Linha 2 do Metrô de Brasília pode custar até R$ 20 bilhões para transportar 130 mil passageiros por dia
Projeto ainda está em fase de estudos, mas já levanta discussão sobre o custo de expansão de uma das redes metroviárias menos movimentadas do país
O Governo do Distrito Federal voltou a citar a implantação da Linha 2 do Metrô de Brasília, um projeto que poderá consumir entre R$ 13,4 bilhões e R$ 20,4 bilhões em investimentos e que, segundo as estimativas preliminares, deverá transportar cerca de 130 mil passageiros por dia.
Os números foram divulgados pela Companhia do Metropolitano do Distrito Federal (Metrô-DF) em um balanço sobre obras e projetos em andamento na rede metroviária.
Embora ainda esteja em fase de estudos de viabilidade técnica, econômica e ambiental, o empreendimento já chama atenção pela dimensão dos investimentos previstos e pela comparação inevitável com a demanda atual do sistema.
Hoje, o Metrô-DF possui 42,3 quilômetros de extensão, 27 estações e transporta cerca de 160 mil passageiros diariamente.
A futura Linha 2, por sua vez, teria demanda estimada em aproximadamente 130 mil usuários por dia, volume equivalente a mais de 80% do movimento registrado atualmente em toda a rede existente.
O projeto pretende atender regiões que hoje não possuem acesso ao transporte sobre trilhos, incluindo Santa Maria, Gama, Riacho Fundo II, Recanto das Emas, Núcleo Bandeirante e Candangolândia, além de estabelecer conexões com o Plano Piloto.
Mapa do Metrô do Distrito Federal (Metrô DF)
Apesar disso, os números também geram questionamentos sobre a validade da expansão metroviária no Distrito Federal.
A atual rede de Brasília figura entre as menos carregadas do país quando comparada à sua extensão. Para efeito de comparação, sistemas muito menores conseguem transportar volumes semelhantes de passageiros.
A Linha 15-Prata do Metrô de São Paulo, por exemplo, registra movimentação diária próxima à observada em toda a rede brasiliense, mesmo operando com extensão e quantidade de estações significativamente inferiores.
Especialistas costumam atribuir essa característica ao próprio desenho urbano da capital federal. Diferentemente de metrópoles mais densas, Brasília foi planejada com forte dependência do transporte individual e com grandes distâncias entre as áreas residenciais e os principais polos de emprego. Além disso, boa parte do crescimento populacional ocorreu em cidades periféricas dispersas, tornando mais difícil concentrar grandes volumes de passageiros em um único corredor.
Por outro lado, os defensores da Linha 2 argumentam que justamente essa característica explica a necessidade de expansão da rede. O novo corredor atenderia áreas densamente povoadas da região sul do Distrito Federal que hoje dependem principalmente de ônibus e automóveis para acessar o Plano Piloto.
Estação do Metrô do Distrito Federal (Metrô DF)
Expansão da Linha 1
Segundo o Metrô-DF, a próxima etapa do projeto envolve a elaboração da modelagem econômico-financeira e do anteprojeto de engenharia, documentos que servirão de base para uma futura licitação.
Enquanto a nova linha não sai do papel, a companhia tem focado na expansão da Linha 1 até Samambaia, com investimento estimado em R$ 319 milhões e expectativa de atrair cerca de 12 mil novos passageiros por dia. Também está prevista a construção da Estação 35, na Asa Norte, obra orçada em aproximadamente R$ 56 milhões que deverá acrescentar cerca de 7 mil usuários diários ao sistema.
Somadas, essas intervenções têm potencial para elevar significativamente a demanda da rede atual antes mesmo da implantação da Linha 2, servindo como um indicativo do impacto que novas expansões podem ter sobre a mobilidade do Distrito Federal.
