Vídeo mostra como poderá ser a Linha 3 do Metrô de BH, com trajeto subterrâneo pelo centro
Projeto prevê seis estações entre Savassi e Lagoinha, onde passageiros poderão fazer conexão com a Linha 1; construção ainda depende de estudos
Um túnel ferroviário sob a região central de Belo Horizonte, passando pela Avenida Afonso Pena e chegando à Savassi. Esse é o percurso previsto para a futura Linha 3 do metrô da capital mineira, que ganhou uma representação em vídeo mostrando o trajeto e os locais onde poderão ser construídas as estações.
O trabalho foi produzido pelo canal Viva City | Drone e Fotografia e apresentado pelo site Faixa Exclusiva. A produção ajuda a visualizar uma ligação ferroviária discutida há mais de uma década, mas que agora voltou a ser estudada pelo governo de Minas Gerais.
A Linha 3 terá, segundo a proposta atual, 4,23 km de extensão e seis estações entre Savassi e Lagoinha. Nesta última, haverá uma conexão com a Linha 1, permitindo que passageiros vindos de Vilarinho ou Eldorado sigam de metrô até a região central e a Savassi.
O traçado histórico da Linha 3 acompanha o corredor da Avenida Afonso Pena. Estudos anteriores previam estações na Praça Sete, junto ao cruzamento com a Avenida Amazonas, nas proximidades do Palácio das Artes e na Praça Tiradentes, além dos terminais Lagoinha e Savassi.
Proposta inicial feita pela MetroMinas na década passada (Metrominas)
Essas localizações constavam de um projeto de engenharia elaborado em 2014, quando eram consideradas cinco estações. A proposta retomada em 2026 passou a prever seis paradas, mas ainda não foi divulgada uma configuração definitiva para todas elas.
A principal diferença em relação à rede atual é que a Linha 3 atravessará o centro por túneis. As linhas 1 e 2 utilizam predominantemente corredores ferroviários de superfície, uma solução que limita a cobertura de áreas como a Savassi, onde se concentram comércio, escritórios, serviços e grande circulação de pessoas.
Escavações sob avenidas e edifícios
Construir uma linha subterrânea nessa região exigirá intervenções bem diferentes das realizadas atualmente no metrô de Belo Horizonte. Os túneis passarão sob vias movimentadas e áreas ocupadas por edifícios, além de cruzar redes de água, esgoto, energia e telecomunicações.
Duas alternativas poderão ser avaliadas para os túneis: NATM e tuneladora. A extensão inicial de 4,23 km pesa na análise dos custos de mobilização de um tatuzão, mas os prolongamentos estudados ao norte e ao sul podem mudar essa conta.
A escolha também dependerá das condições geológicas, da profundidade das estações e das interferências no subsolo. A antiga Metrominas realizou sondagens no corredor em 2012, mas o projeto atual ainda terá de definir a solução construtiva.

Estudos retomados após mais de uma década
O projeto chegou a ter uma versão de engenharia elaborada em 2014, mas não saiu do papel. Agora, o governo mineiro pretende atualizar os estudos e avaliar como a Linha 3 poderá ser construída e financiada.
Em março de 2026, foi firmado um acordo com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) para aprofundar os projetos das linhas 3 e 4. O trabalho inclui a avaliação de tecnologias, métodos construtivos e alternativas de contratação, aproveitando os levantamentos anteriores.
A estimativa divulgada para a Linha 3 é de R$ 4,8 bilhões, com demanda projetada de 93 mil passageiros por dia em 2035. Esses números ainda poderão ser revistos conforme o desenvolvimento do projeto.
Metrô de Belo Horizonte hoje utiliza apenas vias na superfície (Divulgação Metrô BH)
Belo Horizonte já possui passagens subterrâneas em sua rede ferroviária, mas não uma linha concebida para atravessar o centro por túneis. No Brasil, redes com trechos subterrâneos de maior extensão estão concentradas em poucas cidades, como São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Salvador e Fortaleza.
A proposta mineira busca atender justamente uma região que ficou fora do alcance direto das linhas existentes. Antes de definir como os túneis serão escavados ou onde ficarão todas as estações, porém, o governo ainda precisará concluir a atualização do projeto e estabelecer sua viabilidade financeira.
