Iphan aprova programa arqueológico para expansão do Metrô de Salvador até Campo Grande
Autorização publicada no Diário Oficial da União permite executar trabalhos de salvamento e monitoramento arqueológico no Tramo IV da Linha 1
O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) aprovou o Programa de Gestão do Patrimônio Arqueológico do Tramo IV da Linha 1 do Metrô de Salvador. A autorização foi formalizada pela Portaria nº 99, de 8 de outubro de 2026, publicada no Diário Oficial da União desta sexta-feira (9).
O Tramo IV corresponde ao prolongamento subterrâneo da Linha 1 entre a atual estação terminal Lapa e a futura estação Campo Grande, no centro da capital baiana. A expansão terá cerca de 1,1 km de extensão e previsão de conclusão no segundo semestre de 2029.
O projeto é executado pela Companhia de Transportes do Estado da Bahia (CTB) e inclui a construção de uma estação próxima ao Teatro Castro Alves, além de túneis e estruturas auxiliares de ventilação e saída de emergência.
A aprovação do Iphan permite a execução dos trabalhos arqueológicos necessários à continuidade das intervenções. Segundo a CTB, a medida não exige alterações no projeto nem no cronograma das obras.
Mapa do Metrô de Salvador com a localização da estação Campo Grande (Arte de MetrôCPTM sobre ilustração do governo baiano)
Parecer autoriza salvamento de sítio arqueológico
A decisão foi precedida pelo Parecer Técnico nº 7/2026, emitido em 2 de outubro pela Superintendência do Iphan na Bahia. O documento aprovou o programa apresentado pela CTB e manifestou-se favoravelmente à anuência do órgão à Licença de Instalação do empreendimento no que se refere à arqueologia.
O programa contempla o salvamento do sítio arqueológico Residência Campo Grande, identificado durante os estudos preventivos para a implantação do metrô, além do monitoramento das frentes de trabalho e de atividades de educação patrimonial.
De acordo com a CTB, 235 peças já foram coletadas e deverão ser destinadas ao Laboratório de Arqueologia e Paleontologia da Universidade do Estado da Bahia (UNEB), instituição responsável pela guarda e conservação do material.
O parecer também informa que o sítio Residência Campo Grande foi cadastrado no Sistema Integrado de Conhecimento e Gestão (SICG), sob o código BA-2927408-BA-ST-00041. O Iphan solicitou, entretanto, o envio das coordenadas geográficas que delimitam sua área, informação que poderá ser apresentada após a obtenção dos dados das escavações.
Largo Campo Grande, em Salvador (GE)
A Portaria nº 99 autoriza a execução do programa arqueológico pelo prazo de seis meses. O documento estabelece a apresentação de relatórios parciais e finais e atribui à Superintendência do Iphan na Bahia a fiscalização e o acompanhamento dos trabalhos.
Estação Campo Grande teve projeto alterado pelo Iphan
A preservação do patrimônio histórico já havia provocado mudanças na implantação do Tramo IV. Em março deste ano, o Iphan aprovou uma revisão do projeto da estação Campo Grande, cuja localização original ficava em frente ao Teatro Castro Alves.
A CTB deslocou a futura estação para outro ponto do Largo do Campo Grande após o órgão federal apontar possíveis impactos sobre a visibilidade de bens tombados, incluindo o teatro e o Forte de São Pedro.
Também foram revistas estruturas subterrâneas, como um poço de ventilação e saída de emergência. O projeto da estação prevê áreas comerciais, estacionamento e instalações operacionais, com profundidade aproximada de 48 metros.
As obras civis do Tramo IV foram contratadas por cerca de R$ 1,1 bilhão com o Consórcio Expresso 2 de Julho. A expansão também envolve a implantação de sistemas metroviários e a aquisição de novos trens, em processos conduzidos separadamente pela CTB.
