Greve paralisa Metrô do Recife e afeta mais de 160 mil passageiros nesta segunda

Funcionários cruzam os braços após incêndio e alegam riscos crescentes à segurança; operação segue indefinida, com equipes de plantão nas instalações.

Trens do Metrô do Recife (CBTU)
Trens do Metrô do Recife (CBTU)

Metroviários do Recife iniciaram greve nesta segunda-feira (3), suspendendo a operação do sistema de trens urbanos e impactando o deslocamento de ao menos 160 mil pessoas. A paralisação ocorre após meses de tentativas de negociação frustradas entre o sindicato e a Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU), responsável pela operação.

A categoria reivindica melhorias estruturais e aponta risco à segurança dos usuários, agravado por um incêndio recente em um dos vagões. ‘A paralisação é uma medida de necessidade, não de vontade própria, visando garantir a segurança da população que depende do transporte sobre trilhos’, disse Luiz Soares, presidente do Sindmetro-PE.

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O incêndio, causado por um curto-circuito nas proximidades da Estação Alto do Céu, paralisou o Ramal Camaragibe por uma semana e elevou as preocupações sobre o estado de conservação dos trens.

O sindicato atribui o sucateamento à falta de investimentos e acusa o governo federal de promover a deterioração como forma de viabilizar a privatização. ‘A deterioração é proposital e para convencer a população de que a privatização seria a melhor saída’, afirmou Thiago Mendes, vice-presidente do Sindmetro-PE.

Mapa de estações do Metrô do Recife (CBTU)

Em maio, o governo federal autorizou a concessão do metrô do Recife à iniciativa privada, mas o processo administrativo ainda não foi iniciado, com previsão de leilão para 2026. Enquanto isso, o sistema segue operando com cerca de 160 mil passageiros diários e sob crescente pressão por soluções estruturais.

Durante o movimento grevista, equipes de plantão permanecem nas instalações para garantir a segurança do patrimônio e dos equipamentos. Não há confirmação da CBTU sobre eventuais operações emergenciais ou linhas em funcionamento parcial.

A greve ocorre em um momento de indefinição sobre o futuro do sistema, em meio a discussões sobre concessão e desafios de manutenção. O impasse evidencia o desgaste nas relações entre trabalhadores e a gestão federal do serviço.