Um mês após fechar primeiras bilheterias, passageiros do Metrô e CPTM convivem com falhas em bilhete TOP

Segundo reportagem do site G1, usuários têm relatado instabilidade no aplicativo e indisponibilidade de totens funcionando, que são operados pela empresa Autopass, contratada indiretamente pelo estado
Bilheteria convertida em loja do cartão TOP (Jean Carlos)

Pouco mais de um mês após encerrar o funcionamento das bilheterias das estações Granja Julieta (Linha 9) e Belém (Linha 3), a Secretaria dos Transportes Metropolitanos (STM) ainda não revelou detalhes do cronograma que prevê o fechamento de todos os guichês na malha metroferroviária de São Paulo.

Segundo comunicado enviado pela pasta no dia 21 de outubro, “a substituição das demais bilheterias deverá ocorrer até o final de 2021. O cronograma será divulgado em breve pela Secretaria de Transportes Metropolitanos“.

O site questionou a secretaria nesta manhã sobre uma previsão atualizada de encerramento e se a meta permanecia ainda como dezembro deste ano, mas não teve resposta até a publicação deste artigo.

Enquanto isso, passageiros têm relatado problemas em utilizar os totens e o aplicativo e cartão TOP, alternativas apontadas pela gestão Doria como substitutas dos bilhetes comprados nas bilheterias.

Segundo reportagem do site G1, o bilhete TOP tem acumulado reclamações de usuários por conta de instabilidades no aplicativo. Há mensagens de indisponibilidade como “aguardando manutenção” durante as tentativas de compra de passagens, por exemplo.

Além disso, vários relatos em redes sociais mostram máquinas de autoatendimento com problemas. Para os usuários que utilizam dinheiro em espécie e não têm conta digital no TOP é preciso procurar estabelecimentos conveniados na região das estações.

O TOP foi lançado durante a inauguração da estação João Dias, da Linha 9-Esmeralda, da CPTM. A parada, que chegou a ter uma bilheteria implantada, acabou tendo o espaço convertido para venda do cartão.

O governo tem divulgado que o cartão possibilita a integração de funcões de pagamento de transporte, débito e crédito. Para isso, o interessado precisa solicitar o cadastro via aplicativo e então comparecer a uma loja de rede Pernambucanas com RG e CPF.

Contrato tortuoso

O governo João Doria tem bancado o TOP como solução para os altos custos do sistema de bilhetagem, que incluía os bilhetes Edmonson e a operação das bilheterias manuais. O processo teve início com a adoção dos bilhetes QR Code, impressos ou por meio de um aplicativo fornecido pela empresa Autopass.

Cartão TOP é um serviço fornecido pela empresa Autopass, que tem contrato com uma associação sem fins lucrativos (Jean Carlos)

Fundada em 2004, a Autopass foi criada para gerenciar os serviços eletrônicos de controle de bilhetagem de empresas de ônibus ligadas à EMTU e mais tarde passou a prestar serviços também para Metrô e CPTM – o mais conhecido produto é o BOM, que está sendo substituído pelo TOP.

A atual gestão, no entanto, decidiu ampliar o escopo de atuação da empresa. Para isso as companhias ligadas à STM se juntaram em 2019 à “Associação de Apoio de Estudo da Bilhetagem e Arrecadação nos Serviços Públicos de Transporte Coletivo de Passageiros do Estado de São Paulo – ABASP”, uma entidade sem fins lucrativos que tem o contrato com a Autopass para operação do TOP e outros serviços.

Segundo as demonstrações contábeis de 2019/2020 da Autopass, “Em 24 de abril de 2020, a Companhia firmou contrato de prestação de serviços com a Associação de Apoio e Estudo da Bilhetagem e Arrecadação nos Serviços Públicos de Transporte de Passageiros do Estado de São Paulo (ABASP) para implantar, operar, manter e ampliar a Bilhetagem Eletrônica da ABASP, em benefício de suas associadas, pelo prazo de 20 anos, se tornando o principal contrato da Companhia“. A ABASP, por sua vez, recebe uma participação de R$ 0,1104 por bilhete vendido.

O caminho tortuoso escolhido pelo governo foi contestado pelo Ministério Público em ação no Tribunal de Contas do Estado. No entanto, a entidade não viu irregularidades na falta de concorrência pública para contratação dos serviços e arquivou o processo.

A Autopass tem entre seus sócios José Romano Netto, da família Setti Braga, que controla o transporte coletivo no ABC Paulista (Bruna Cardoso Lopes/CC)

Família Setti Braga

A composição acionária da Autopass S.A é bastante complexa. Originalmente, a empresa era controlada pela Interpass Participações, que tinha entre seus sócios José Romano Netto, filho de Maria Beatriz Setti Braga, empresária que comanda as principais empresas de ônibus do ABC Paulista, entre elas a concessionária Metra, que opera o Corredor ABD, da EMTU.

Recentemente a Metra foi beneficiada pelo governo Doria com um aditivo contratual de cerca de R$ 20 bilhões para implantar o BRT ABC e que é questionado na Justiça sob o argumento de burlar a necessidade de uma nova licitação.

Em 2016, a Interpass repassou sua participação societária na Autopass para a Mondopass S.A. A nova empresa, no entanto, é controlada pela Mondo Holding, também dirigida pelo mesmo José Romano Netto.

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  1. Um sistema porco e mau administrado. Normalmente de 6 máquinas/terminais: 3 estão sem papel, 2 travadas e 1 funcionando.

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