Iphan suspende resgate arqueológico na estação 14 Bis-Saracura
Órgão exige novo método para preservar e musealizar estruturas encontradas após reunião com o Ministério Público Federal
O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) determinou a suspensão do resgate arqueológico na Área 6 da estação 14 Bis-Saracura, da Linha 6-Laranja. A decisão interrompe o procedimento que havia sido autorizado pelo próprio órgão para a retirada das estruturas encontradas no local.
A nova orientação foi definida após uma reunião com o Ministério Público Federal (MPF). Em documento emitido nesta quinta-feira (23), o Iphan ordenou a paralisação do resgate “nos moldes aprovados” anteriormente e solicitou a apresentação de uma nova proposta metodológica.
Segundo o instituto, a solução deverá “viabilizar a musealização integral das estruturas identificadas na Área 6”, levando em conta a interpretação dos estudos arqueológicos que relacionam parte dos achados a um espaço sagrado vinculado a um terreiro de Candomblé.
A determinação representa uma mudança em relação à solução aprovada pelo Iphan em setembro. Na ocasião, o órgão havia autorizado o salvamento arqueológico com desmontagem manual das estruturas, registro das relações espaciais entre os elementos e retirada dos materiais.
A autorização permitiu que a Linha Uni retomasse atividades em outras partes do canteiro da estação, mantendo a Área 6 isolada para a execução do trabalho arqueológico. Antes disso, a concessionária chegou a interromper preventivamente todo o canteiro diante das dúvidas sobre o tratamento dos novos achados.
Área 6 onde foram descobertos novos vestígios arqueológicos (iTechdrones)
Não está claro, por enquanto, se a suspensão do resgate arqueológico terá como consequência uma nova paralisação das obras da estação. A ordem do Iphan se refere especificamente ao trabalho na Área 6 e não determina a interrupção das demais frentes que haviam sido liberadas anteriormente.
Área de 320 m²
A Área 6 possui aproximadamente 320 m² e foi aberta durante a retomada das escavações da estação. Os trabalhos revelaram estruturas consideradas uma continuidade de elementos encontrados anteriormente na chamada Área 4.
Os estudos arqueológicos passaram a associar parte dessas estruturas a práticas religiosas de matriz africana e à possível existência de um terreiro de Candomblé no antigo território do Saracura, região historicamente ocupada pela população negra no Bixiga.
A questão sobre a preservação dos achados vem interferindo no cronograma da 14 Bis-Saracura, que já é a estação mais atrasada da Linha 6-Laranja. A escavação do local permaneceu interrompida durante longos períodos enquanto o Iphan analisava as medidas de salvamento arqueológico.
Áreas da escavação arqueológica da estação 14 Bis
Destino do acervo também é questionado
A reunião com o MPF também colocou em discussão o destino do material arqueológico retirado do sítio Saracura/Vai-Vai.
Em outro documento, o Iphan informou que o Ministério Público Federal questionou a capacidade do Centro de Arqueologia de São Paulo (CASP) de receber e custodiar o acervo. O instituto solicitou ao Centro Nacional de Arqueologia (CNA) que confirme se a instituição está em conformidade com as normas para funcionar como local de guarda.
Caso essa condição não possa ser confirmada imediatamente, o Iphan pediu a realização de uma vistoria para verificar as condições estruturais e operacionais do CASP.
Com a suspensão determinada agora, a responsável pelo trabalho arqueológico deverá apresentar uma nova metodologia para a Área 6. O documento do Iphan não estabelece prazo para a entrega da proposta nem indica quanto tempo será necessário para sua análise.
