A “fábrica” dos túneis da Linha 6-Laranja vista do alto

Localizada em Perus, próximo ao Rodoanel, instalação da Acciona é responsável pela fabricação dos anéis de concreto que revestirão cerca de 14,7 km de túneis a serem escavados pelos dois tatuzões
A fábrica de aduelas da Linha 6-Laranja (iTechdrones)

A cerca de 11 km do VSE Tietê, canteiro de obras de onde partirão os dois “tatuzões” da Linha 6-Laranja, é realizado um trabalho metódico e extremamente importante para que o ramal de Metrô fique pronto em 2025.

No local funciona a fábrica de aduelas, uma linha de montagem capaz de produzir os anéis de concreto que serão usados para revestir os túneis abertos pelos shields operados pela Acciona, construtora que assumiu a responsabilidade pelo projeto no ano passado.

Parceiro do site, o canal iTechdrones sobrevoou com seu drone a enorme instalação, localizada em Perus, bem próximo à ligação entre o Rodoanel Oeste e o Rodoanel Norte, ainda em construção (assista abaixo).

O panorama pouco mudou no local nos últimos cinco anos, desde que a Move São Paulo, a primeira concessionária da Linha 6, suspendeu seus trabalhos. A fábrica acumula dezenas de anéis prontos e empilhados desde 2016 e que deverão começar a deixar a área no ano que vem, quando as tuneladoras começarem a avançar sobre o subsolo da região noroeste da capital.

Um dos anéis montados no solo: diâmetro de 10,55 m (iTechdrones)

Estima-se que 7.700 anéis serão produzidos ali até a conclusão dos 14,7 km previstos de túneis abertos pelos dois tatuzões (uma pequena parte também será escavada por outros métodos).

Os anéis de concreto possuem cerca de 10,55 m de diâmetro externo e 9,41 m de diâmetro interno, suficiente para receber duas vias paralelas de trilhos. Eles são formados por nove segmentos feitos sob medida para que sejam encaixados pelo “tatuzão” enquanto ele escava o terreno à frente. Por conta disso, cada elemento possui um código próprio para que não ocorra nenhum tipo de problema.

Um desses anéis aparece no vídeo montado no solo ao lado de outros conjuntos concluídos anos atrás. As imagens do canal também flagraram uma parte da roda de corte de um dos shields (cor laranja) que foi levado a Perua por razões ignoradas.

Uma parte da roda de corte do tatuzão (cor laranja) apareceu na fábrica de aduelas (iTechdrones)

Recorde mundial

Se seguir o mesmo processo de outras escavações realizados pelos TBM (sigla do nome técnico do tatuzão ou Tunnel Bore Machine), esses aneis de concreto serão levados por caminhão até o VSE Tietê onde serão içados até o fundo do poço. De lá eles seguirão ao encontro da tuneladora por meio de pequenas locomotivas de carga.

A média de avanço das escavações de tuneladoras é de 15 metros por dia, mas a Acciona tem usado como exemplo o trabalho realizado por ela nas obras do metrô de Quito, onde obteve o recorde mundial ao escavar quase 1.500 metros em apenas 30 dias. Trata-se de uma média de quase 49,7 metros por dia.

A fábrica de Perus certamente terá muito trabalho pela frente nos próximos meses.

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    1. Obrigado, Rudi. Imagine um shield escavando 15 km por dia…dáva para escavar um túnel até a Europa…rs

  1. Se considerar essa visão otimista de escavar 1,5 km por mês, e com dois tatuzões, em menos de um ano teríamos toda a linha escavada! Espero que a Acciona tenha essa visão aqui na mesma forma que tiveram no Equador.

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