Governo federal aponta trem regional entre Brasília e Luziânia como prioridade

Gestão Lula quer leiloar concessão da ferrovia de passageiros em 2026. Outros seis projetos estão em estudo

Trem regional entre Luziânia e Brasília deve ser lançado em 2026
Trem regional entre Luziânia e Brasília deve ser lançado em 2026 (Imagem gerada por IA)

O governo federal ‘acordou’ para o trem regional de passageiros após décadas em que o modal foi aos poucos abandonado por uma política rodoviarista que extingiu as ferrovias do tipo no Brasil.

Após revelar planos para lançar sete serviços do gênero pelo país, a gestão Lula quer apressar o leilão do primeiro deles, uma ferrovia entre Brasília e a cidade goiana de Luziânia.

A concessão deve ser oferecida à iniciativa privada ainda em 2026, revelou o jorna O Globo. Os estudos estão na fase final e uma consulta pública deve ser lançada ainda neste ano.

Outros dois projetos estariam adiantados também, uma linha entre Salvador e Feira de Santana, na Bahia, e uma ferrovia entre Maringá e Londrina, no Paraná.

Em recente apresentação, o Ministério dos Transportes chegou a citar o projeto do Trem Intercidades entre São Paulo e Campinas como exemplo de modelagem.

Percurso sugerido para o trem entre Luziânia e Brasília (UniCEUB)

Ou seja, o governo federal quer permitir fontes de receitas diversificadas para que a concessionária não dependa da demanda de passageiros – e consequentemente da tarifa – para ser atraída pelo projeto.

A ideia é aproveitar o potencial imobiliário do trajeto para o lançamento de projetos como galpões de logística, prédios corporativos e moradias.

As sete linhas previstas incluem ainda Pelotas-Rio Grande (RS), Duque de Caxias-Itaboraí-Niterói (RJ), São Luís-Itapecuru Mirim (MA) e Fortaleza-Sobral (CE) aproveitando faixas de domínio desativadas ou sub-utilizadas para uso de carga.

Do trem bala a ferrovias de demanda questionável

A retomada do interesse pelo transporte ferroviário intercidades de passageiros ocorre após o fracasso do projeto do Trem de Alta Velocidade (TAV), entre Campinas, São Paulo e Rio de Janeiro, lançado durante os primeiros mandatos de Lula e da presidente Dilma Rousseff.

A iniciativa estatal até deu lugar a criação de um empresa para esse fim, mas o alto custo do projeto e vários aspectos poucos claros não atraíram a iniciativa privada.

O foco em trens regionais parece acertado, porém, tratam-se de eixos de demanda questionável, em alguns casos.

Serviços do TIC Sorocaba: demanda de 46 mil passageiros por dia (GESP)

Segundo o O Globo, a ferrovia entre Luziânia e Brasília poderia atender de 20 mil a 25 mil pessoas diaramente. Trata-se de metade da demanda prevista para o Trem Intercidades entre São Paulo e Sorocaba (TIC Eixo Oeste), que é de 46 mil usuários por dia em 2041.

As duas cidades no centro oeste estão distantes cerca de 50 km e, a despeito da população residente, não está claro se haveria adesão ao meio ferroviário a não ser com tarifas muito baixas e um serviço bastante eficiente.

A opção por focar nas ferrovias regionais também contrasta com o fato de algumas das maiores metrópoles brasileiras ainda não disporem de metrô ou trens metropolitanos, como é o caso de Curitiba, Florianópolis e Goiânia, sem falar em capitais que possuem uma infraestrutura aquém da necessária como Recife.