluídas até dezembro de 2022 se não tivermos nenhuma situação de percalço ou tempo ou de engenharia ou de ordem judicial“. Evidentemente, trata-se de uma informação equivocada já que não há tempo hábil para concluir o trecho entre Jardim Colonial e Hospital Cidade Tiradentes, com suas seis estações previstas nesse curto período de tempo.

Uma informação importante acabou passando quase despercebida nesta segunda-feira, a afirmação de que a estação Jardim Colonial, 11ª da linha, será aberta no primeiro semestre de 2021. Até então, o governo apenas citava o ano de 2021 como data de conclusão sem especificar um período mais preciso. Contratada em maio, a obra tem prazo de 28 meses de entrega, ou seja, todos os serviços precisarão estar concluídos até setembro daquele ano. Como o ritmo das obras é bom, parece plausível esperar pela extensão dentro de pouco mais de um ano.

Retomada

A revelação de que a gestão Doria pretende retomar os planos de expansão da Linha 15-Prata surgem em um momento em que indícios dessa intenção já começavam a se tornar mais claros. Em setembro, o Metrô reativou um contrato de 2016 para execução do projeto básico da estação Ipiranga e confirmou ao site a intenção de levar o ramal até lá.

Mas foi em novembro que o governo deixou claro que a Linha 15 avançaria além das onze estações atuais. Um aditivo do contrato com o Consórcio Expresso Monotrilho Leste (CEML) da ordem de R$ 66 milhões foi assinado com importantes mudanças no projeto que incluem a extensão das vias após Vila Prudente e Jardim Colonial assim como um desmembramento das fases de forma a permitir que seja possível lançar licitações de estações em pequenos grupos até chegar à Hospital Cidade Tiradentes.

Em outras palavras, o que o secretário Baldy parece ter deixado entendido é que, desde que haja recursos para tanto, será possível licitar a estação Ipiranga no ano que vem desde que o projeto básico esteja pronto. E também que será possível seguir adiante após Jardim Colonial, talvez licitando as estações restantes em um bloco ou dividindo esse trecho em mais fases a ponto de até 2022 as obras estejam encaminhadas nas etapas faltantes.

Fato é que, além de Jardim Colonial, nenhuma outra estação tem grandes chances de ser entregue nesta administração afinal são várias etapas burocráticas até que o primeiro canteiro de obras seja de fato instalado. Mas será um grande avanço se Doria conseguir viabilizar o restante do ramal de monotrilho, cujo projeto foi lançado há exata uma década.

Quando chegar no seu formato definitivo, a Linha 15-Prata poderá transportar mais de 600 mil passageiros por dia, afirmou o governo. É a quantidade de pessoas que hoje circula na Linha 5-Lilás, um metrô pesado, para se ver como as pregações sobre a incapacidade do monotrilho como transporte de massa não passavam de um blefe de quem apoia outros modais.

Em tempo: outra afirmação repetida à exaustão nos últimos anos, a de que o custo do monotrilho é muito alto, também perde sentido quando se chega a valor gasto por quilômetro da Linha 15, de cerca de R$ 346 milhões contra mais de R$ 800 milhões de um metrô subterrâneo – em uma estimativa otimista.

Com suas 18 estações, Linha 15-Prata deve transportar mais de 600 mil pessoas por dia

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Ricardo Meier

É um entusiasta do assunto mobilidade e sobretudo do impacto positivo que o transporte sobre trilhos pode promover nas grandes cidades brasileiras. Também escreve nos sites Airway (aviação) e AUTOO (automóveis).

9 Comentários

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    • Renato, boa noite.

      Esse número diz respeito a estimativa baseada na demanda da região, isto é, esse é o número de pessoas que poderão usar o monotrilho, isso não significa que seja o teto de transporte do modal que não se esgota nesse número. Não há perigo algum nessa questão. Pode ficar tranquilo com esse aspecto pois o Metrô não projeta uma linha baseada tão somente na demanda da data de inauguração do trecho, mas leva em conta a expectativa de crescimento de demanda no decorrer das próximas décadas pois, como todos sabemos, as regiões lindeiras se desenvolvem enormemente após a inauguração de uma linha de Metrô. A única questão é que o governo precisa se mexer para levar o Monotrilho até o Ipiranga e com a chegada da L2 até a Penha, estender a L5 até Ipiranga e Anália Franco.
      Ademais, há a expectativa do segundo pátio ser licitado ano que vem junto com as outras duas estações após Jardim Colonial, podendo já estar incluso a aquisição de mais trens da Bombardier (quem sabe totalizando os 54 trens previstos para o trecho Ipiranga-Tiradentes).

      Torçamos para que tudo saia do papel e a Zona Leste seja finalmente atendida por uma malha metroviária digna de respeito.

      Abraços.

  • Até o Ipiranga eu acredito, o trecho não é tão longo assim, mas “viabilizar” para que chegue até a Cidade Tiradentes parece mais aquela típica promessa eleitoreira, como o Doria prometeu a Linha Bronze durante a campanha e deu no que deu.

  • Importante conquista da população da Zona Leste, na qual me incluo. Agora acompanhar e cobrar o governo pra que não fique apenas nas promessas, mais de fato cumpra os compromissos divulgados.

  • Moro nessa região, impossível chegar em 2022. A Ragueb do cruzamento com Aricanduva até a jacu pêssego, é estreita, e não têm canteiro central.O certo seria estender a avenida Aricanduva até cidade Tiradentes, em paralelo com a Ragueb. O terminar São Mateus já não atende a demanda sem o monotrilho, quando funcionar plenamente, será o caos do caos. O largo de São Mateus precisa ser remodelado , e a Sptrans realizar estudos pra melhorar a oferta de ônibus TB

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