Governo Doria põe culpa em associação pelas falhas do cartão TOP

Novo sistema digitalizado de gestão de bilhetes envolve totens de autoatendimento, cartão e aplicativo fornecidos pela Autopass por meio de um convênio com a ABASP, empresa privada que foi escolhida sem licitação
Bloqueios com publicidade ostensiva do TOP: recuo do governo Doria (Jean Carlos)

Pressionado pelas constantes falhas na venda de bilhetes desde que foi lançado o cartão TOP em outubro, o governo Doria escolheu um culpado para o mau funcionamento do sistema disponibilizado pela empresa Autopass, a Associação de Apoio de Estudo da Bilhetagem e Arrecadação nos Serviços Públicos de Transporte Coletivo de Passageiros do Estado de São Paulo.

Embora não cite textualmente a associação sem fins lucrativos, nota da Secretaria dos Transportes Metropolitanos divulgada nesta quarta-feira afirma que a notificou na noite da terça-feira “a prestar esclarecimentos nas próximas 72h para resguardar o interesse público ao acesso ao transporte metropolitano”.

A STM informou ainda que estabeleceu um comitê de monitoramento para acompanhar a implantação do bilhete TOP, lançado como alternativa para substituir outro cartão, o BOM, que deixará de funcionará em janeiro, e todas as bilheterias do Metrô e CPTM.

No entanto, matéria veiculada pela TV Globo nesta terça-feira afirma que o governo desistiu de fechar os guichês até o final de dezembro, mas sem informar uma data exata de quando isso ocorrerá. Até aqui apenas três estações tiveram as bilheterias extintas.

Novo sistema fornecido pela Autopass foi contratado por intermédio de associação privada (Jean Carlos)

O anúncio do fim das bilheterias no sistema de transporte sobre trilhos foi feito de surpresa pelo ex-secretário dos Transportes Metropolitanos Alexandre Baldy em 4 de outubro. Sem precisar um cronograma, o antigo responsável pela pasta prometeu concluir o processo até o final de dezembro, a despeito de toda a complexidade.

Durante a inauguração da estação João Dias, o governo fez ampla divulgação do TOP, mas seguiu sem informar quando as demais bilheterias do sistema seriam fechadas.

Nesse meio tempo, no entanto, tanto as máquinas de autoatendimento quanto o aplicativo passaram a apresentar constantes falhas, criando filas enormes nas estações. Apesar disso, o atual secretário Paulo Galli afirmou ao site G1 se tratar apenas de uma questão de “curva de aprendizado”.

Bilheteria blindada é uma das novidades
Bilheterias seguem funcionando enquanto governo tenta resolver problemas com o TOP

Intermediação entre o privado e o público

Por razões pouco claras, o governo Doria decidiu que o Metrô e a CPTM passassem a ser membros da “Associação de Apoio de Estudo da Bilhetagem e Arrecadação nos Serviços Públicos de Transporte Coletivo de Passageiros do Estado de São Paulo“, uma entidade sem fins lucrativos de composição desconhecida, mas que envolveria operadores de transporte público, sobretudo empresas de ônibus.

A empresa privada possui apenas um perfil na rede social Linkedin e um endereço na internet que não funcionava até a publicação desse artigo. A ABASP tem como diretor executivo Daniel Bulha de Carvalho desde junho do ano passado.

Com a filiação, o governo do estado paga à ABASP um valor de 11 centavos por cada bilhete vendido, que por sua vez tem o contrato firmado com a Autopass. Embora seja classificada como uma entidade sem fins lucrativos, a associação age como intermediária privada na prestação de um serviço público, evitando assim a necessidade de ter sido realizada uma licitação pública para escolha do fornecedor do sistema.

A Autopass, como o site mostrou, foi criada em 2004 e tem entre seus sócios José Romano Netto, filho de Maria Beatriz Setti Braga, empresária que comanda as principais empresas de ônibus do ABC Paulista, entre elas a concessionária Metra, que opera o Corredor ABD, da EMTU.

Total
16
Shares
5 comments
  1. Ou seja tudo esquema de lavagem de dinheiro, se quisessem mesmo facilitar fariam que nem é nos países desenvolvidos aonde se paga por aproximação.

  2. Cara, quanta sujeeiraaaaa!!!! O Baldy e suas negociações suspeitas com a METRA estão destruindo o transporte público de São Paulo!! Pra que uma organização sem fins lucrativos na bilhetagem do transporte publico?????

  3. eu já tinha dito isso lá atrás quando o governo disse que fecharia as bilheterias: esquema para favorecer a autopass.

    esse governo nao dá um ponto sem nó. sempre faz algo para favorecer algum empresario.

    no caso da familia dos donos da metra, não é de se esperar a ligaçao estreita com o doria. até linha de metrô cancelaram. e o bonitão do calça apertada de braços dados com as donas da metra.

  4. Como é bom ter poder, inventa um esquema pra desviar dinheiro, dá errado, então inventa uma associação e joga a culpa nela.

Comments are closed.

Previous Post

Metrô terá que recontratar empresa que fará ligação elétrica da Linha 17-Ouro

Next Post

Metrô quer usar realidade aumentada em sua operação e manutenção

Related Posts