Foi no dia 08 de dezembro de 2009 que o governo do estado anunciou que um monotrilho ligaria Vila Prudente a Cidade Tiradentes. Na época, por uma questão legal, a extensão foi chamada de Linha 2 e mais tarde alterada para Linha 15-Prata. A justificativa para a adoção do modal era a da construção em menos tempo por conta da “dispensa da necessidade de escavações e diminuição das desapropriações” além de estudos mostrarem que “a utilização de monotrilho no referido corredor produz benefícios muito superiores aos apresentados por corredores de ônibus. Dentre eles, o diretor destaca o conforto, a velocidade média e a confiabilidade“, dizia o comunicado de imprensa.

Dez anos depois, no entanto, as previões otimistas ficaram pelo caminho. No anúncio, o governo Serra prometia que a conclusão de toda a obra ocorreria em 2012. “As obras de prolongamento começarão pelo trecho Vila Prudente até Oratório, de 2,4 quilômetros, que será entregue em 2010. A segunda fase, até São Mateus, num total de 10,4 quilômetros, tem previsão de entrega para 2011“, explicava o texto do anúncio.

Com o não cumprimento da promessa de seu antecessor, em fevereiro de 2012, o então governador Geraldo Alckmin prometeu novos prazos:  “Nós vamos entregar o ano que vem Oratório: estação e pátio. Aliás duas estações: estação Vila Prudente e a estação Oratório. Depois, 2014, mais oito estações. Chegaremos a São Mateus. Então, já temos aí 10 estações. E ficam mais sete pra 2016”, declarou Alckmin após visitar as obras.

Acesso da estação São Mateus (GESP)

No entanto, apenas nesta segunda-feira, 16 de dezembro de 2019, a promessa de levar o monotrilho até São Mateus enfim será cumprida, oito anos após a primeira previsão e cinco anos depois da segunda. Quanto ao trecho até Cidade Tiradentes, ninguém ainda sabe dizer quando e se ocorrerá.

Graças às três novas estações que estão sendo entregues – Sapopemba, Fazenda da Juta e São Mateus -, a Linha 15-Prata ganhará 3,9 km e fará com que a rede de metrô atinja um total de 101,1 km de extensão e 89 estações em seis diferentes linhas. A estimativa é que mais de 300 mil pessoas devem ser beneficiadas diariamente.

As três estações funcionarão nesta segunda a partir do meio-dia, após o evento de inauguração, mas a partir desta terça-feira elas abrirão às 10 horas e fecharão às 15 horas com cobrança de tarifa, a chamada operação reduzida. Segundo declarou o secretário dos Transportes Metropolitanos, Alexandre Baldy, em redes sociais, o funcionamento em horário pleno deve ocorrer a partir de janeiro.

Parque de diversões ou transporte de massa?

A Linha 15 então terá o desafio de dar conta de uma demanda bastante elevada em um região carente de transporte público de qualidade. A viagem, mais veloz, ainda precisa se mostrar confortável e sobretudo confiável, algo que o monotrilho ainda está devendo com seguidas falhas desde que foi aberto em 2014.

A ironia a respeito do modal é que sua construção, tida como veloz e mais barata, somente agora tem comprovado essa afirmação. A estação Jardim Colonial, atualmente em construção, deve ser entregue em 2021 e tem avançado de forma bastante rápida, o que demonstra que o problema nesses 10 anos de espera esteve mais ligado à uma gestão deficiente do projeto, que não detectou problemas com um córrego no trecho da avenida Anhaia Mello, além de empresas que não concluíram seus trabalhos, do que com a viabilidade em si da tecnologia. Quando à operação em si, com as 10 estações será possível julgar se o monotrilho é um modal válido para as cidades brasileiras ou, como muitos críticos afirmam há tempos, um sistema que só funciona em parques de diversões.

Bloqueios da estação São Mateus (GESP)