Governo fará empréstimo para levar Linha 9-Esmeralda no sentido da Barra Funda
Recursos serão usados para construção de um viaduto ferroviário entre as estações CEASA e Imperatriz Leopoldina, além de modernização do sistema de sinalização
A despeito de o contrato de concessão das linhas 8-Diamante e 9-Esmeralda com a ViaMobilidade ter sido assinado em 2021 e ter um prazo de 30 anos, o cenário desenhado anos atrás para os dois ramais de trens metropolitanos está em meio a mudanças importantes.
A atual gestão do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) pretende implantar projetos para tornar as linhas antigamente operadas pela CPTM mais eficientes e atraentes.
Entre as iniciativas está a substituição do sistema de sinalização ATC pelo mais moderno e versátil ETCS N2 (Sistema de Controle de Trens Europeu de Nível 2).
A tecnologia de código aberta foi escolhida para ser implantada em todas as linhas de trens metropolitanos a fim de que os serviços possam ser compartilhados em todas as vias.

Em outras palavras, o que se espera é que trens de uma operadora circulem por trechos de outra concessionária, criando assim mais possibilidade de viagem e otimizando o uso da infraestrutura.
Um exemplo está na própria concessão hoje nas mãos da ViaMobilidade. O governo quer que a Linha 9-Esmeralda possa seguir não apenas na direção de Osasco, mas também até Barra Funda.
Viaduto ferroviário para conectar as linhas 8 e 9
Para viabilizar essa opção, no entanto, será preciso construir um viaduto ferroviário onde as linhas 9 e 8 se encontram, próximo ao Centro de Detenção Provisória de Pinheiros (veja infográfico).
Ali hoje existe uma via singela de serviço que permite que as composições possam mudar de ramal sem necessidade de seguir até Osasco.
Para que a operação seja possível no entanto, a ideia é que o viaduto conecte a segunda via aos trilhos da Linha 8-Diamante no sentido de Barra Funda.

BNDES pode financiar R$ 550 milhões para o projeto
Sinal que não se trata apenas de estudos é que o governo do estado já protocolou um pedido de financiamento de R$ 550 milhões junto ao BNDES em setembro.
A solicitação, que está em análise no momento, prevê justamente tirar do papel o sistema ETCS N2 em ambas as linhas e elaborar o estudo para construir o viaduto entre as estações CEASA (L9) e Imperatriz Leopoldina (L8).
Como já antecipado por este site, um aditivo na concessão atual deverá ser assinado em breve para que a ViaMobilidade compense a supressão de alguns investimentos do contrato com a implantação desses novos projetos.
Não se trata, contudo, de algo de curto prazo, portanto é provável que as mudanças, bem-vindas, só devam se materializar no final da década.
