Linha 4-Amarela: metrô em Taboão da Serra somente em 2031
Após promessas de entrega em 2028, contrato assinado com a ViaQuatro diz claramente que extensão de 3,4 km levará 64 meses para sair do papel
A assinatura do aditivo contratual entre o governo do estado, representado pela Artesp, e a concessionária ViaQuatro que viabilizou a extensão da Linha 4-Amarela até Taboão da Serra era esperada há anos e tornou oficial a chegada do metrô ao município.
Mas o documento também confirmou algo um tanto decepcionante para quem alimentava a esperança de ver os trens do ramal chegando à Taboão ainda nesta década. A realidade é um pouco dolorosa já que a expansão só deverá ser entregue em 2031, isso se não houver imprevistos, comuns em empreendimentos desse porte.
A revelação foi feita pela placa da obra, instalada em frente à futura estação Taboão da Serra. Nela se lê o prazo de execução da obra: 64 meses, contados a partir de 29 de outubro deste ano. Portanto, basta uma conta simples para constatar que a inauguração está prevista para fevereiro de 2031.
Placa revelou o prazo real da obra: mais de cinco anos (Reprodução)
A data é bem distante do que o governo do estado estimava até então. Por muito tempo falou-se em 2028 e quatro anos de obras. Posteriormente, o governador Tarcísio de Freitas, já em meio a atrasos para assinar o aditivo, previu que a extensão ficaria pronta em 2029, mas que acredita que ela pudesse ser feita em 36 meses e manter o prazo original.
Tratavam-se de estimativas extremamente otimistas e até surpreendentes para um governador que é conhecido pela desenvoltura com engenharia civil. Os poucos mais de cinco anos de obras condizem com a complexidade do projeto, contudo.
Serão 3,4 km de trilhos, três poços de ventilação e duas estações (além de Taboão da Serra, também Chácara do Jockey em São Paulo). Estima-se um investimento de mais de R$ 4 bilhões para tirá-la do papel, o que inclui também seis novos trens fornecidos pela CRRC.
Esquema da estação Taboão da Serra (GESP)
Vale lembrar também que a ViaQuatro não irá usar um tatuzão para escavar os túneis, o que significa aplicar o método NATM (ou túnel mineiro), que tem avanço mais lento já que é feito pela retirada de camadas de terra e que precisam de reforço de concreto para manterem sua integridade.
Mais 50 mil usuários diários
Embora não seja uma linha nova, que precisa de pátio e sistemas a serem testados, a extensão exigirá toda uma série de trabalhos para integrá-la com o restante do ramal que está em operação plena.
Diagrama da estação Chácara do Jockey (GESP)
Para implantar a chamada fase 3, a ViaQuatro ficará à frente da concessão por mais 20 anos, ou seja, até junho de 2060. Com as estações prontas, a expectativa é que mais 50 mil usuários passem a circular no ramal, que ganhará também um novo terminal de ônibus em Taboão da Serra.
Pode se dizer que o pior já passou nesse projeto. Os anos de espera e indefinição ficaram no passado, mas ter o gostinho de embarcar nos trens da Linha 4 em Taboão ainda vai levar alguns anos.
