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Justiça “paralisa” trecho de obra do monotrilho já parado

Juíza suspende em decisão liminar os já reduzidos trabalhos do consórcio Monotrilho Integração na Linha 17-Ouro
Pilares sentido o bairro do Morumbi (GESP)

Na semana em que a Copa do Mundo da Rússia motivou a produção de diversas matérias a respeito do legado do torneio no Brasil há quatro anos, a Linha 17-Ouro do Metrô voltou a ser manchete, desta vez também por conta de uma liminar concedida pela juíza Carmem Oliveira, da 5ª Vara da Fazenda Pública. A ação, impetrada pelo consórcio Monotrilho Integração (Andrade Gutierrez, CR Almeida, Scomi e MPE), pede a suspensão dos trabalhos em razão da falta de correção monetária em um dos serviços realizados pela empresa em março deste ano.

Segundo os advogados da empresa, o Metrô não atualizou o valor da chamada “medição 80”. No entender da juíza é uma penalização indevida ao consórcio e por isso autorizou a suspensão dos trabalhos até que o governo corrija o problema. O Metrô confirmou que vai recorrer da medida.

A decisão judicial em questão refere-se apenas ao contrato de um consórcio, dos nove que abrangem a construção do monotrilho da Linha 17-Ouro. O Consórcio Monotrilho Integração é responsável por sistemas de sinalização, material rodante, CCO, via permanente e portas de plataforma do trecho 1 da obra. As empresas que integram os demais convênios não fazem parte da ação nem da decisão judicial, portanto, continuarão cumprindo seus contratos executando serviços como de construção das estações, do pátio de estacionamento e manutenção de trens“, diz nota enviada pelo Metrô ao site.

Na prática trata-se de mais uma manobra do consórcio que há bastante tempo tenta rescindir o contrato de construção da linha de monotrilho na Zona Sul de São Paulo. A princípio, as duas construturas são as interessadas em deixar a obra que, na visão delas, foi alterada de tão forma que não seria mais viável financeiramente. Do lado do governo, o Metrô insiste que o consórcio deverá concluir alguns trechos pendentes como o que percorre a região ao lado do rio Pinheiros e também fornecer as vigas-trilho faltantes no pátio também.

Um acordo chegou a ser desenhado pelos dois lados mas acabou não prosperando. Até pouco tempo atrás, o Secretário dos Transportes Metropolitanos Clodoaldo Pelissioni afirmava que a empresa teria de voltar ao trabalho por força da Justiça.

O problema em toda essa história é que o consórcio é peça-chave para a operação do ramal, originalmente de quase 18 km mas que terá pouco menos de 8 km quando for inaugurado. A empresa malaia Scomi é responsável por fornecer os sistemas e trens de monotrilho que serão usados na linha. No entanto, embora haja uma composição em testes na Malásia e outras em construção (segundo afirmou a filial brasileira ao site), não há prazo para entrega conhecido. Os trabalhos com os sistemas de energia, comunicação, sinalização e segurança também não são perceptíveis nas vias.

Ou seja, o consórcio tem trabalhado em pequenas ‘ondas’ como a que era vista até o começo da semana em alguns pilares na marginal Pinheiros. Em condições normais, todo o escopo atribuído à empresa já teria sido entregue, mas segue ameaçando a previsão de inauguração em 2019.

Mais demorado que metrô subterrâneo

Ao menos em outras frentes, que não são tocadas pelo Monotrilho Integração, o ritmo é bom. As estações, embora com pouca movimentação, estão dentro do cronograma afinal o maior gargalo segue sendo o pátio Água Espraiada. Mas até nele é visível o avanço nos últimos meses só não maior pelo atraso herdado pelo novo consórcio TIDP.

Se conseguir dobrar o consórcio e fazê-lo concluir sua parte, o governo pode conseguir inaugurar a linha em 2020 provavelmente. Caso isso seja confirmado (o que é sempre uma dúvida em se tratando de obra metroviária), a Linha 17-Ouro terá demorado cerca de oito anos para ser concluída, tempo suficiente para construir uma linha subterrânea, mais cara e complexa.

Veja também: Governo reforça previsão de abertura da Linha 17 para 2019

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Ricardo Meier

É um entusiasta do assunto mobilidade e sobretudo do impacto positivo que o transporte sobre trilhos pode promover nas grandes cidades brasileiras. Também escreve nos sites Airway (aviação) e AUTOO (automóveis).

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